ESPAÇO ABERTO
A Terra precisa de cuidados
Nelio Roberto dos Reis
A Terra tem mais de 6 bilhões de habitantes. Daqui a 50 anos terá 9 bilhões. Como administrar isso? Para produzir comida e combustível para tantos não poderemos manter florestas que regulam o clima e possuem a biodiversidade que regeneram a vida, mantém a água potável e limpa a atmosfera. Conhecemos menos de 20% das espécies existentes no planeta.
Para manter a população viva, dependemos da queima de combustíveis fósseis que aquecem o planeta causando o efeito estufa e destróem formas de vida. As algas dos mares que produzem oxigênio para o mundo estão morrendo pelas altas temperaturas. Faz-se necessário saber que a Amazônia e as matas da Indonésia consomem todo o oxigênio que produzem por estarem em equilíbrio. Portanto, não são os pulmões do mundo como o propagado.
Vamos ter que plantar florestas para diminuir a temperatura e, conseqüentemente, diminuir áreas de alimentação e de produção de combustíveis orgânicos. Vamos ter que reavaliar nossa posição sobre os alimentos geneticamente modificados para aumentar a produção. Podemos correr riscos, mas é melhor do que passar fome. No Brasil, temos resistência, mas no primeiro mundo quase 50% dos alimentos já são há muitos anos geneticamente modificados.
Vamos ter que reavaliar os riscos da energia nuclear que pode ser mais limpa do que hidrelétricas ou termelétricas. Cem gramas de urânio equivalem a 200 mil quilogramas de carvão e 600 mil quilogramas de dióxido de carbono. Cá entre nós, é bem mais fácil nos livrarmos de 100 gramas de urânio. Temos que levar em conta os bons exemplos de energia nuclear da Alemanha, Inglaterra e França e nunca a mal fadada Chernobil sem manutenção devida da problemática Rússia marxista da época. O submarino nuclear Kursk também sem manutenção, matou 118 marinheiros em 2000 no Ártico. Comparando acidentes nos diferentes tipos de captação de energia, só na China em 2004 morreram mais de 4 mil trabalhadores em minas de carvão.
Se cristãos e evangélicos, judeus e muçulmanos, pretos e brancos, ricos e pobres, calçados e descalços, fazendeiros e sem-terra, metalúrgicos e empresários não resolverem suas pequenas diferenças e não se concentrarem na colaboração mútua, pensando em salvar o bem maior - a Terra - vai todo mundo sofrer o arrebatamento antecipado. O clima aumentando a cada ano, as geleiras derretendo, tsunamis chegando, desertos aumentando.
Como vai ficar a Terra com todo mundo tendo que viver nos pólos ou subir para as montanhas, fugindo das altas temperaturas devidos ao aquecimento global? Sem mudanças radicais quem permanecer nos trópicos certamente morrerá porque com as mudanças climáticas será impossível cultivar alimentos ou criar animais para abate. Lembrando que o Brasil é um país tropical, se não deixarmos as diferenças de lado e nos unirmos perderemos o nosso bem maior, o nosso habitat, a Terra e não teremos outra saída a não ser seguir o caminho dos dinossauros: a extinção.
NELIO ROBERTO DOS REIS é doutor em Ciências pelo INPA e professor da Universidade Estadual de Londrina
O que eles têm a dizer?
Carlos Eduardo Bobroff da Rocha
O passado, o presente e o futuro representados, respectivamente, por Saddam Hussein, Luiz Inácio Lula da Silva e George W. Bush. Três personagens bastante conhecidos e cujas trajetórias poderiam ser aplicadas para se compreender o destino da humanidade.
Nos primórdios da raça humana imperava a barbárie e o irracionalismo, os quais moviam o autoritarismo e a subjugação de povos. De fato, o passado tinha a cara de Saddam ou será que ainda se parece com o ex-ditador? O que se observa é que esse fantasma do passado, isto é, tudo aquilo que contribui para o homem ser igual ou até mesmo inferior aos animais, ainda persiste, independentemente do tipo de governo.
Por isso, não adianta alegrar-se com a sentença de morte de Saddam, pois tal ato, além de ser semelhante ao que ele aplicava à população xiita e curda, transmite a idéia de que justiça é feita segundo a decisão de quem está no poder (Estados Unidos). Como é possível corrigir o passado com métodos tão ultrapassados?
E o que Lula tem a ver com o presente? Talvez, pelo fato de ele estar no meio da história da humanidade: ele representa um passado cujo discurso ecoava os tempos da Revolução Francesa, ao mesmo tempo que ele simboliza o futuro incompreensível. As denúncias de corrupção em seu governo e as ações políticas semelhantes em parte ao antigo governo tucano evidenciam os desafios para se romper com um passado de injustiça, e também reforçam a necessidade de se governar de maneira possível e sensata em um mundo que tende a se globalizar e a tornar mais complexas as relações entre as nações. Resta observar como será seu segundo mandato, ou seja, o resultado em se conciliar as idéias do passado com um planeta em constante transformação.
E, finalmente, o isolado presidente dos Estados Unidos. Isolado, pois com a queda em sua popularidade e com a recente derrota para os democratas, percebe-se o que desejam os americanos para seu país: certezas. Na realidade, não apenas eles, mas o mundo também. Cansados de serem massacrados por leis antiterrorismo, por discursos de ultradireitas, e pelos níveis elevados de desemprego, bem como por outras questões como a guerra do Iraque e o efeito estufa, as pessoas começaram a dirigir suas atenções para outros temas.
É difícil dizer como será o futuro, mas pelas mudanças paulatinas na mentalidade da sociedade pode-se dizer como poderia ter sido o futuro há muito tempo e como consertá-lo.
CARLOS EDUARDO BOBROFF DA ROCHA é estudante de Medicina na Universidade Estadual de Londrina
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