Educação e políticas públicas

José Mario Angeli
  A primeira Conferência Nacional de Educação Profissional e Tecnológica, no momento que colocou a educação profissional e tecnológica como estratégia para o desenvolvimento e a inclusão social, tinha como preocupação entendê-la como políticas públicas. Algumas questões aqui são colocadas: o que são políticas públicas? O que se deve entender quando se fala em educação profissional e tecnológica e uma política pública para a integração desta modalidade com a escola média? Qual é a relação entre políticas públicas e educação profissional e tecnológica?
  As políticas públicas são o resultado de um processo de tomada de decisão que tem o Estado, enquanto conjunto de instituições e leis como ator central. A sua elaboração envolve três momentos: a formulação, implementação e avaliação. E, para que elas sejam democráticas é indispensável que os diversos atores sociais, como os movimentos sociais e as instituições de ensino - escolas públicas, privadas, o sistema s (senai, senac, sesi etc...) e demais entidades que trabalham com formação profissional participem desse processo de formulação.
  Entendida a educação profissional e tecnológica, como um bem público, cuja promoção resulta de políticas públicas financiadas com recursos públicos, deve ter como função suprir as necessidades da população. Ela deve-se voltar para atender à dimensão do desenvolvimento humano e aos interesses coletivos, garantindo de maneira sustentável, uma melhor qualidade de vida tanto presente como futura. Essa conceituação vai na direção oposta da ‘‘educação profissional tecnológica convencional’’, que tem resultado da ‘‘política’’ de educação profissional tecnológica, executada pelas instituições de caráter privado cuja concessão é garantida pelo setor público.
  A relação entre políticas públicas associadas à questão da educação profissional tecnológica está mediada por dois tipos de políticas e que conseqüentemente estão fortemente imbricados: as políticas de inclusão social e as de ciência e de tecnologia.
  É preciso recompor a ‘‘educação profissional tecnológica convencional’’ na perspectiva sócio-histórica do processo científico e tecnológico. Estabelecer como ‘‘conditio sine qua non’’, a unidade entre a escola média e a educação profissional e tecnológica cujo processo de formação é de longa e natural duração. Buscar uma unidade entre os vários atores envolvidos da educação profissional e tecnológica sem a preocupação de adestrar os trabalhadores ao sistema produtivo capitalista, até porque a sua essência é a da ‘‘inclusão exclusiva’’ ou mesmo da ‘‘inclusão subordinada’’. Isto requer uma formação básica do trabalhador de qualidade, antes mesmo de desenvolver as competências para o mercado.
JOSÉ MARIO ANGELI é professor do departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Londrina


Tempo - um vazio a ser preenchido

Abraham Shapiro
  ‘‘Que horas são?’’ Até uma criança responderá com segurança. ‘‘O que é o tempo?’’ Um adulto culto terá dificuldade com esta pergunta.
  Para um astrônomo, tempo é a medida das revoluções dos corpos celestes. O tempo não nos parece circular. Ele é linear, na nossa percepção. A Terra gira, hoje, como girou ontem. E sempre será assim. Nada há de novo neste movimento que determina a medida de vinte e quatro horas de cada dia. O que vivemos, ao contrário, faz-nos sentir que cada dia é diferente dos demais.
  Se você tivesse que optar entre perder cinco minutos ou cinco reais, talvez escolhesse perder cinco minutos. O que muitos dizem é que em cinco minutos não se faz quase nada. Dinheiro é difícil de ganhar. Mas dinheiro perdido pode ser recuperado; até com lucro. O tempo, em contrapartida, jamais volta. Há uma experiência curiosa sobre a percepção humana. Submetidas à total escuridão, a maioria das pessoas conserva a noção de espaço. Mas mesmo com luzes acesas, poucas horas em uma sala fechada bastam para que elas não consigam estimar quanto tempo se passou. É provável que estas pessoas subestimem ou superestimem grosseiramente o tempo que passaram neste ambiente. Talvez seja por uma noção defeituosa do fluxo e do valor do tempo, que estejamos sempre dispostos a trocá-lo por dinheiro e nunca a investi-lo na fortificação de nossos valores e conceitos.
  Muitas pessoas chegam a seus últimos anos de vida cheias de amargura. Olham para trás e contemplam o passado com sentimento de culpa por não terem feito bom uso do tempo. Danificam a velhice com tristeza pelo tempo perdido. O paradoxo está no fato de que o tempo é a nossa única possibilidade de renovação. Viemos a este mundo para aproveitar o potencial de renovação do tempo como uma conta bancária cujo capital deve ser investido. Nossa vida se renova todos os dias; a cada manhã somos uma pessoa nova, com novas chances potenciais. O principal benefício disso é que, agora, podemos contar com as experiências que já acumulamos e com tudo o que foi aprendido.
  Por isso, é possível esquecer as derrotas e as perdas; recontextualizar todos os planos; apagar da lembrança tudo o que deu errado. Trocar o que poderia ser ruim pela lembrança das boas experiências e do aprendizado que juntamos em nosso acervo pessoal.
  Se mudarmos nossa relação com o tempo, mudaremos também nossa relação com a vida. Entender o que é o tempo e como usá-lo é um meio de aperfeiçoamento. É a forma mais eficaz de penetrarmos a razão de nossa existência neste mundo. Mas isto só é possível quando a percepção do tempo deixa de ser quantitativa e o vemos como um ‘‘vazio’’ a ser preenchido com um conteúdo.
ABRAHAM SHAPIRO é consultor, atua em Desenvolvimento de Liderança, Psicologia de Vendas, Fortalecimento de Equipe e Superação de Conflitos


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