ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de novembro de 2006
Carlos Eduardo Bobroff da Rocha<BR>Nelio Roberto dos Reis 
Utopicamente necessário
Costuma-se classificar os idealistas como sonhadores. Tal termo, acaba sendo usado como um pejorativo, tratando tais pessoas como apenas preocupadas com seu ''mundinho''. Aqueles que sonham e lutam por um ideal recebem vários adjetivos: profetas, heróis, visionários... E a diferença entre os que ''sonham acordados'' e aqueles que ''acordam de um sonho inspirador'' se deve à prática que é colocada em ação no último caso. Ou seja, um objetivo que permita transformar a realidade segundo o projeto da realidade imaginária.
Se o sonho é, na maioria das vezes, a maneira como o indivíduo prepara suas ações futuras, então o sonho seria uma projeção de como é vista a vida pela pessoa. Parece óbvio, mas na prática é complexo. Se uma criança palestina, uma professora do Amazonas, um policial da Colômbia, um empresário da China, um padre de Gana, um político da Itália, enfim, se todos esses cidadãos sonham, por que a forma como projetam sua realidade imaginária sai muito diferente do papel?
Obviamente, em vista de que cada um cresceu, desenvolveu-se e vive de acordo com uma situação específica. E é difícil conciliar todas essas particularidades.
Isso mostra qual será o próximo desafio da humanidade: ela criou a chamada ''Aldeia Global'', mas a liderança dela ainda não é coletiva. É possível que a forma de como são conduzidos os sonhos se dê de maneira errada, afinal vive-se em um mundo globalizado, e nada mais justo que sonhar algo melhor para o futuro, tanto do indivíduo, quanto dos outros.
E isso implica um abandono de uma visão de mundo particular. Esta é a chave para evitar o declínio da humanidade. Sonhar coletivamente não permitirá o fortalecimento da dicotomia bem versus mal, da demagogia, do assistencialismo, da alienação. Isso mostra que tudo o que faz o ser humano evoluir não entrará em declínio. Inclusive o ato de sonhar.
CARLOS EDUARDO BOBROFF DA ROCHA é estudante de Medicina da Universidade Estadual de Londrina
O fim do império americano
A Coréia, que em 1950 foi invadida pelos Estados Unidos com autorização da Organização da Nações Unidas (ONU), guarda grande mágoa dos americanos e hoje tem bomba nuclear. Em 1951, a China, tentando ajudar a Coréia foi humilhada, massacrada e empurrada atrás do famoso paralelo 38. Hoje, com PIB e renda per capita três vezes maior do que o Brasil está a caminho de ser o grande império do século XXI. E como os judeus , os chineses não esquecem (haja vista o que fizeram e fazem com o Tibet, do Dalai Lama).
Mas isso ainda não é o pior: o Irã, quando governado pelo xá Reza Pahlevi, influenciado pelos americanos fez em 1963 a Revolução Branca, uma campanha modernizante, que incluía a reforma agrária, o direito de voto às mulheres, o que desagradou profundamente as elites locais, principalmente a religiosa. Isso para os iranianos é como para os jesuítas conservadores do Opus Dei virem o Edir Macedo sentar por 15 anos no trono do papa. Só que os muçulmanos não oferecem a outra face, eles, quando ofendidos na sua fé, derrubam prédios.
Isso não dá para esconder, mas os helicópteros da ONU derrubados na África poucos ficam sabendo. Para africanos, ONU e EUA são a mesma coisa. E a nação muçulmana cresce.
Hoje, o Irã realiza exercícios com mísseis de longo alcance e, sem dúvida, é a próxima nação a entrar no restrito círculo atômico. É bom lembrar que Ronald Reagan, ator obscuro foi um presidente famoso, delator de colegas no período de caça às bruxas. Em 1987, vendia armas secretamente ao Irã e deu no que deu.
O ataque ao Iraque em 2003 por uma coalizão liderada pelos EUA e os abusos na prisão de Abu Ghraib criarão marcas inesquecíveis e profundas naquele povo.
Lembrando que o império romano, que foi bem maior, caiu por motivos menores.
Alexandre, rei da Macedônia, conquistou a Grécia, derrotou a Pérsia foi Senhor da Ásia Menor, dominou a Síria, invadiu o Egito, tomou a Babilônia e ninguém nem se lembra disso.
Pela nossa vivência, sabemos que o mundo dá voltas e voltas, e o fim do império norte-americano está perto. Muitos aqui viverão para ver. Fora o fato de que o norte-americano médio não é lá muito esperto. O estado mais rico dos EUA, a Califórnia, reelegeu o Conan, o Bárbaro o ator Arnold Schwarzegger , para governá-los. Acreditem!
NELIO ROBERTO DOS REIS é doutor em Ciências pelo INPA e professor da Universidade Estadual de Londrina
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