Empreender: inovação & competitividade

Beto Mansur
  Em tempos de neoliberalismo e de intensa velocidade e eficácia na tomada de decisões, o saber e a inovação determinam o padrão competitivo, tanto de micro empresas quanto até mesmo de países.
  O poder de produção das empresas com base no uso do saber é, sem dúvida, essencial na busca da ‘‘pole position’’ da corrida para a competitividade. Por isso, os procedimentos ligados à inovação estão sintonizados com todos os setores da empresa – e isso é claramente observado pela ascensão das atividades de Pesquisa e Desenvolvimento nas unidades que respondem pelos novos produtos e serviços, pelo marketing e pela comercialização de tais inovações.
  Porém, para que as inovações sejam, meticulosamente, bem-sucedidas, não basta que pessoas criativas façam esboços de novos produtos e serviços, os quais serão, obviamente, apresentados ao mercado por procedimentos e por instrumentos de divulgação.
  Nesse contexto de inovar para competitividade, existe o ‘‘sistema-produto’’ que é o precioso Planejamento Estratégico, ou seja, da prática da idealização ao desenvolvimento e materialização do projeto inovador. Daí é que entra em funcionamento o organizado projeto da inovação, pela criação, com objetivos estratégicos e que seja sustentado por procedimentos sintonizados pelos setores de elaboração, precificação, marketing, distribuição, vendas etc.
  Mas o sucesso de uma inovação não deve ser determinado por sorte ou por dedicação dos indivíduos envolvidos no processo. Quando uma empresa busca diferenciação pela inovação, ela precisa ter consciência sistemática da tendência do momento.
  Atualmente, as indústrias mais atingidas pela necessidade de inovação são as de petroquímica, farmacêutica e biotecnologia (no México, no Brasil e na Argentina). A combinação desses três segmentos resultará em oportunidades para novos produtos HI-TEC. Contudo, isto irá trazer impactos para as oportunidades de trabalho, devido à modernização dos processos, podendo mudar a percepção da geração de valor dos profissionais.
  Contudo, de maneira ampla, as empresas deverão implantar sistemas que incentivem a produtividade, pelas inovações, com orientação para resultados com criatividade e eficácia. Assim, o empreendedorismo será praticado e a possibilidade de as empresas conquistarem longevidade junto ao mercado poderá ser de bom grado.
BETO MANSUR é advogado e pós-graduando em Empreendedorismo


Representantes!

Manuel Joaquim Rodrigues dos Santos
  Numa incrível e lastimável inversão de funções, típica de republiqueta subdesenvolvida, os nossos deputados e senadores aumentaram o próprio salário! Na verdade dobraram-no! Eles, representantes do povo, se representaram com (in) dignidade e simplesmente, num acordo de cavalheiros, tiveram seu contracheque recheado.
  Impávidos e não serenos assistimos a mais uma aberração. O aumento do salário mínimo, esse continua entravado por conta do estouro da previdência e outros argumentos mais! Como até bem lembrou o presidente da Câmara, o comunista Aldo Rebelo, eles (sic) também pensam no povo, a prova disso é que estão ‘‘mexendo no salário mínimo’’! Mas não podem ‘‘mexer’’ muito se não mais uma vez põem em risco o equilíbrio orçamentário! Os ilustres representantes da nação, sentados confortavelmente numa cadeira, quiçá tomando um cafezinho, adiaram um pouco a indigesta discussão sobre o mínimo nacional e afoitamente elevaram os seus vencimentos.
  Não fosse tão trágico para a credibilidade de nossa frágil democracia, seria cômico! O presidente emocionado e chorando na sua diplomação, ‘‘não sabia de nada’’, ainda! E enquanto isso, a tal da reforma política e tributária, imprescindíveis para o nosso país, continuam engavetadas! E a pizza que se serviu nos julgamentos mensalistas tem nome também: corporativismo! O mesmo que eleva salários, que adia votações importantes, que negocia cargos e emendas do orçamento...
  Elevar os próprios salários é uma operação que sempre vai apelar para a imoralidade. Fazê-lo num país com tantas discrepâncias e desigualdades sociais, é bem pior! Mas tendo como protagonista um Congresso, que em 2006 viveu seu inferno astral, expondo suas vísceras fétidas aos quatro ventos, e boiando em CPIs várias que a nada ou quase nada levaram, é imoral, ilegítimo e aberrante! Ofende nosso bom senso! Trepida em cima de nossas (ainda) esperanças num Brasil diferente.
  Com a cascata que virá agora de outros aumentos previstos até ao menor município brasileiro, pode-se calcular os prejuízos dessa atitude inconseqüente de nossos ilustres deputados que, eleitos para representarem os nossos legítimos interesses, viraram na verdade representantes deles mesmos!
  Concluo reconhecendo que se mostrassem serviço e idoneidade também, o povo lhes daria o privilégio da dúvida da má remuneração, pois não há dinheiro que pague o bem que se faz a uma nação e principalmente às gentes mais simples. Os brasileiros na sua generosidade reconheceriam a incompatibilidade dos ‘‘maus salários’’ com a grandeza da nobre missão! Contudo, o contrário também é verdadeiro! Ofende-se essa mesma gente ao se buscar um vencimento estratosférico para a maioria que trabalha (ou deseja trabalhar) e recebe o mínimo! Que eles relutam em aumentar...
MANUEL JOAQUIM RODRIGUES DOS SANTOS, é padre na Arquidiocese de Londrina


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