Ano Novo e os caminhos para a paz

Dom Orlando Brandes
  O dia 1º do ano é o Dia da Paz. A Igreja, iluminada pelo Evangelho, nos oferece os caminhos possíveis para uma paz duradoura. São princípios éticos que constroem a paz. Passamos agora a elencá-los: 1. O fundamento universal da paz é o amor de Deus pela humanidade. Este amor reconcilia a pessoa consigo mesma, com os outros e com Deus. ‘‘Paz na terra aos homens que Deus ama’’ (Lc 2,14). 2. A vocação primordial da humanidade é de ser uma única família, onde a dignidade e os direitos das pessoas sejam afirmados. 3. O respeito pelos direitos humanos, pois quem ofende estes direitos, ofende a humanidade. Daí resulta o respeito pelas populações civis. Os direitos humanos são universais, indivisíveis e não têm fronteiras. 4. A renovação do direito internacional e das instituições internacionais para a proteção da humanidade, das populações civis, da pessoa humana. 5. A educação para a não violência e para a paz através dos pais, professores, trabalhadores, governantes, organizações internacionais, organizações não-governamentais, os fiéis cristãos, os jovens. 6. O destino universal dos bens da terra, preservando o direito à propriedade privada e a função social da mesma. 7. Paz não é ausência de guerra, mas respeito pela equidade, verdade, justiça e solidariedade. ‘‘O direito à paz supõe o direito a um progresso integral e solidário’’. 8. A elevação dos pobres e seu direito de participar dos bens materiais e de fazer render sua capacidade de trabalho. Os pobres não devem ser vistos como problema, mas como sujeitos e protagonistas de um futuro novo. 9. Revisão da economia sobre a função do mercado, a especulação financeira e a separação entre o econômico e o social. ‘‘Chegou o momento de uma nova e profunda reflexão sobre o sentido da economia e de seus fins’’. 10. Criação de uma nova cultura de solidariedade para encontrar soluções para o problema da dívida externa e garantir financiamentos para a luta contra a fome, as doenças e a degradação ambiental. 11. Cultivar a consciência para os valores morais para enfrentar os problemas dos migrantes, do narcotráfico, da corrupção, da violência, do meio-ambiente, da Aids. 12. Jesus é a nossa paz (Ef. 2,14). A Igreja tem a missão de ser instrumento da paz de coração aberto a outras Igrejas e Comunidades Eclesiais. 13. Papel preponente na construção da paz tem os jovens, se buscarem o caminho da reconciliação e do perdão, caminho difícil, mas é o único que permite olhar para o futuro com esperança.
Dom Orlando Brandes é arcebispo de Londrina


2007: Um ano cheio de beleza

Ezequias Domingos de Abreu
  São muitos os desejos e as expectativas presentes no coração no início de um novo ano. As pessoas, em um exercício anual de solidariedade, transformam os seus próprios anseios em saudações convencionais tais como: ‘‘Feliz Ano Novo’’ ou ‘‘Que seja este uma ano de alegria, prosperidade e saúde’’. Na verdade estas saudações são apenas a repetição automática de palavras, às vezes vazias, presentes em nossa agenda para aquele momento.
  Mas, na tentativa de não cair no lugar comum, uma questão poderia ser levantada: Qual seria a saudação ideal para este início de 2007? O que poderia ser dito que realmente tivesse o poder de trazer algo novo e abençoado ao coração do semelhante? Responder estas perguntas implica em pensar naquilo que pode fazer deste novo ano um tempo realmente especial para todos.
  Tendo por inspiração a obra do pastor puritano e grande avivalista do século 18, Jonathan Edwards, poderia ser formulada uma sugestiva saudação: ‘‘Que 2007 seja um ano realmente belo’’. Mas, o que significa desejar beleza para o novo ano?
  O primeiro passo é a definição do conceito de beleza. Para Edwards a beleza consiste em similaridades ou identidade de relações. É assim que as cores, quando combinadas e utilizadas por um habilidoso pintor, podem compor um belíssimo quadro. E o que dizer de um pôr-do-sol que espalha uma infinidade de matizes em um céu azul, decorado com nuvens brancas e multiformes. Há ainda a beleza da música, no equilíbrio entre harmonia, melodia e ritmo. Todavia, a verdadeira beleza se revela é na relação com o todo, ou seja, um determinado objeto pode ser considerado belo quando visto em separado, mas deixa de ser belo quando visto em conjunto. Algo realmente belo, quando visto no contexto amplo de tudo quanto existe, tem a sua beleza manifestada de forma definitiva e intensa. No conjunto formado por tudo que existe, Deus ocupa a posição suprema. Deste modo é possível afirmar que somente diante de Deus a verdadeira beleza pode ser plenamente manifesta.
  Para Jonathan Edwards, Deus é a fonte de todo o ser e de toda a beleza. Ele escreve: ‘‘a beleza do mundo é a comunicação da beleza de Deus’’. Através da criação do universo Deus torna visível a beleza interna do seu próprio ser. Deus é deste modo, o critério último de beleza. O princípio que governa todas as relações presentes no universo é a beleza de Deus, isto é, a sua glória.
  A harmonia com as perfeições de Deus, isto é, sua sabedoria, santidade, amor e poder é que faz a vida de alguém ser realmente bela. Neste sentido é possível afirmar que o Espírito Santo de Deus é o supremo instrumento de comunicação da beleza divina, que segundo a vontade do Pai opera para produzir em cada um de nós a beleza revelada na pessoa de Cristo.
  Desejar um ano de 2007 cheio de beleza significa desejar a todos um novo tempo no qual a beleza de Deus esteja presente em todas as esferas da vida humana. O entendimento deste princípio e a busca por sua aplicação na vida cotidiana, produzirão um efeito revolucionário e abençoador.
  Que a beleza de Deus seja vista abundantemente em nossas vidas neste novo ano.
REV. EZEQUIAS DOMINGOS DE ABREU, é pastor auxiliar da Igreja Presbiteriana Central e professor universitário


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