ESPAÇO ABERTO
Feliz Ano Novo....nada fácil!!!
Abraham Shapiro
Na virada do ano, quando tudo parece mágico e fácil como o prognóstico dos videntes, meu voto de Feliz Ano Novo soa repugnante aos amantes da vida sossegada. Em uma só palavra: esforce-se! Como? Faça planos que exijam esforço para o novo ano. Sugestões. Estude. Pratique aquela hora de ginástica que você odeia. Gerencie seu tempo pare de jogar fora o que é mais precioso na vida.
Aproveite oportunidades de crescer como pessoa. Trabalhe muito. Descanse o necessário. Olhe a natureza. Não seja fanático por cama e travesseiro. Seja voluntário em alguma causa ou dê dinheiro para benefício de pessoas com dificuldades. Ame muito, até sua pele parecer a bunda de um bebezinho gorducho e você rir por qualquer coisa. Alimente-se bem e com sabedoria os sábios Judeus dizem que até os 40 comer é bom; depois dos 40, beber faz bem, mas veja lá o que beber!
Converse assuntos de valor. Conheça melhor as pessoas especialmente as que você pensa que conhece. Apresente-se a si mesmo. Ame-se mais. Busque conceitos para alimentar o cérebro. Pense em quanto se faz sem um conceito claro: casar, escolher uma profissão, um negócio, ter filhos. Se corrêssemos atrás de conhecer os conceitos, muitas besteiras seriam evitadas. Use melhor o que você já conseguiu. Alegre-se com isso.
Continue sua lista a partir daqui. Mas seja prático. Nem pense em escrever ganhar na loteria. E mais um lembrete: inclua Deus em seus planos. Isso fará de você um ser humano mais útil.
Mas por que esforço é o meu voto de ano novo? Por que é uma palavra excluída da vida de 99% das gentes de hoje. Em num mundo onde tudo parece tão fácil fast food, self service, etc contrariar a tendência da maioria será o diferencial que você busca para alcançar sucesso e grandeza. Não é tão difícil assim. Aí dentro de você existe uma poderosa vocação para ser grande e bom. Basta se esforçar. Entendeu agora? Você não quer ir embora do mundo sem uma façanha em favor de todos ou de alguém especial.
Olhando para os cinco continentes, vemos o quão todos sentem-se insatisfeitos. Pobres, por serem pobres. Ricos, por serem ricos. Inteligentes, poderosos e talentosos não ficam atrás. E os grandes? Por onde andam os pensadores, gênios, criadores inspirados e inspiradores? O que por Deus aconteceu a estes? Falta esforço e desejo de conseguir grandeza pela conquista e sabedoria. Só queremos ter uma gorda conta bancária.
Há quanto tempo não temos um Beethoven, um Michelangelo, um Spinoza ou um Buckminster Fuller? Gênios são pessoas que se esforçam para ser grandes naquilo que fazem. Depois de muito suor, lágrimas e superações, as pessoas comuns os explicam como nascidos prontos. Comunicam a idéia de que é a genética e não o esforço que vale. Mas é mais uma falsa premissa construída pela tosca imaginação de quem nada sabe da vida.
Precisamos redescobrir o valor do esforço e da conquista. Gênios não nascem prontos. A verdade absoluta é que, neste mundo, só um tipo de pessoa nasce exatamente do modo como são ao longo de toda a sua existência: os tolos.
Você deseja viver um feliz 2007? Pois então: esforce-se!!!
ABRAHAM SHAPIRO é consultor na área de Desenvolvimento de Liderança
Uma manchete para 2007
Phoenix Finardi
Era tão mais fácil quando a gente era pequena... nossos sonhos, nesta época do ano, eram simplesmente concretos: boneca, carrinho, ursinho, trem, bola, bicicleta. Com o passar do tempo, os desejos se tornaram mais subjetivos: amor, beleza, sucesso, prosperidade. Essas coisas, enfim, que escrevemos nos cartões natalinos e que quando crianças, nem imaginamos pedir ao Papai Noel. Este ano meu desejo é uma manchete. Daquelas que a imprensa toda noticia.
Em vez de lista para o Papai Noel, o que eu quero é uma coisa só. Não precisa de embrulho e pode ser repartida com todo mundo.
Quero fechar os olhos, de noite, e dormir um sono profundo, sem me preocupar com o meu filho que ainda não chegou. Quero parar o carro na frente de casa, sem ligar alarme, nem colocar trava, sem tirar o toca CD. Aliás, quero de volta aquele tempo em que não existiam alarmes. Eu não sou tão velha assim e me lembro de quando a porta da frente ficava aberta o dia todo, e só era trancada à noite.
Quero fazer amizade com o dono da padaria lá do bairro; os assaltos são tão constantes que o estabelecimento troca de proprietário a cada três meses. Não dá prá ninguém ficar amigo em tão pouco tempo. Quero não ficar olhando em volta enquanto espero o saco de pão; depois que fomos assaltados, cada rosto estranho se tornou suspeito.
Quero poder voltar a caminhar ao anoitecer pelas ruas vazias do loteamento perto de casa. Era tão bom ver o sol sumindo entre as poucas construções que se tornaram potenciais esconderijos de criminosos.
Tudo agora é perigoso. E as coisas mais impensáveis acontecem bem debaixo do nosso nariz. O filho de um conhecido foi assassinado por causa de uma dívida de R$ 20. Um assaltante encostou um revólver na cabeça do meu filho por causa de um boné.
O que eu quero é a paz que dissolve o medo. Não o meu medo, mas o medo de todos nós.
Este ano, quero que ninguém morra assassinado, que não aconteçam assaltos, nem arrombamentos, nem sequer um pequeno furto. Nos acidentes mais graves, que ninguém fique machucado. Quero não ter sequer um crime para noticiar no jornal.
Pelo menos um dia em 2007 quero que a página de polícia fique em branco para que eu possa escrever Londrina está em paz.
Alguém duvida que isso seja manchete?
Phoenix Finardi é editora de Cidades
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