ESPAÇO ABERTO
Decálogo do Natal cristão
Dom Orlando Brandes
1. O primeiro mandamento é não fazer do Natal cristão apenas um feriadão. Neste Natal, Deus quer aninhar-se em nossos corações, este é o melhor presépio. É hora de arrumar a casa interior.
2. O segundo mandamento é acolher o Menino-Deus. Neste Natal acolhamos com carinho e respeito as crianças e falemos de Deus para elas.
3. O terceiro mandamento é não dar armas de brinquedo como presente de Natal. Jesus é o príncipe da paz. Natal é festa da paz e da
inocência.
4. O quarto mandamento do Natal cristão consiste em cuidar não só da luz das casas, das ruas, lojas, coisa apreciada pelo comércio, mas da luz da fé. Jesus é o sol de nossas vidas. Iluminados pela luz de Cristo, sejamos astros e luzeiros da verdade e do amor.
5. O quinto mandamento é correr menos e escutar mais. Natal requer silêncio. É preciso parar. Em nossas correrias há muito engano, ambição e futuras desilusões.
6. O sexto mandamento é ter todo cuidado no trânsito, jamais dirigir alcoolizado, enfim, Natal é a festa da vida. Por isso mesmo, este tempo nos torna sensíveis às necessidades dos pobres, excluídos, descartados. Vamos celebrar a vida.
7. O sétimo mandamento é o perdão. Natal é celebração do perdão. Recuperemos, neste Natal, nossa igualdade de dignidade para sermos irmãos uns dos outros, através do perdão e da reconciliação.
8. O oitavo mandamento consiste em exercer a hospitalidade. Chegam as visitas, os turistas, os mendigos, os pobres. Mais ainda, Deus vem. É preciso abrir as portas, acolher, receber com amor e dedicação.
9. O nono mandamento pede sobriedade nos enfeites, luzes, compras, presentes. Demos a Deus o presente de nossos pecados e façamos o presente de nossa presença em casa, na Igreja, nos hospitais e presídios. Adornemos nosso coração com o enfeite das virtudes.
10. O décimo mandamento é amar os pobres. Procuremos perceber que Jesus se esconde na carne dos pobres, trabalhadores, doentes, pecadores. No seu gesto de amor, a pessoa amada recebe o amor de Deus. Feliz Natal!
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina
De volta ao futuro
Antonio Delfim Netto
Há toda uma série de malefícios derivados da emenda constitucional que permite a reeleição do presidente da República, de governadores e prefeitos. Desde que ela foi aprovada no Congresso, tenho sido uma voz isolada tentando alertar para as distorções que ela trouxe de volta ao processo político. A mais evidente dessas mazelas é a construção (ou reconstrução) das oligarquias municipais e estaduais que estão se processando com uma velocidade extraordinária e que, logo se verá, não serão desalojadas apenas com o recurso ao voto. Isso é o início de uma tragédia anunciada, mais uma, cuja gênese ficamos devendo à governança tucana que molestou o país entre 1994 e 2002.
Hoje, após a segunda rodada de eleições sob esse regime, talvez só uma coisa boa se possa extrair desse sistema, em se tratando da Presidência: não podendo disputar uma terceira vez, o presidente reeleito recebe uma espécie de alforria para concentrar todas suas atenções no cumprimento do mandato que recebeu do povo. No caso do presidente Lula, é liminarmente transparente que o mandato que recebeu de seu eleitor se resume praticamente ao seguinte: queremos o crescimento e nossos empregos de volta. Foi a única proposta que ele passou ao eleitorado. De seu cumprimento ele não pode se esquivar, se pretende que seu nome figure no rol dos verdadeiros estadistas da República e não apenas em mais uma listagem de títulos honoris causa pelo mundo afora.
Significa que seu governo não pode se conformar com um 2007 parecido com este ano de 2006 que começou com a estimativa oficial de crescimento de 4% do PIB para uma meta de inflação de 4,5% e deve terminar de uma forma curiosíssima: taxa de inflação de 3,2% ou 3,3% e PIB crescendo algo como 2.7% ou 2.8%. O governo acreditou que o Copom tinha elementos consistentes para as estimativas que produzia e ignorou os avisos que o Banco Central estava com a mão desnecessariamente pesada na política monetária. Não percebeu que estava trocando quase 2% de crescimento do PIB e dos correspondentes empregos por um pequeno ganho na inflação. Em que 2007 pode ser diferente de 2006?
Em primeiro lugar pelo fato que o governo se convenceu que tem que estabelecer um teto para suas despesas de custeio e só corrigi-las pela inflação nos próximos 4 anos, exigindo ao mesmo tempo um aumento de produtividade de 1.5% ao ano na prestação dos serviços à população. Em segundo lugar pela disposição que o presidente Lula demonstra de mobilizar a sociedade para o desenvolvimento. A indústria já dá os sinais de alguma recuperação, com o forte crescimento das vendas no setor automobilístico. E o setor agrícola começa a levantar a cabeça, depois de dois anos de fracos resultados. O crescimento é um estado de espírito com condições objetivas.
Esperemos que o governo restabeleça essas condições necessárias para o crescimento que são dar isonomia ao nosso setor privado: taxa de juro um pouco mais baixa, taxa de câmbio no lugar certo, entusiasmo e crédito, como tem feito ultimamente e principalmente controle as suas despesas de custeio e use recursos para aumentar os investimentos públicos.
ANTONIO DELFIM NETTO é deputado federal pelo PMDB-SP
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