ESPAÇO ABERTO
Entre um drink e outro...
Lia Mendonça
... Passaram-se 20 anos desde que comecei a fazer colunismo social em Londrina, a convite do jornalista Walmor Macarini, por sugestão do professor do curso de Jornalismo da UEL, Ubiratan de Oliveira Alves. Iniciei no Paraná Norte, prossegui na FOLHA, continuei no O Estado do Paraná. Em seguida fiz televisão. Depois de percorrer todo esse trajeto, paralelamente às minhas atividades na Coordenadoria de Comunicação da Universidade Estadual de Londrina, cheguei à conclusão que todo estudante de Jornalismo deveria estagiar no colunismo social. O segmento proporciona uma visão geral de diversas áreas. Num mesmo dia, tomei café da manhã com a atriz Eva Wilma, almocei com o governador Roberto Requião, entrevistei o cirurgião Adib Jatene e jantei com a empresária hoteleira Chieko Aoki.
Como colunista social, posso dizer que não entendo de bovinos, mas sei como é o formato da Sociedade Rural, tenho conhecimento dos grandes acontecimentos da Associação Médica de Londrina, o que está rolando na OAB. Tudo porque colunistas circulam.
Hoje me sinto irreverente a ponto de interromper a conversa de uma roda de autoridades para conseguir uma boa cena. A propósito, montar uma cena é complicado mesmo. Já estive em festa que reuniu cinco ex-prefeitos londrinenses. Resolvi então juntar todos numa foto só. Aí começa a maratona: atravessar o salão, puxando pela mão de cada um deles para concentrá-los num lugar só, daí uns e outros vão se enroscando pelo caminho enquanto o outro aguarda cansado e irritado e vai se sentar de novo. Quando consegui montar a cena, eis que o fotógrafo de outro jornal pega o prato feito e a foto acaba saindo igual em todos os veículos de comunicação.
Então, quando vemos uma foto em coluna de jornal, muitas vezes não nos damos conta do que há por trás, da produção do fato. Aliás, para se escrever uma coluna gasta-se pelos menos umas cinco horas.
Do colunismo social que nasceu na Inglaterra - com Tom Driberg, falecido em 1976 - até os dias de hoje, muita coisa mudou. Hoje é mais jornalismo de serviço. Muitos temem abrir a casa para a reportagem social, as grandes festas acontecem em buffets, os grandes eventos são mesmo empresariais ou políticos.
No início, cheguei a ir a cinco festas num mesmo sábado. Sacrifício? Sim, mas valeu a pena, montei uma rede de relacionamentos, conheci grandes personalidades e pessoas que marcaram minha vida.
Entre um drink e outro, grandes homens de negócios, autoridades, acabam revelando fatos inéditos que muitas vezes não seriam ditos em uma solenidade. Vivi uma cena que merece registro. Fui a um almoço empresarial. Perguntei ao ex-governador Paulo Pimentel quem era quem naquela festa. Ele me indicou a mesa do vice-presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Antonio Bornia. Fui até ele, me apresentei como amiga de sua sobrinha londrinense Kátia Bornia. E perguntei: quem é aquele ali que não me parece estranho? Ele respondeu: É o dono do Banco Safra. Resultado: juntei todos e produzi um grupo de peso para minha reportagem inédita, pois nem a assessoria de imprensa da festa havia me informado que aquele grupo estava lá.
O colunista social também é um grande pauteiro. Acaba sendo confidente de muitos - quando a festa já está no compasso da descontração - que acham que sua vida é uma festa. Mal sabem eles que muitas vezes você se maquiou bastante para esconder a tristeza; ou chegou sorrindo e saiu chorando...Afinal, você está trabalhando. E a vida não é só uma festa...
LIA MENDONÇA é jornalista e assessora de imprensa em Londrina
O setor privado e a Educação Superior
Eleazar Ferreira
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva implementou, ao longo seu primeiro mandato, ações inclusivas para estudantes de baixa renda ingressarem no Ensino Superior. Mesmo com tais méritos o Poder Público não pode e nem deve subestimar o avanço do setor privado.
Em recente entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou que o sistema de Ensino Superior estaria passando por um momento de esgotamento do modelo anterior (baseado na expansão da rede particular) e substituição por um novo (com ênfase na rede pública).
A declaração teve como base a análise do ministro sobre o recém publicado Censo da Educação Superior de 2005. Mas, ao verificarmos mais apuradamente os números, é possível concluir exatamente o contrário.
Em 2004, existiam 4.163.733 matrículas no Ensino Superior. Em 2005, o total subiu para 4.453.166, atingindo um crescimento de 7%. Apesar do número ser o mesmo do ano anterior, ainda assim ficou longe das taxas de 1999 a 2003, que ficaram próximas a 13%. Foi com base nesses dados que o Ministro apontou o esgotamento do modelo. Mas, ao separamos as instituições privadas e públicas, a tendência é exatamente oposta.
A taxa de crescimento das matrículas no setor privado instituições privadas foi de 9,2% e a das instituições públicas foi de 1,2%. De 2002 a 2005, o número de matrículas no setor privado cresceu 34,3% e no setor público o crescimento foi de somente 13,4%.
Os números mostram que, não encontrando vagas nas universidades públicas, os estudantes têm procurado as universidades e faculdades particulares. Mostram também a força de empresários que não se negam a investir em um dos setores mais vitais para o crescimento do país: a educação. Por isso, em vez de alardear esgotamento das instituições privadas, o ministro da Educação deveria buscar mecanismos de apoio e incentivo ao crescimento das mesmas.
ELEAZAR FERREIRA é advogado e reitor da UniFil
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