Gestão e proteção dos recursos hídricos
Fábio Rogério Ortiz

Os recursos de água doce constituem um componente essencial da hidrosfera da Terra e parte indispensável de todos ecossistemas terrestres. A água é necessária em todos os aspectos da vida. Entretanto, à medida que as populações e as atividades econômicas crescem, aumentam rapidamente as condições de escassez de água doce no planeta. A mudança climática global e a poluição atmosférica também podem ter um impacto sobre os recursos de água doce e sua disponibilidade.
As demandas por água estão aumentando rapidamente, com 70/80 por cento exigidos para a irrigação, menos de 20 por cento para a indústria e apenas seis por cento para o consumo doméstico. Assim, o desafio é assegurar que se mantenha uma oferta adequada de água de boa qualidade para toda a população do planeta, ao mesmo tempo que se preservem as funções hidrológicas, biológicas e químicas dos ecossistemas, adaptando as atividades humanas aos limites da capacidade da natureza e combatendo a destruição gradual e o agravamento da poluição dos recursos hídricos.
Há poucas regiões do mundo ainda livres dos problemas de perda de fontes potenciais de água doce. Os problemas mais graves que afetam a qualidade da água de rios e lagos decorrem, em ordem variável de importância, segundo as diferentes situações de esgotos domésticos tratados de modos inadequados, controles malfeitos dos efluentes industriais, localização errônea de unidades industriais, desmatamento, agricultura migratória sem controle e práticas agrícolas deficientes.
Tudo isso dá margem à lixiviação de nutrientes e pesticidas. Sob certas circunstâncias, os ecossistemas aquáticos são também afetados por projetos de desenvolvimento de recursos hídricos para a agricultura, tais como represas, desvio de rios, instalações hidráulicas e sistemas de irrigação.
Erosão, sedimentação, desmatamento e desertificação levaram ao aumento da degradação do solo. Muitos desses problemas decorreram de um modelo de desenvolvimento ambientalmente destrutivo e da falta de consciência e educação sobre a proteção dos recursos hídricos de superfície e subterrâneos. Há falta de percepção das conexões entre desenvolvimento, manejo, uso e tratamento dos recursos hídricos. Uma abordagem preventiva é crucial para evitar medidas custosas para reabilitar, tratar e desenvolver novas fontes de água.
FÁBIO ROGÉRIO ORTIZ é mestre em Agronomia e professor em Londrina

Senhores parlamentares
Gaudêncio Torquato

O eleitor acaba de dar mais uma demonstração de maturidade. Tirou das mãos de Luiz Inácio uma vitória que se anunciava como certa no primeiro turno, para lhe garantir a maior votação da História do Brasil, numa segunda rodada, como se pretendesse com isso puxar as orelhas do candidato arrogante, auto-suficiente nas convicções e impassível diante das denúncias que envolveram seu partido e seu entorno. A ''dádiva de Deus'' que o presidente reeleito enxergou no segundo turno (banhando-se na crença de que ''Deus é brasileiro'') foi, na verdade, uma prova de que o eleitor rejeita pratos prontos do menu político e, ainda, a demonstração de que, na esfera política, a menor distância entre dois pontos nem sempre é uma reta.
Nem sempre os melhores caminhos da política são os mais curtos ou os mais fáceis. A crise que convulsionou o sistema parlamentar derivou da facilidade com que o Poder Executivo cooptou parlamentares na boca do varejão. O caminho escolhido foi a reta dos recursos ''extrafolha''. Por serem distribuídos de forma desigual entre pares, os pagamentos abriram as denúncias. Desta forma, a imagem de V. Exas. foi estraçalhada. Não pensem, porém, que sua eleição zera as contas com o povo.
Há, como se sabe, distorções no processo eleitoral. Sob a democracia, os melhores têm vez, mas calhordas também proliferam. A cada eleição, porém, é arquivada uma banda da velha política. Nos últimos tempos, pela lupa da mídia, as impurezas sobem à superfície.
Srs. parlamentares da oposição, não façam política com o fígado. O fel que jorra na ressaca da derrota turva as cabeças e não serve à democracia. A força do oposicionismo se alimenta do poder das idéias. Preparem uma agenda para a Nação. Definam um calendário para as reformas política, tributária, sindical, trabalhista e previdenciária. Conclamem a base governista para a arena de lutas, mas usando as armas do debate franco. Cobrem a apuração de denúncias, sem fazer da tribuna palco para desfile de egos. Lembrem ao presidente da República e aos integrantes do governo respeito às regras do jogo, cumprimento rígido das promessas de campanha, mais ação e menos discurso. Reciclem-se.
Srs. parlamentares da situação, não sejam cordeirinhos de presépio. Querem resgatar a imagem? Não se considerem extensões do Executivo. Não receiem defender o ideário democrático, assentado nas liberdades, nos direitos e deveres dos cidadãos. Não endossem discursos de mentes retrógradas, esses que defendem a expansão do tamanho do Estado e a mordaça na mídia. A situação não tem o direito de abocanhar o orçamento. A meta é fazer o Brasil crescer 5% do PIB em 2007? Façam o possível para isso.
E entendam o recado final das urnas. A sociedade concedeu a Lula a chance de ajustar as linhas do primeiro mandato. O que não quer dizer que tenha passado uma borracha nas manchas sobre a administração. Elegeu novos representantes. O que não significa que deixará de acompanhar a atividade de V. Exas.
GAUDÊNCIO TORQUATO é jornalista, professor da USP e consultor político em São Paulo

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