ESPAÇO ABERTO
Raça não tem preço
Márcio Américo Alves
Há anos tenho ouvido a mesma cantilena em relação ao nosso outrora glorioso Londrina Esporte Clube: falta dinheiro. Pelas ondas das rádios ouço vozes renitentes afirmando que a culpa pelo ostracismo de nossa esquadra se deve à falta de patrocínio. Será?
O futebol é um dos poucos esportes onde o investimento, embora importante, não é condição sine qua non. Uma grande seleção de craques milionários não tem a garantia de sair de um torneio como campeã.
Na mais recente Copa do Mundo na Alemanha, a seleção brasileira, um time que em 2005, somando os contratos de patrocínio, cotas de amistosos e vendas de direitos de transmissão para TV aberta, arrecadou R$ 83 milhões, saiu de lá de mãos abanando. Em contrapartida, países do continente africano, embora paupérrimos, têm se destacado cada vez mais. O Brasil perdeu as três últimas partidas que jogou contra seleções africanas em Olimpíadas: em Atlanta (1996) perdeu da Nigéria; na Austrália (2000) perdeu da África do Sul e de Camarões.
Se fizermos uma análise comparativa de salários e desempenho, chegaremos à conclusão que um independe do outro. Para se ter uma idéia, os jogadores da seleção brasileira campeã da Copa de 1994 ganhavam, na época, salários muito maiores que os jogadores da também campeã seleção de 1958. Romário ganhava aproximadamente US$ 1 milhão/mês, já Pelé ganhava US$ 61 mil. Bebeto ganhava US$ 570 mil, enquanto Garrincha US$ 56 mil.
O próprio Londrina, em sua melhor fase em 1977, quando ficou em 4º lugar no Campeonato Nacional, não tinha uma grande empresa patrocinadora.
O Londrina parece querer mergulhar na lógica quantitativa em detrimento da qualitativa. Se o Londrina quer realmente entrar no mercado do futebol, atrair bons anunciantes, fechar polpudos contratos com rádios locais, precisa antes mostrar trabalho. Nenhuma empresa quer associar seu nome a perdedores.
Então, o que falta? Falta garra, comprometimento dos atletas, audácia. Falta parar de encarar o Londrina como um mero trampolim para times maiores. Nenhum investimento poderá comprar raça. Raça não tem preço.
MÁRCIO AMÉRICO ALVES é escritor em Londrina e autor do livro Meninos de Kichute
Quem aplaude riqueza a atrai
Walmor Macarini
As pessoas com base no que se ouve da maioria proclamam como primeiras palavras que Fulano está ficando rico, diante do êxito de seus negócios. Alguns manifestam uma mal disfarçada contrariedade. E não faltam os que perguntam Por que ele precisa de tanto dinheiro. São raríssimos os que dizem Quanta gente está sendo beneficiada por essa empresa, em forma de empregos e dinamização dos negócios e da economia. Pensam no lucro individual do dono e não no benefício coletivo que uma empresa de êxito proporciona.
Por assim pensar é que existem muitos pobres, cujos negócios custam a ir para frente e os próprios ganhos são baixos. Casos existem de empresas que pagam mal e exploram trabalhadores, mas há que olhar, no geral, para quantos são beneficiados pela maioria dessas fontes geradoras de trabalho e de riqueza. Quando se pensa positivamente e se deseja que uma pessoa ou empreendimento andem bem, semeia-se uma corrente de positivismo e o resultado é o robustecimento do sucesso inclusive para quem exalta.
Um dos segredos da prosperidade é louvar o sucesso próprio e dos outros. Quem maldiz o êxito alheio não prospera, porque chafurda nessa corrente de negativismo e não consegue livrar-se dela. Há pessoas que se comprazem com o infortúnio dos negócios dos outros, porque esta é uma forma de justificar os próprios fracassos. Muitos já ouviram ironias como esta, diante de uma degringolada do outro: Mas fulano não era o bom?
Quando vemos uma empresa prosperando devemos nos rejubilar por isto, porque ela está empregando mão-de-obra e pagando salário, recolhendo imposto, fazendo giro de dinheiro, e isto resulta bom para todos. As vibrações de negativismo e de inveja sobre os outros são como ácido corrosivo, com grande poder destruidor. São ondas vibracionais ruins, que vão e retornam, atingindo com a mesma intensidade também quem as propaga.
O lucro que advém das pessoas que prosperam não é apenas do titular do negócio mas de um exército de pessoas, não só as diretamente agregadas mas todos os cidadãos. Porque, dos sucessos óbvio que falamos dos negócios limpos e honestos todos de alguma forma auferem. Temos sempre que aplaudir os vencedores, quando tal não ocorre por competição destrutiva, e não com manifestação às vezes falsa e oportunista mas partindo do sentimento. Este é uma exercício que precisa ser praticado, para ir afastando tentações de inveja, que às vezes nos chegam sorrateiras e nem percebidas. Quem aplaude a riqueza nos outros também a atrai para si.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA
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