Aids e desordem amorosa

Dom Orlando Brandes
  Dia 1º de dezembro é o dia da luta contra a Aids e a discriminação dos soropositivos. A data nos leva a refletir sobre a sexualidade humana.
  Amar é mais que fazer amor e a carne não basta para responder a infinita fome e sede de amor do ser humano. Educação sexual é educação para o amor e não apenas repasse de informações biológicas e recomendação de preservativos para o sexo seguro. Precisamos, sim, de sexo seguro, mas também de sexo ético. Ninguém duvida que o abraço sexual é também encontro de almas, de corações, de sentimentos, de esperanças, de projetos. Hoje o sexo tornou-se onipotente, onipresente e onisciente. Foi endeusado, pior, erigido em ídolo cujas catedrais são os motéis. Vivemos em tempos de ‘‘prazer obrigatório’’. A lei é aproveitar ao máximo e levar vantagem. O prazer virou um imperativo, uma obrigação e até uma sobrecarga. A virilidade está sobrecarregada. Não podemos dar a tudo isso o nome de amor.
  Para um relacionamento amoroso não basta a capacidade física, requer-se a maturidade psicológica e ética. Sem esta segurança, as paixões, as ilusões, os ciúmes, o apego, a dependência, etc., provocam a desordem amorosa. Os golpes e desgastes na vida amorosa e sentimental acabam em decepção e até depressão. Somos pressionados a satisfazer todos os desejos. Isso tem um grande preço, custa caro porque nos tornamos escravos de esquemas impostos pela sociedade que quer lucrar às custas do prazer. Sexo dá lucro para alguns e desgraça para muitos. Sofremos outro tipo de pressão e controle sexual: a obrigação do prazer sexual.
  Não estamos propondo aqui o moralismo negativista, nem o recalque afetivo. O que interessa mesmo é saber que ‘‘não morremos por falta de sexo, mas por falta de afeto’’ (F. Kahn). Portanto, precisamos de carinho, reconhecimento, colo, atenção, valorização. A ética da ternura livrar-nos-á da exasperação sexual. Nem tabu, nem libertinagem, mas ‘‘simpatia sexual’’ que é o sexo ordenado pelo amor e não pela paixão.
  Reabilitando o valor humanizante da castidade e o princípio da inocência, não estaremos recalcando a sexualidade, mas sublimando-a. Nem moralismo, nem erotismo fazem bem, mas a humanização da sexualidade redimida pelo amor. Ser amado, receber carinho e reconhecimento, ter valores, observar limites e unir-se a Deus são remédios que ordenam a sexualidade. O uso de preservativos não é suficiente. Precisamos também da preservação que é o autodomínio, a castidade, a fidelidade.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina


Legitimidade das organizações

Marlene Marchiori
  Estamos no século XXI e Relações Públicas realmente evoluiu. Se olharmos para o passado, quem já não ouviu falar de expressões como ‘‘o bom falante’’, ‘‘o vendedor’’? Definitivamente conquistamos um novo status no meio empresarial: o de construir a identidade e a reputação organizacional por meio da gestão de uma rede de relacionamentos com os públicos. Ao comemorarmos o Dia Nacional das Relações Públicas hoje compartilhamos alguns pensamentos.
  Nesta nova sociedade, onde o moderno e o pós-moderno convivem simultaneamente, a informação e a comunicação devem ser pensadas em profundidade, examinando o caminho pelo qual a organização produz a comunicação ou a comunicação produz a organização. É intrigante sabermos que o sucesso de uma empresa depende de quanto ela é identificada, respeitada, conhecida e valorizada pelos públicos: funcionários, clientes, imprensa, fornecedores, comunidade, governo, acionista e outros.
  A palavra de ordem: deter o conhecimento para contextualizar uma empresa e seus stakeholders (públicos prioritários) com a realidade em transformação. Relações Públicas Corporativas são uma necessidade pois, ao construírem uma rede de relacionamentos, geram significado para as atitudes da organização, o que contribui para a determinação de sua credibilidade e reconhecimento na sociedade. Tudo depende de uma atitude conjunta, integrada.
  Conquistar legitimidade, ser uma organização que pensa, que planeja, que faz, que se compromete, que mensura e avalia, enfim uma organização que ouve seus públicos, que traduz suas necessidades e que por meio de suas atitudes, torna-se autêntica desenvolvendo o fortalecimento de sua identidade - quem somos e sua imagem - como somos vistos. Parece-nos que a legitimidade será um dos aspectos principais para a sustentabilidade das organizações nesta nova economia e que trará, não somente o fortalecimento estratégico da atividade de Relações Públicas nas organizações, mas também sua dependência.
MARLENE MARCHIORI é consultora e professora da Universidade Estadual de Londrina


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