Agroindústria: opção preferencial

Alexandre Lopes Kireeff
  A presença da agroindústria no Norte do Paraná não é nenhuma novidade. Companhias de café solúvel, moinhos de trigo, laticínios e algumas outras fazem parte de nosso cotidiano. Entretanto, nos parece que é chegado o momento de nossa região assumir a agroindustrialização como uma opção preferencial para o seu desenvolvimento, tanto pelos benefícios que esta opção poderia proporcionar, quanto pelo conjunto de fatores que nos tornam absolutamente competitivos perante outras regiões.
  Quanto aos benefícios que a agroindústria proporciona, o que mais chama a atenção é o fato de que estes se irradiam pelos diversos setores da economia e da sociedade. A agroindústria gera empregos como qualquer outro empreendimento, mas a geração de empregos, neste caso, tem a particularidade de irradiar-se tanto nas áreas urbanas quanto na zona rural. Pois, tanto o processo industrial quanto a produção da matéria-prima, absorvem a mão-de-obra. Além disso, a demanda por mão-de-obra não se resume à mais especializada e qualificada, pois desencadeia-se também a demanda pela mão-de-obra puramente braçal, inserindo no setor produtivo um amplo e variado espectro de trabalhadores. A oferta de empregos na zona rural e o aumento da renda através da diversificação agropecuária permitem a fixação do homem no campo, colaborando para a solução de graves problemas sociais. A geração de empregos de perfil tão variado, aliada à intensificação e a diversificação da produção agropecuária, tem a capacidade de quebrar o círculo vicioso que expulsa o homem da terra e, depois, o leva de volta, agregado a movimentos sociais, gerando os indesejáveis conflitos no campo.
  Nossa região possui condições muito particulares que atestam a vocação preferencial pela agroindústria. Nosso solo, ao contrário de outras regiões do país, não é um fator limitante. É, na verdade, uma vantagem competitiva, viabilizando a prática de uma variadíssima gama de culturas. Até mesmo nossa latitude privilegiada – estamos sobre o trópico de capricórnio –, possibilita-nos produzir tanto culturas tipicamente tropicais, quanto aquelas de clima temperado, muitas vezes lado a lado.
  Não param por aí nossas vantagens competitivas. Londrina ainda tem o privilégio de sediar as duas mais importantes instituições de pesquisa agropecuária do país: a Embrapa e o Iapar. Tal fato, somado à presença de quatro universidades, nos garante a vanguarda em todas as fases do processo, desde a produção da matéria-prima, até o processamento industrial, passando pelos setores administrativo, comercial, financeiro, etc.
  Londrina, desde 1975, está a procura de sua nova identidade. O espetacular ciclo do café, que se encerrou com a brutal geada daquele ano, deixou em todos nós parâmetros de crescimento e de riqueza inigualáveis, que muitas vezes despertam o sentimento da nostalgia. Esperar que Londrina reviva a pujança daqueles tempos, seria contar com o improvável. Entretanto, enfrentar o desafio de acrescentarmos um novo e poderoso elemento à nossa matriz econômica regional parece-nos não apenas factível mas, também, provocante e inspirador.
ALEXANDRE LOPES KIREEFF é presidente da Sociedade Rural do Paraná em Londrina


Domínios na Internet e criminosos virtuais

Marcelo Tsuguio Okano
  Os criminosos virtuais utilizam-se da Internet como o principal meio de comunicação para aplicar seus golpes. Vários tipos de delitos são praticados com o uso de e-mail, sites ou outra ferramenta da Internet para instalar vírus ou programas espiões com o objetivo de roubar senhas, números de contas bancárias e de cartões de créditos. Outros golpes iludem o internauta para conseguir algum ganho financeiro. As facilidades de aplicar o golpe em milhões de pessoas e o possível anonimato são os grandes atrativos destes delitos online.
  Agora, um mix de virtual e real está sofisticando ainda mais estes golpes, que vêm utilizando-se do Correio para enviar comunicações falsas para empresas e pessoas que tenham os seus domínios inscritos no registro.br, órgão que registra e controla todos os domínios da Internet com o sufixo ‘‘.br’’. Através de uma busca simples é possível obter os dados do responsável (pessoa física ou jurídica) por qualquer domínio cadastrado.
  Os fraudadores apropriam-se dessas informações e enviam cobranças por algum serviço supostamente oferecido, como se fossem provedores dos domínios. Em alguns casos, a cobrança é realizada em moeda estrangeira e atinge valores altos. Os fraudadores chegam à desfaçatez de enviar boletos em nome do próprio registro.br com cobranças indevidas (http://registro.br/anuncios/20060925.html).
  Tive acesso a um destes boletos falsos, emitido em nome da Central Registration Service (CRS), oferecendo um serviço para registrar e publicar o domínio no banco de dados de negócios da Internet após o pagamento de US$ 966,00. A CRS está sediada nos Estados Unidos, mas o envelope foi postado em Praga.
  Alguns cuidados são importantes para não cair nesses golpes: 1) O boleto emitido pelo registro.br para a cobrança anual de cada domínio deve ser verificado junto aos dados da entidade, que podem ser encontrados no link: http://registro.br/anuncios/20060925.html; 2) Certifique-se sempre com o seu provedor de Internet sobre os boletos enviados para a hospedagem; 3) Desconfie de todas as correspondências e e-mails com cobranças sobre o domínio, principalmente, se foram postadas fora do Brasil; 4) Fique atento a todos os tipos de correspondências, pois os fraudadores utilizam-se de todas as formas possíveis para conferir maior veracidade às suas fraudes.
MARCELO TSUGUIO OKANO é matemático e coordenador de cursos superiores na área de informática


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