Calçadas ruins: basta vontade política

Angelo Luiz Orcelli
  Nossos gestores (prefeitos, vereadores, deputados, etc.) focados na próxima eleição, ou na Lei de Responsabilidade Fiscal ou pior em assuntos de seus interesses deixam de perceber problemas que afetam de maneira direta o dia a dia do munícipe.
  Sempre achei o pedestre da minha cidade muito mal educado, me questionava e não me conformava porque eles andavam pelo meio das ruas e não pelas calçadas, colocando em risco a própria vida e a de outros.
  Procurava propagar a idéia da conscientização da responsabilidade do pedestre com a sua segurança e com a necessidade de que ele também obedecesse às leis de trânsito. A resposta que eu encontrava das autoridades constituídas era que seria impossível educar o povo, fazer com que ele transitasse com segurança pelas calçadas de nossa cidade. Nunca me conformei com esse tipo de resposta, pois acredito na inteligência e na sabedoria do povo.
  Até que há alguns meses, durante uma palestra em uma escola, descobri por que é que as pessoas não andam pela calçada e sim pelo meio da rua na minha querida Cambé. Quando um garoto de aproximadamente 12 anos me perguntou: ‘‘O senhor sabe por que nós não andamos pelas calçadas?’’ Por falta de orientação, rebeldia ou costume respondi ao garoto. ‘‘Errado!’’, disse ele. ‘‘Nós gostaríamos de andar nas calçadas, só que muitas vezes a calçada não existe, outras vezes está cheia de entulhos ou quebrada pelas raízes das árvores’’, esclareceu ele.
  Imediatamente passei a observar e realmente nossas calçadas são intransitáveis. Existem algumas que parecem uma escada: o morador faz um degrau ao final do seu lote, outros plantam flores. Outro dia vi uma pessoa de cadeira de rodas andando pelo meio da rua e imediatamente olhei a calçada, realmente seria impossível andar por ela.
  Sei que a responsabilidade da construção das calçadas é do munícipe, mas a normatização, a fiscalização, a preocupação com a segurança do cidadão são responsabilidades dos poderes constituídos.
ANGELO LUIZ ORCELLI é empresário na área metal-mecânica e assessoria comportamental em Cambé, graduado em Administração de Empresa e consultor master practitioner em PNL



‘Conciliar é legal’

Wanda Santi Cardoso da Silva
  Com esse slogan - ‘‘Conciliar é legal’’ - o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou no último dia 23 de agosto o ‘‘Movimento pela Conciliação’’. Apesar da conciliação fazer parte da cultura institucional da Justiça do Trabalho, esse movimento fortalece o instituto da conciliação, bem como propicia a sua disseminação e aprimoramento.
  Não se trata de simples solução paliativa para os problemas decorrentes do expressivo número de processos que abarrotam o Judiciário brasileiro. O incremento da conciliação poderá provocar mudanças culturais e sociais, permitindo a formação de cidadãos cônscios da viabilidade, eficiência e celeridade da adoção de formas consensuais de solução de seus conflitos.
  Ressalte-se a amplitude da conciliação. A sentença, imposta pelo Estado-juiz, soluciona a lide, mas nem sempre finda o conflito que lhe deu origem. Na conciliação, que decorre da vontade das partes, temos um resultado mais amplo e satisfatório: o fim do conflito de interesses e, por conseqüência, a pacificação social.
  ‘‘A Justiça de Conciliação favorece o processo de paz social ao fomentar a cultura do diálogo e tornar a Justiça mais efetiva e ágil, com a redução do número de conflitos litigiosos e do tempo para a análise dos processos judiciais’’, como bem destacou o Conselho Nacional de Justiça.
  Para participar e fortalecer esse movimento nacional, o Tribunal Regional do Trabalho está mobilizando seus recursos humanos e materiais. Os juízes das Varas do Trabalho estão possibilitando aos advogados que militam no fórum trabalhista a realização de audiências conciliatórias para este dia 8 de dezembro, Dia Nacional da Conciliação.
  No segundo grau optou-se por uma estratégia diferenciada. O TRT realizará, no Dia Nacional da Conciliação, painéis voltados à difusão e ao fortalecimento do instituto da conciliação. Deixaremos de ‘‘colher imediatamente alguns frutos’’, através de conciliações em processos que estejam tramitando no Tribunal, para ‘‘preparar o campo para o plantio e colheita’’, através da sensibilização da sociedade, especialmente de seus segmentos organizados, quanto à importância da conciliação nas lides trabalhistas.
  Participarão dos painéis e debates juízes e procuradores do Trabalho, procuradora-geral e corregedor-geral de Contas do Estado do Paraná, advogados, representantes de entidades sindicais e dos municípios.
WANDA SANTI CARDOSO DA SILVA é presidente do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná em Curitiba


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