O futuro passa pelo rio Tibagi
Paulo Henrique Martinez

A realização do segundo turno das eleições nos estados e a nacional nos faz pensar no futuro da sociedade brasileira neste início de século. O recente leilão para a construção da Usina Hidrelétrica de Mauá, no rio Tibagi, contém implicações econômicas, sociais e ambientais que merecem maior atenção dos poderes públicos, sobretudo do judiciário.
Os quase dois milhões de moradores da região que será afetada com a obra, distribuída ao longo dos 550 km do curso do rio, devem expressar clara e abertamente o futuro que desejam para o rio. Quais as condições de vida e de trabalho que desejam nos 54 municípios daquela bacia. Esta área abriga expressiva diversidade biológica, perto de duas mil espécies. A diversidade cultural está presente em reservas indígenas, marcos históricos, sítios arqueológicos e paisagens, além dos núcleos urbanos de Londrina e Ponta Grossa. O poder de mobilização e da opinião pública dessas cidades, com presença atuante de órgãos públicos e da sociedade civil, não alcançou seu pleno vigor, suficiente para serem ouvidas.
Há direitos de cidadania, riquezas naturais, diversidade social e cultural sob ameaças que não são uma fatalidade, mas derivam da decisão coletiva e consciente sobre os destinos da região. Esta combinação de variedades é um privilégio da bacia do Tibagi. Ela pode proporcionar um outro modelo de desenvolvimento, com o rio socialmente vivo. O desafio é fazer desta situação privilegiada um capital para gerar emprego, renda e benefícios sociais para toda a coletividade. Os anseios da sociedade devem ser atendidos.
A preservação, a recuperação e a valorização desse potencial, e não a destruição do meio ambiente e da diversidade cultural, são grandes trunfos para a economia global e competitiva do século XXI. É grande o risco de repetir nesta porção do estado do Paraná os equívocos que, alicerçados no lucro rápido e fácil de alguns grupos econômicos, resultam em degradação das condições de vida e na ausência de empreendimentos abrangentes e duradouros para o conjunto da população. Uma perspectiva de futuro nada promissora.
É preciso saber se o Paraná vai dilapidar esse patrimônio singular, em nome de visões de desenvolvimento do passado, ou se dará um exemplo para o Brasil, com uma política de desenvolvimento regional sustentável para a bacia do rio Tibagi. Água, biodiversidade, pesquisa científica, educação ambiental, qualidade de vida, agricultura familiar, turismo, empregos, justiça social, são algumas diretrizes para a economia global e que tornam anacrônicas e prejudicais as gigantescas e milionárias obras de infra-estrutura.
PAULO HENRIQUE MARTINEZ é professor e coordenador do Laboratório de História e Meio Ambiente do departamento de História da Unesp em Assis (SP)

A preservação de mananciais
Osvaldo Marconato Bosi

É estarrecedor o que está acontecendo com rios e lagos. O volume de suas águas tem diminuido muito apesar das recentes chuvas, alguns menores estão secos outros nem tanto, porém a qualidade dessas águas está cada vez pior e não se tem dado a devida importância a isto.
Muito se fala a respeito, mas pouco tem sido feito. Louve-se a medida adotada em Ibiporã pela promotora do Meio Ambiente, Révia de Luna, para aumentar a área de mata ciliar na região. No mundo todo 97,5% da água é salgada, 2,5% é doce mas, somente 0,8% é aproveitável para uso humano.
A preservação destes mananciais é fundamental para o futuro da humanidade. Por isso, não podemos esperar que outros façam o que já deveria ter sido feito.
A questão da poluição passa em primeiro lugar pela educação das pessoas (assim como na política). É fácilmente constatável em nossos rios, principalmente aqueles que circundam cidades, a presença de grande quantidade de lixo de toda espécie, plásticos, pneus, pára-choques de caminhão, porta de geladeiras, latas, bonecas, etc.
Em segundo lugar, as indústrias e empresas de saneamento que despejam efluentes nos rios sem o devido tratamento. Temos tecnologia suficiente para o tratamento da água usada e dos esgotos, falta investimento do poder público e de parte das indústrias para sanar este grave problema.
Da parte dos governos municipais, estaduais e fedaral não existe muita preocupação com este tema porque em geral estas obras quase não aparecem aos olhos do povo e, portanto, não rendem dividendos eleitorais.
Cada cidadão é responsável pela preservação do nosso planeta. Se cada um de nós fizer a sua parte protegendo e melhorando as reservas nativas, os nossos rios, mares e lagos e exigindo dos governantes que invistam em infra-estrutura e no tratamento correto dos efluentes para proteger os mananciais, com certeza estaremos dando um futuro melhor aos nossos filhos e aos filhos deles. Não somos apenas eleitores, somos participantes.
OSVALDO MARCONATO BOSI é microempresário em Ibiporã

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