Partido dos Trabalhadores?

Valter Luiz Orsi
  Nestes 25 anos o PT vem lutando para encontrar um espaço junto aos demais partidos políticos, mostrando que era diferente, que tinha em suas fileiras os dirigentes classistas e, no outro extremo de sua economia, as classes excluídas (pessoas humildes). Este mesmo partido apregoava a valorização da classe operária, o trabalho, a ética, a não-privatização e, principalmente, respeito aos trabalhadores. Houve respeito?
  O PT lutou muito na expectativa de provar aos outros partidos que ele era diferente e que daria um exemplo para o Brasil de administração, trabalho, honestidade e competência. Que diferença podemos ver hoje?
  Na corrupção provou que é igual e até melhor que os outros. É só analisarmos as capas das principais revistas e as manchetes dos jornais e o rebaixamento em quatro posições do Brasil pela Transparência Internacional.
  O Brasil e, talvez outros países, não foi recentemente administrado por um governo que ao final do seu mandato tivesse tantos ministros, churrasqueiros e secretários especiais, líderes de seu partido envolvidos em escândalos e tantas corrupções como neste governo.
  No quesito trabalho, aí já gerava uma grande dúvida, até porque sabíamos da inexperiência da maioria dos militantes do Partido dos Trabalhadores. Pegamos como exemplo o líder, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que já está no partido há 25 anos e foi somente uma vez deputado federal durante 4 anos.
  Enquanto em seu mandato o general Ernesto Geisel iniciava a Hidrelétrica de Itaipu, José Sarney escrevia livros e FHC falava 5 idiomas, Lula comprava um avião (aerolula) para viajar pelo país e mundo afora.
  Apenas se consegue competência quem trabalha muito, o que não é o caso do Governo Lula, pois essa incompetência é tão nociva quanto à corrupção nos dias de hoje. O PT deixou a desejar, acredito, pela pouca experiência de trabalho.
  Nos três últimos anos houve o ‘‘boom’’ de crescimento em todos os países, houve poucas crises, um verdadeiro mar de tranqüilidade econômica. Os países considerados com baixo desenvolvimento, porém, competentes, deram um banho de crescimento, gerando emprego e renda para o seu povo. E nós, brasileiros? Amargamos os últimos lugares.
  Faço uma sugestão para o partido do presidente: mude de nome e retire o trabalhador da sigla. Afinal, os trabalhadores brasileiros merecem respeito.
VALTER LUIZ ORSI é empresário em Londrina.


Do lado do bem

Fabíola de Fátima Munhoz Ferreira
  Os processos eleitorais que têm ocorrido em todo o mundo podem ser comparados a um cabo de guerra, com tendência a um maior número de mãos puxando o lado esquerdo da corda. No Brasil, enquanto Lula vencia tucanos eram os candidatos a parlamentares da oposição a Bush que já se preparavam para renovar o Legislativo americano pela substituição de seus falcões republicanos. Também, na Nicarágua, Daniel Ortega conseguiu colocar o Partido Sandinista da Libertação Nacional novamente no poder, mesmo com intervenção da diplomacia ianque, em disputa acirrada, cujo resultado manifestou forte preferência popular pelo pensamento esquerdista. No México, são os adeptos de Obrero que saem às ruas exigindo recontagem dos votos que suspeitamente deram vitória ao candidato de direita Calderón, apelando à violência para exigir o atendimento a reivindicações populares em Oaxaca.
  As centralizações, mais ou menos declaradas, do chavismo e do petismo, e as adaptações de governos esquerdistas, na Hungria e na Bulgária, às exigências capitalistas da União Européia demonstram, de outra parte, que as facções historicamente divergentes, cada vez mais, confudem-se em força única. Porém, confusão está longe de ser verdade, como demonstra muito bem saber a opinião pública, com a reprovação à guerra contra o Iraque, nos EUA, e o descarte do discurso demagogo e repetitivo dos alckmistas no Brasil. Ao que parece, todo povo quer a conciliação do nível de desenvolvimento econômico globalizado a que chegou o mundo com o respeito às diferentes soberanias, de modo a garantir que os direitos humanos conquistados em teoria possam sair do papel.
  Nesse contexto, são lamentáveis posturas como a do impedimento a manifestações natalinas da cultura americana no território venezuelano, bem como as trocas de favores entre partidos movida pela ambição a uma vaga poderosa no futuro ministério do governo brasileiro. A coletividade está amadurecendo e já na quer tratar a política como competição de criança. Para um governo vitorioso, não deve haver adversários, ao revés, as duas pontas da corda devem ser postas de um mesmo lado. E esse não deve ser esquerdo ou direito, mas aquele onde se acha o bem comum.
FABÍOLA DE FÁTIMA MUNHOZ FERREIRA é estudante de Direito na Universidade Estadual de Londrina


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