ESPAÇO ABERTO
Dez pensamentos sobre a morte
Dom Orlando Brandes
1. Dois de novembro é dia de celebração de finados. Festa da esperança cristã e reflexão sobre a irmã morte e o mistério da ressurreição. A morte é uma bênção porque possibilita a visão de Deus, o início da plenitude da vida e o encontro consigo num máximo de luminosidade. A morte é coroação da vida, é a condição para a glória do bem, a glorificação dos bons na comunhão com o Senhor glorioso.
2. Não morro, entro na vida, diz Santa Teresinha. Então morrer é um privilégio, é acabar de nascer. O dia da morte é a festa da vida, é o dia natalício, o início da vida em plenitude, é entrar na vida. Da morte do botão nasce a flor; da morte da flor nasce o fruto; da morte da semente nasce a espiga. É a vitória da vida.
3. Ao rezar diante de um cadáver, um jovem ouviu a voz interior dizer: O que és, eu era; o que eu sou, tu serás. A única coisa absolutamente certa que existe quando alguém nasce, é que vai morrer. Na verdade, a morte é uma escola do essencial, livrando-os dos egoísmos e apegos. O pensamento da morte derruba as ilusões.
4. Diz a carta aos Hebreus: Está determinado que o homem morra uma só vez (9,27). A humanidade em geral não sabe lidar com a morte. É um tabu. Por isso, buscam-se remédios contra a morte: os filhos, nos quais os pais se eternizam; a fama através de monumentos imortais; a reencarnação que é um grande engano. Só com a fé na ressurreição é que podemos domesticar e até zombar da morte. Porque morremos uma só vez, devemos estar preparados para morrer.
5. A morte tem uma dimensão democrática: todos morremos. Eis nossa igualdade fundamental. Todos somos nivelados pela morte. Os classismos, as diferenças, a propriedade privada, o matrimônio, são realidades provisórias e relativas. Definitiva é a igualdade de todos diante da morte. A vitória final é da igualdade. A morte é a mais radical das socializações.
6. A filosofia é produto da morte. Ela obriga a pensar. Diante dela surgem as perguntas existenciais. A morte é também origem da religião como resposta para o após-morte e o sentido da vida.
7. O amor é mais forte que a morte. Cristo matou a morte. O homem, já não é mais um ser para a morte, mas um ser de esperança. O Amor deu origem à vida. O Amor morreu em favor da vida. Deus é Amor, Deus é Vida. Morrer é abraçar o Amor. No céu veremos, louvaremos, amaremos (S. Agostinho). Com Santa Teresinha, afirmaremos: Tua face, Senhor, é minha verdadeira pátria.
8. A morte revela nossa radical humildade. Somos humanos, voltamos ao pó, carregamos a vida num vaso de barro. Reconciliar-se com a morte na luz da fé é torná-la nossa irmã. Quem faz o bem perde o medo da morte. Os santos desejavam morrer para estar com Cristo. Morro, porque não morro (São João da Cruz).
9. O momento da morte é uma experiência privilegiada de encontro com Deus e de decisão pessoal definitiva. Ali convergem o presente, passado e futuro como decisão, entrega e consagração ao Senhor. Assim, a morte é humanizada e redimida. Realiza-se o abraço eterno.
10. Três são as mortes. A primeira é a biológica que é humanizada e redimida pela fé em Cristo e a prática do bem. A segunda é a morte espiritual. Consiste na vida em pecado, no afastamento de Deus, na possibilidade da perdição. A terceira é a morte mística, ou seja, a superação do egoísmo e do dom de si e o acolhimento dos outros.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina
Dom Cláudio Hummes
Padre Silvio Andrei
A imprensa tem noticiado e comentado, exaustivamente, a nomeação de dom Cláudio Hummes como Prefeito da Congregação para o Clero, feita pelo Papa Bento XVI. E desde que a nomeação foi divulgada, este tem sido um assunto muito presente tanto na Igreja, como em outros setores da sociedade. E isto é um ponto positivo, pois demonstra que a notícia chegou mesmo às bases e no cotidiano da vida das pessoas.
Convivendo um pouco mais com dom Cláudio, a gente vai percebendo que ele é mesmo um homem de Deus, escolhido para uma missão especial, pelo Espírito Santo. A maneira como ele recebeu a nomeação e a serenidade com que ele tem respondido às muitas perguntas, nos leva a crer que Deus impulsiona as pessoas certas para o trabalho certo.
Dom Cláudio disse que ele jamais esperava uma nomeação assim. Mas, nesta nomeação e em muitos outros momentos da vida, percebemos de um modo claro, a Surpresa Divina, que como sempre, se aproxima de nós com muita ternura e muito respeito, nos confiando algo especial.
Dom Cláudio tem recebido contatos dos mais diversos veículos de comunicação de várias partes do Brasil e até de outros países. Ele tem recebido cumprimentos de cardeais, bispos, sacerdotes, religiosos, leigos, ministros, senadores, juízes, promotores, rabinos, enfim, representantes e pessoas de diversos setores. E com a mesma atenção atende a cada um. E todos ficam com a mesma certeza: que ele é um homem simples.
Dom Cláudio tem a marca do amor, da obediência, da fidelidade e do serviço. Como bispo de Santo André, arcebispo de Fortaleza e cardeal arcebispo de São Paulo, sempre foi um servo do Senhor.
Agora dom Cláudio parte para mais uma missão. Dentro de mais ou menos um mês ele se mudará de São Paulo para Roma. E ao lado do Papa Bento XVI estará a serviço de Jesus e da Igreja. Para nós é uma alegria saber que um brasileiro estará ajudando, de um modo tão especial, a Igreja a continuar a sua missão de evangelizar, anunciando Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje e sempre! Estaremos rezando por dom Cláudio e ele por nós! O trabalho de dom Cláudio na Congregação para o Clero contará com o apoio espiritual do maior país católico do mundo!
PADRE SILVIO ANDREI é pároco da Paróquia Rainha dos Apóstolos e membro do Conselho Arquidiocesano de Comunicação da Arquidiocese de São Paulo
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