Internacionalização da Amazônia

Nelio Roberto dos Reis
  Os jornais do País publicaram a reportagem ‘‘Governo inglês divulga plano para privatizar a Amazônia’’ que questionava a soberania brasileira para aquela floresta. Al Gore, Mikahail Gorbachov, François Mitterrand, Henry Kissinger e agora Tony Blair, defendendo a internacionalização da nossa Amazônia. Em meio a essa barbárie política internacional transcrevo aqui a sugestão de um brasileiro de 84 anos, o professor Warwick Estevam Kerr, sobre como proteger a Amazônia de três diferentes formas.
  1) ‘‘Usando estratégias militares. Em 1940 a Alemanha para invadir a França, poderia simplesmente atravessar a Suíça, mas preferiu dar a volta e atacar passando pela Holanda. Isto porque a Suíça desde o século 16 é um poder militar: o exército destina-se a preservar a independência do país. Todos os homens dos 20 aos 50 anos de idade são convocados e submetidos a treinamento militar e há um perfeito conhecimento em como defender a Suíça. Os suíços são os únicos soldados cujo equipamento é mantido em suas próprias residências. E sempre tão preparados a ponto do poderoso exército alemão evitá-los. Isso poderia ser feito na Amazônia. O exército tem que estar presente em cada vila ou cidadezinha como na Suíça e todos os lugares da Amazônia teriam soldados com a idade de 20 a 50 anos, treinados. É preciso apostar no alto grau de civilidade e patriotismo que o pessoal do interior da Amazônia tem. Parodiando Aécio Neves: ‘Quanto mais concentrado for o poder de uma nação, mais vulnerável ela se torna’.
2) Alto grau de conhecimento. Colocar uma ótima escola primária, secundária e técnica em cada vila de toda a Amazônia tendo professores com salários dignos. Inicialmente com emigração de professores e técnicos financiados pelos 3 governos (federal, estadual e municipal) até termos excesso. Lembrar, por exemplo, que os Estados Unidos fizeram isso e venceram a II Grande Guerra.
3) Verba. O Governo Federal destinará uma verba inicial 10 vezes maior que a atual. As universidades manterão campi avançados, geograficamente bem distribuídos, em Engenharia Elétrica, Medicina, Veterinária, Informática, Matemática, Engenharia Mecânica, Civil, Náutica, Geografia e Biologia, assim como cursos do Sebrae para atender vocações locais. Os campi deverão ter doutores, mestres e especialistas com dedicação exclusiva e com residência e títulos eleitorais no local. Com isso a ciência, a tecnologia, o patriotismo, o orgulho à defesa da Amazônia farão parte da cultura local e o progresso virá e teremos orgulho dos produtos dali’’.
  Eu, pessoalmente trabalhei com o dr. Kerr durante seis anos na Amazônia e aprendi que ‘‘um cientista vale mais do que dez monges’’.
NELIO ROBERTO DOS REIS é doutor em Ciências pelo Inpa e professor da Universidade Estadual de Londrina


Entraves ao Brasil

Mário Luís Orsi
  O bom trabalho de jornalismo em Londrina ainda nos fornece informações excelentes, e com isso podemos ainda perceber que a situação política do Brasil ainda pode nos surpreender. A reportagem de política da FOLHA DE LONDRINA, do último domingo, dia 3, nos expõe plenamente sobre as eminentes mudanças nos ministérios que serão efetuadas pelo presidente reeleito. Concordando com a manchete, mais uma vez, o nosso digníssimo presidente surpreende. Em suas mudanças futuras, considera as questões ambientais como entraves ao país, inclusive fala isso em público, incluindo os índios, ambientalistas e outros como responsáveis pelo país não se desenvolver.
  No modo operante desse governo, que se assemelha a um trator ou rolo-compressor, pretendem trocar a ministra do Meio Ambiente por um lobo. Não estranhem a palavra, isso mesmo, um lobo que irá cuidar das ovelhas, digo a pasta do Ministério de Meio Ambiente, pois trata-se do diretor da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
  Nos países da comunidade européia, e em alguns da Ásia, Oceania e até da África, os entraves ditos ambientais são tratados como processos naturais ao desenvolvimento de seus países, e resolvidos no mínimo dentro de questões técnicas, com inteligência e bom senso. Não desconsideram o desenvolvimento, mas sabem que deve ser sustentável.
  Por um momento, achei que 60% de eleitores que reelegeram esse governo tinham talvez acertado. Mas, infelizmente, esse momento foi breve, pois prevaleceu (inclusive no Paraná) o que já sabíamos: a falta de competência, seriedade, bom senso e honestidade com o eleitor ou cidadão.
  Creio que (na questão ambiental e social) vamos passar por um dos períodos mais sombrios do Brasil: o presidente Lula, sua Casa Civil e demais ministros que estão por vir, mostrarão suas faces ocultas, agindo como na inquisição, em que sábios, oposição e pessoas pensantes serão massacrados. A não ser que os milhões de iludidos (eleitores) acordem e se mobilizem por um Brasil realmente maduro e progressista. Bem, pelo menos já sabemos quem são os entraves do Brasil, a exemplo da época da ditadura.
  A mudança é possível, mas não basta somente um impeachment. Temos de dedetizar as instituições com essas pragas recorrentes, mas para efetivação disso, somente a educação resolve. Por que não pensar nisso? Talvez, amanhã seja tarde demais, principalmente quando se trata de meio ambiente.
MÁRIO LUÍS ORSI é biólogo na Universidade Estadual de Londrina e professor na Unifil


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