Importância do desenho na vida da criança

Andressa Casarin, Cláudia Lopes, Gislaine Moro,Gleicy Moretto e Juliana Vieira
  Muitas vezes os adultos vêem os desenhos das crianças como simples rabiscos, não lhes dando importância nem considerando-os como uma forma de expressão. Quando as crianças começam a desenhar, elas rabiscam. Mas o que importa para elas não é a forma de seu desenho, mas a exploração do material e do espaço da folha. Elas se alegram com os movimentos de suas mãos e com a trilha que esses movimentos fazem no papel.
  No início, a criança desenha voluntariamente, não atribui significado ao desenho, não tem consciência de que seus traços podem representar algo ou alguma coisa. Por isso, devemos dar oportunidade para que a criança se expresse livremente, dando a ela materiais necessários para explorar e progredir em seu desenvolvimento, evoluindo, assim, em sua criatividade. Geralmente, por volta dos 4 anos, a criança já percebe que seus desenhos podem representar objetos do mundo. O que não quer dizer que a criança irá sempre se prender ao real ao desenhar. Nesse caso, não há uma constância, ora ela se prende ao real, ora ao imaginário, mas o desenho já apresenta uma intencionalidade até então inexistente. A criança não desenha o que vê. Ela expressa no desenho uma imagem mental, resultante da leitura que faz do mundo. Portanto, os desenhos que a criança faz estão relacionados com as imagens interiorizadas por ela, e não com o objeto tal como ele é. O desenho da criança passa por várias fases: 1ªfase - Garatujas ou rabiscos: a criança desenha pelo movimento, pela exploração e pelo prazer de fazer linhas; 2ª fase - Pré-esquema ou representativo: quando começa a dar formas, já desenhando o que possui como imagem mental; 3ªfase - Esquemas ou regras: a criança procura reproduzir do objeto representado não só o que pode ver, mas tudo que ali existe e dar a cada um dos elementos a sua forma exemplar.
  Cada criança tem um modo e um ritmo próprio para vivenciar estas fases. Portanto, devemos adequar nossas intervenções pedagógicas às particularidades de cada uma e do grupo. Fazer a criança interpretar o seu próprio desenho, tomando consciência do que fez e ver onde ela pode melhorar, é uma forma de intervir no desenho dela. Algumas sugestões, a pais e professores, de intervenções adequadas seriam: não classificar o desenho da criança como bonito ou feio; questionar o trabalho: ‘‘você gostaria de acrescentar mais alguma coisa?’’, ‘‘você quer melhorar o seu desenho?’’; nunca fazer comparações entre os desenhos de uma criança e outra.
  Se considerarmos que a imagem mental interiorizada pela criança está ligada à maneira como ela interage com o meio e com outras pessoas, percebemos que essa imagem mental envolve aspectos sociais, cognitivos e afetivos, sendo o desenho, portanto, uma forma da criança expressar seus pensamentos e emoções.
As autoras são professoras de Educação Infantil em Londrina


Há emprego para diplomados?

Abraham Shapiro
  Outro dia fui entrevistado por uma jovem jornalista. Quando disse que atuava como caça-talentos, ela confessou o quanto tem lutado para encontrar uma colocação à altura de sua formação. Formada em Jornalismo e Letras e cursando uma pós-graduação em Comunicação Empresarial, tudo o que conseguiu foi uma chance para atuar como free-lancer a troco de módicos R$ 500 mensais.
  O que está acontecendo com o mercado de trabalho? Parece que há uma confusão com os conceitos-chaves. Capacitação e diploma, por exemplo. Nem todos os que têm um diploma estão capacitados a desempenhar um papel profissional. O problema se agrava ainda mais em função da ansiedade por reconhecimento pelo tempo de escola. Duas faculdades e uma pós-graduação significam, no mínimo, onze anos de estudos - fora os onze de ensino básico e segundo grau. Mas na prática, as coisas são diferentes. O que as empresas querem são pessoas com visão, com capacidade de tomar decisões, agilidade, habilidades de desenvolvimento pessoal, aprendizagem, criar e manter relações úteis ao ambiente de trabalho e ao negócio. Isso, as faculdades não dão. Só a vivência e a capacidade de observar detalhes. Há poucos dias, fazia uma seleção de garçons. Entre eles, muitos com curso superior, mestrado, MBA e outros. Perguntei a um jovem economista: ‘‘Quais seus conhecimentos de matemática financeira?’’. Ele respondeu: ‘‘Tive esta matéria na faculdade, mas não aprendi bem’’. A um administrador, pedi que definisse liderança. Ele rodeou, fez várias tentativas e não conseguiu dizer nada considerável. A maioria destes jovens é despreparada. É visível que não valorizam a possibilidade de uso dos conhecimentos que acessam em livros, internet ou através dos professores.
  Ocorre que hoje, uma maioria cursa a faculdade pensando na ‘‘bendita’’ pós-graduação. Isso é uma fuga. Muitas instituições de ensino superior, visando apenas lucro, transformaram a pós na salvação de seus cursos mal-estruturados e grosseiros ministrados por professores analfabetos funcionais. Aqui vai um esclarecimento aos jovens estudantes. Converse com profissionais já formados e que estejam atuando, com o objetivo de saber quais os principais enfoques a serem dados durante o seu curso. Isto ajuda muito. No entanto, aguce o seu ‘‘senso de tempo presente’’. Valorize cada aula que você tiver. Comece a lidar com casos reais, leia revistas, pesquise. Se você se sentir desde já comprometido com sua opção e encarar cada página dos livros com a máxima importância para o que você deseja ser, suas chances de tornar-se um grande profissional começam a existir. E lembre-se: nos dias de hoje há somente dois tipos de estudantes universitários: os rápidos e os mortos.
ABRAHAM SHAPIRO é consultor em desenvolvimento de líderes e relacionamento humano no trabalho


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