Dia do Técnico em Segurança do Trabalho
Tito Valle

''Quando tudo vai bem, ninguém lembra que existe. Quando tudo vai mal, dizem que não existe. Mas quando realmente não existe, todos concordam que deveria existir''. Aprendi adágios como este, exercendo uma nobre e honrada profissão, quase sempre esquecida: Técnico em Segurança do Trabalho. Nela aprendi as primeiras lições de como funciona o trabalho, o capital, o mercado, os sindicatos, a lei, a política, a mídia, enfim como funciona o nosso país.
Aprendi, como simples ''operário em construção'', por que o tijolo vale mais que o pão. Aprendi por que o operário que constrói toda a riqueza edificada, não consegue adquirir a construção. Aprendi que o homem é mais que razão, é emoção, é vida, e vida que não seria nada, se não fosse transformação.
Como técnico em segurança andei nas lavouras de cana, respirei os vapores das fábricas, suei e troquei turno nas hidrelétricas em construção. Subi com as obras de edifícios, participei das reuniões operárias, sorri com as piadas das rádios-peão, entristeci com a morte de alguns e com acidentes de tantos outros. Aprendi o quanto é importante, saber realmente o que é dividir o pão.
Vi empresas crescerem e outras fecharem as portas. Fui testemunha de avanços e atrasos, em relação à prevenção de acidentes. Nestes quase 30 anos de normas regulamentadoras, o nosso país passou por muitas transformações (reengenharia, impeachment do Collor, desemprego estrutural, Plano Real, aumento da violência, Governo Lula, ...) . Mas nenhuma delas foi suficiente para afastar a importância do Técnico em Segurança do Trabalho para o processo produtivo e em especial para os trabalhadores.
Hoje, faço coro àqueles que reconhecem a importante atuação do TST em todos os setores da economia, evitando acidentes e doenças profissionais, e acima de tudo respeitando e amando o próximo como a si mesmo. As empresas que maquiam suas estatísticas acidentárias não sabem o quanto perdem por não investirem na prevenção dos acidentes e doenças que ainda acometem uma grande parcela dos trabalhadores. Às vezes, bastaria apenas contratar alguém da área, um TST, para estudar e propor melhorias no ambiente de trabalho, o que certamente refletiria na salubridade e consequentemente na produtividade de toda a empresa.
Oxalá, a segurança do trabalho merecesse ao menos uma pequena parcela da preocupação e investimentos destinados à publicidade. O quadro certamente seria outro, melhoraria a motivação e valorização do trabalhador, diminuiria a ameaça ao patromônio das empresas, a previdência estaria mais equilibrada, enfim o custo social seria muito menor. Parabéns a todos os técnicos em Segurança do Trabalho no seu dia.
TITO VALLE é advogado e técnico em Segurança do Trabalho em Londrina

A cabeça do dono é o sucesso do negócio
Abraham Shapiro

Quando os líderes tomam decisões, eles baseiam-se em premissas tomadas como certas. Elas podem ou não ser verdadeiras. Rui é um empresário que precisava de ajuda urgente. Sua relação com os funcionários piorava dia a dia. É difícil levar pessoas a produzirem resultados. Poucos conseguem. Mas Rui era um desastre. Ele praticava a teoria X em pleno terceiro milênio. Para quem não sabe, Douglas McGregor foi um estudioso que reuniu os pressupostos que os gerentes consideram nas suas decisões e dividiu-os em dois grupos. Daí saíram o que ele chamou de teoria X e teoria Y.
Pela teoria X, as pessoas são preguiçosas, insensíveis, evitam o trabalho, procuram o menor esforço, detestam responsabilidade e só querem ter segurança; não tomam iniciativa e têm pouca imaginação. Já pela teoria Y: as pessoas são esforçadas, têm no trabalho uma atividade tão natural e necessária como a diversão, procuram e aceitam desafios, são responsáveis, podem ser criativas e competentes.
Rui era recordista em rotatividade de mão-de-obra. Seu quadro de funcionários se renovava em 80% a cada ano. Enquanto o mundo inteiro remunera o que as pessoas fazem de bom e seus resultados positivos, ele se preocupava em punir. Seu slogam pessoal era: ''Sem castigo, eles não aprendem. E tem que ser no bolso''. O dia do pagamento era o mais triste para todos. Seu gerente tornou-se um especialista em achar desculpas e conter os ânimos da equipe. Os valores pagos não eram claros. Ninguém sabia exatamente porque recebia a cifra que lhe cabia.
Rui não era desinformado. Estava em sintonia com que há de melhor no mundo dos negócios. Pregava suas teorias para outros empresários que aparentemente o ouviam, mas riam-se e faziam chacotas por trás. Um dia, no entanto, nosso herói foi obrigado a mudar. Sua conversão aconteceu quando constatou que seus clientes estavam desaparecendo. Os funcionários se vingavam dando a eles o mesmo tratamento que recebiam do patrão. Teve fregueses que denegriam a imagem da empresa após saberem da crueldade que ali imperava. Entre o negócio arruinado ou rever seus conceitos de recursos humanos, a opção de Rui foi óbvia. Compreendeu, enfim, que não há outra saída para o sucesso de uma empresa senão cuidar do capital humano com o mesmo cuidado que o dinheiro.
Em comércio vendem-se produtos pelos benefícios e não pelas características. Docilidade e gentileza do vendedor são fatores pesam na hora dos clientes decidirem voltar à loja. Um líder insensível aos sentimentos dos colaboradores é, antes de tudo, obtuso, depois, cego. Os funcionários são os benefícios de uma empresa. Eles são a alma do atendimento. Todo negócio requer uma boa idéia, capital e pessoas. Destes três, o ser humano é o que demanda maiores cuidados e investimentos. A razão é simples. Quem tem as pessoas certas, tem tudo. Porque o resto, o dinheiro pode comprar.
ABRAHAM SHAPIRO é especialista em desenvolvimento de lideranças empresariais em Londrina

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