ESPAÇO ABERTO
Vantagens do perdão
Dom Orlando Brandes
Perdoar não é fácil, mas é o caminho mais eficaz para a convivência humana saudável e feliz. Nosso viver e conviver sobrevivem graças ao perdão que é uma atitude de amor incondicional, de compreensão, de misericórdia e de alta sabedoria.
Quem não perdoa é um perdedor. Perde de dois a zero porque frustra o relacionamento humano e carrega dentro de si o lixo da mágoa e amargura. Quem perdoa alcança o zero a zero, ou seja, restabelece a comunhão e expulsa o veneno do ressentimento. Terá saúde física, psicológica, social e espiritual. O perdão é remédio, cura, excelente terapia. Quem não perdoa, irá sempre culpar alguém e vingar-se. Isso aumenta o sofrimento e o desgaste físico. Perdoar é tirar a raiz da amargura.
Perdoar é compreender, desistir de julgar e de culpar os outros. Isto é possível quando reconhecemos que somos barro. Ninguém é infalível. Quando aceitamos nosso barro e o dos outros, conseguimos perdoar. Com o perdão conseguimos dar um novo significado ao fato que nos magoou, temos nova compreensão, novo olhar, novo sentimento sobre fatos e pessoas. O perdão muda a realidade porque é encontro com a verdade. Perdoar é reatar o relacionamento rompido, é colocar-se nas mãos do outro, abdicar do julgamento pessoal. É um gesto de gratuidade no qual fazemos o dom de nós mesmos. Sem o perdão somos pesados, doentes, depressivos, agressivos, desumanos. Perdoar é re-humanização de si.
A falta de perdão torna falsa e estéril a oração. O rancor, a mágoa, o ressentimento impedem a ação da graça. O sentimento negativo é uma energia venenosa que se transforma em doença, insônia, agressividade, imoralidade, alcoolismo, barulho, farra, etc. Muitos problemas da vida têm sua raiz na falta de perdão. Quem não perdoa odeia a verdade, carrega veneno na alma, destrói o bem, afasta-se da caridade, vive no azedume e critica, fere o coração, morre aos poucos, sente-se perdido. Só resta o vazio, a solidão e a algazarra para abafar o mal-estar interior.
As conseqüências negativas da falta de perdão são tão perigosas e destruidoras que a Bíblia aconselha a perdoar antes do pôr-do-sol. Não deixar para amanhã. Não ir dormir com raiva: Não se ponha o sol sobre vossa ira (Ef 4,26). Igualmente Jesus manda perdoar setenta vezes sete, isto é, sempre, imediatamente e de todo coração. O perdão é tão benéfico que deve ser dado incondicionalmente, totalmente, incansavelmente. Na oração do Pai Nosso, o perdão está ao lado do pão de cada dia. O perdão também é pão da vida, porque é o amor sem medidas, amor de mãe, amor misericordioso. É o perdão que possibilita a fraternidade e a boa qualidade do relacionamento humano.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina
Deputados federais: por que 513?
Antonio Fidelis
O Brasil tem 513 deputados federais a um custo enorme para todos nós. Reduzir este número para menos da metade, certamente só trará benefícios, até porque haverá redução no custo Brasil economia que poderá ser canalizada para a educação, saúde, infra-estrutura e segurança, áreas que realmente alavancam o desenvolvimento.
Com os recentes escândalos do mensalão, sanguessugas, dólares e outros, somados à tentativa do aumento dos salários dos deputados para R$ 24.500,00, felizmente barrada pelo Supremo Tribunal Federal, a sociedade vem se mobilizando no sentido buscar uma solução para estas questões que repercutem diretamente na vida de cada brasileiro.
O Brasil tem aproximadamente 180 milhões de habitantes e não necessita mais do que um deputado federal para cada 1 milhão. Até porque uma lei para ser aprovada tem que ser votada na Câmara Federal, passar pelo Senado e pela sanção ou veto do Presidente da República, com a ressalva de que Supremo Tribunal Federal através das Adins tem o dever de declarar inconstitucionais as leis que vão de encontro aos preceitos da Constituição.
É importante ressaltar que diante da elevada responsabilidade do cargo de parlamentar, nada mais justo que, aliado à redução, seja ainda exigido como pré-requisito para a candidatura as certidões negativas cíveis e criminais, das justiças Federal e Estadual, tal como é feito para o cidadão comum que se candidata a qualquer cargo público.
A sociedade brasileira necessita urgentemente reduzir o número de deputados, assim como fez com os vereadores, até porque o que precisamos é de qualidade e não de quantidade. Com menos vagas na Câmara Federal, os mais bem preparados seriam vitoriosos, e o eleitor passaria a conhecer melhor os seus candidatos.
Com 180 deputados federais, respeitando-se o mínimo de dois para cada Estado, o Brasil teria uma economia de aproximadamente R$ 500 milhões por ano, sem considerar o efeito cascata que certamente ocorrerá nas assembléias legislativas e nas câmaras municipais.
Já existem estudos no sentido de se reduzir o número de deputados federais através da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 519/06, do deputado Jaime Martins (PL-MG), de 513 para 450, e a PEC 170/99, do ex-deputado Roberto Argenta, que reduz para 380. O corte na Câmara é um investimento em nossa Pátria, é medida de respeito pelo futuro de nossos jovens que, infelizmente, estão deixando o nosso país e indo para o exterior por falta de perspectivas de trabalho.
A sociedade é sabedora de que o País não necessita de um número elevado de deputados, mas sim de uma Câmara composta por pessoas de melhor qualidade, que tenham respeito com o bem público e que trabalhem em prol da nação e não em defesa de seus interesses.
ANTONIO FIDELIS é advogado em Londrina





