ESPAÇO ABERTO
O aumento de 91%
Moises de Godoy
Continuam ganhando corpo iniciativas de peso, visando, não só desqualificar e desvitalizar, mas tornar sem efeito o escabroso reajuste de 91%, que as Mesas da Câmara e do Senado se concederam.
Sobre ser o ato de duvidosa legalidade, veio calcado em Resolução das Mesas, sem que passasse pelo crivo do plenário dessas Casas, o que seria até imprescindível, pelo fato de atentarem contra a economia do regime - que se propala tão desprovida - e, mais, por se revestirem de largo atentado à moral e à própria dignidade de toda a massa assalariada do País, que vive em níveis apertados.
A grita no País, na linguagem clássica, se levanta e, agora, via Ação Popular, grupo de políticos, entidades de classe, profissionais respeitáveis e tantos outros, pretendem fiquem reconhecidas a imoralidade e a ilegalidade desse afrontoso reajuste.
A Ação Popular, objeto da Lei 4.417, de 29 de junho de 1965, é providência que compete privativamente ao cidadão eleitor e visa combater ato ilegal e lesivo ao patrimônio público, como no caso, caracterizando-se a ilegalidade pela forma como foi deliberado, achando-se a lesividade patente no prejuízo concreto que se abaterá sobre os cofres da Nação.
O ato, que se repudia, além de nocivo, transcende dos limites da menor seriedade e coloca o poder político em difícil situação moral perante a opinião pública.
A Mesa se passou atestado de quase óbito e de que se encontra na contra-mão dos legítimos interesses sociais e, agora, cabe ao Judiciário, de imediato, por um paradeiro no triste episódio, inicialmente reconhecendo que houve lesão à moral administrativa, conceder liminar que lhe suste as conseqüências perniciosas, como permite o parág. 4º do art. 5º da referida lei.
Aguarda-se coragem dos Juízes já manifestada no recente pronunciamento do Supremo ao enfrentarem essas providências, que comprovam estarem os homens de bem em intensa vigília democrática e se sabe que, além da Ação Popular, cabem Ação de Improbidade e Ação de Inconstitucionalidade do Ato, que é imoral, ilegal, anti-social e fundamente lesivo e comprometedor, não só da dignidade do Parlamento, como a de todo o trabalhador brasileiro.
A alma nacional está em frangalhos e se apresenta com lágrimas no coração, na postura a que se refere Ovídio, ante os espasmos da Roma que fenecia e agonizava.
MOISES DE GODOY é advogado e professor em Londrina
Descer dos ombros de Jesus
Walmor Macarini
Tenho escrito que dois mil anos são transcorridos e em todo esse longo período os homens não souberam decifrar o significado da missão terrena de Jesus. Ele falava por parábolas e na época não o entenderam, como não o entendem até os dias atuais. Porque, ao invés de tê-lo como mestre, passaram a reverenciá-lo. Entronizaram-no nos templos e outra coisa não fizeram senão adorá-lo e clamar por sua ajuda. Elegeram-no salvador e repositório de súplicas e lamentações ao invés de seguir os seus ensinamentos.
Jesus nunca se proclamou um salvador até porque todos já somos salvos mas veio dizer aos homens que cada um encerrava em si a divindade (O Reino está dentro de vós), tal qual ele; que todos tinham o poder crístico (entenda-se o fogo divino), um atributo que no espírito de Jesus alcançava o grau de plenitude. Porque esse espírito de grande luz procedia das mais elevadas esferas, para onde haveria de retornar depois de seu voluntário ministério terreno.
Oportuno lembrar porque isto explica muitas coisas que Cristo não era (como não é) um ser, mas a chama divina, presente também nos humanos (Cristo em vós). Daí o reconhecimento da idêntica divindade em cada ser. Quando se fala de Cristo não se fala de Jesus. A condição crística é o estado mais avançado da luz. E tanta luz havia no espírito de Jesus que ele era inteiramente banhado por essa luz.
Era quando ele se transmutava e dizia Não eu, mas o Pai em mim. O Pai era esse supra-poder, a chama, ou outro nome que se queira dar para o poder supremo que move e rege todas as coisas e do qual fazemos parte. (O que eu faço vós também o fareis, e ainda melhor revelou Jesus isto significando o idêntico poder latente e inerente em cada um, o poder emanado da Mente do Universo e que convencionou-se denominar Deus).
Quando Jesus disse que deveríamos segui-lo, quis dizer que fizéssemos igual a ele. Mas os homens não o fizeram e preferiram o comodismo de montar em seus ombros esperando que ele os carregasse e resolvesse tudo. Óbvio que isto não ocorre. Por isso a humanidade sofre, porque dispõe do próprio poder, imanente de Deus, mas não crê nisso e não o ativa e utiliza. Nossos pecados são as nossas desinformações, como a ignorância acerca desse poder.
O homem não precisa montar nas costas de Jesus, mas ser ele mesmo o agente de sua própria ascensão. Jesus será um grande auxiliar nessa tarefa. Cada ser é uma expressão da vida de Deus. O Cristo que estava em Jesus está também no homem. Por isso Jesus nos disse como ainda o faz em suas contínuas mensagens que também éramos (como somos) dotados dessa divinidade e não diferentes dele. No plano em que se encontra, o espírito elevado do Mestre se identifica como nosso irmão mais velho.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA
[email protected]. Outros artigos do autor:
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