ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de novembro de 2006
- O crime perfeito <br> - Amar-se e respeitar-se mais 
O crime perfeito
Servio Borges da Silva
Não existe crime perfeito, existe crime acobertado, até mesmo por uma autoridade incompetente ou corrupta. Em meus vinte e poucos anos de Promotoria de Justiça acompanhei alguns dos casos mais escabrosos que foram parar na Justiça, seja pela denúncia das vítimas, pelos depoimentos de testemunhas oculares e até pela descoberta honesta, séria e competente da autoridade.
Em casos, como esses, ocorridos recentemente e relativos ao mensalão, aos sanguessugas, ou de dinheiro em cuecas, dossiês e outros, sabe-se que está ocorrendo, no mínimo, falha de algumas autoridades que deveriam agir com maior rigor e com muito maior empenho no sentido de descobrir os autores e toda a trilha desses enormes e hediondos delitos que tanto mal tem feito à nossa sociedade.
Não adianta falar que tal ou qual autoridade está agindo com todo o empenho e procurando encontrar os responsáveis pelos crimes, para acusá-los perante a autoridade julgadora e fazê-los responderem por esses hediondos crimes. Sabe-se, com certeza, que alguém no meio desse emaranhado, quis que as coisas ficassem confusas, trabalhou para que elas ficassem dessa forma e procurou impedir a descoberta dos crimes e seus verdadeiros autores, ou todos os autores.
Nesse infindável e até lamentável investigatório omisso, se pode observar e constatar que todos os principais líderes de nosso país já perceberam a necessidade de independência para o poder supremo do Judiciário, ou seja o Supremo Tribunal Federal. Nesse Tribunal terminam as questões principais da sociedade. Ora, mas esse não é um poder independente da República? Não, não é! Por que a sua formação não é independente. O Supremo Tribunal Federal deve ter, obrigatoriamente, outra composição, diferente daquela que hoje se pratica no Brasil.
Escolhe-se hoje o ministro do STF, pela vontade dos políticos, ou seja vai para essa Corte Suprema e importante, um ministro da escolha dos políticos. Ora, se o político escolhe o juiz, este fará, exatamente, o que o político mandar. Por isso essa composição deve mudar. Pelo menos dois terços dos ministros do STF devem ser composto por juízes de carreira e Promotores de Justiça, homens que enfrentaram um concurso público, que sabem aplicar com independência, sabedoria e altivez a lei, sem se curvar aos interesses políticos ou dos poderosos.
Algumas leis brasileiras são boas, porém mal-interpretadas, mal aplicadas e não refletem a realidade do País. O Ministério Público melhorou muito, e está ajudando a melhorar o Brasil, por que teve maior independência constitucional e liberdade para trabalhar, sem a interferência exterior, promovendo parte da Justiça que o Brasil precisa e que o povo quer.
SERVIO BORGES DA SILVA é advogado em Londrina
Amar-se e respeitar-se mais
Walmor Macarini
Certa vez escrevi que o eu deve figurar sempre em primeiro lugar. Talvez porque eu não tenha explicado melhor, muitos correram para bater na tecla de que isso era egoísmo. O que eu estava querendo dizer é que quando nos amamos antes de qualquer pessoa ou de qualquer coisa, passamos a amar melhor os outros e com mais proveitoso resultado. As pessoas têm invejas e cometem certos desatinos porque não se amam e não sabem de seu próprio valor e poder. Por isso sentem-se ofendidas.
Não temos que nos preocupar se os outros não nos respeitam; temos de respeitar a nós próprios antes de tudo e de todos. Não há ninguém mais valioso do que cada individualidade. Olhe ao redor e veja se há alguém mais importante para você cuidar senão você mesmo! Se você não cuida de seu corpo, ele adoece, e você doente é menos útil aos que estão próximos e ao mundo.
Faça aos outros tudo o que desejar mas atente primeiro para a sua própria integridade física, emocional e espiritual. Sirva-se primeiro, depois sirva os outros. Isto não contraria o sábio ensinamento de que temos de nos amar uns aos outros e dar socorro a quem necessita, mas não se pode negligenciar da própria vida. Presenteie quem você quiser, mas presenteie especialmente a você com as coisas de que você gosta e lhe fazem bem.
Divida o pão se a situação determinar, mas coma você mesmo bons pedaços. Não vá à loja apenas comprar uma coisa para você mas presentei-se com essa coisa. Diga a você mesmo, com convicção, que você merece. Saiba sempre que você é ótimo. Porque tem todos os atributos que a natureza divina lhe concedeu. Mesmo nos seus erros, lembre-se que você tem o direito de viver a sua realidade. Não lhe falta o discernimento, mesmo que adormecido, para você refletir se está interferindo prejudicialmente na realidade dos outros.
Lisonjeie seu organismo com a alimentação que lhe agrada, com a bebida que o apraz. Você tem uma responsabilidade com o seu corpo, que é uma dádiva divina. Agrade-o. Óbvio que se você tem uma pessoa com problema, deve cuidar dela, mas primeiro revista-se de seus próprios cuidados, depois dedique-se aos outros. As pessoas se amam pouco, por isso não reconhecem sua própria integralidade. Não há, pois, que se ofender com nada que lhe digam. Você não precisa ser um palerma que aceita tudo - e reaja se for preciso - mas não se moleste com nada.
Não pense que os loucos, os mendigos, os aparentemente incapazes, não estejam vivendo a realidade deles. Embeleze-se até onde desejar. Emagreça, deixe de fumar, evite as drogas e o excesso de bebida, coma bem mas não seja um glutão. Olhe-se bem. Feiúra por desleixo é uma forma de poluição e de tornar o mundo mais tristonho. Beleza e encanto não exigem dinheiro mas apenas amor próprio.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA


