E agora Nedson?

Marcelo de Lima Urbaneja

Londrina vive um momento difícil, não há duvidas, a maioria da população responsabiliza o prefeito Nedson Micheleti, o PT e aliados pela situação permanente, pois analisa, se informa e vê o óbvio. Vamos aprofundar a análise das verdadeiras razões da crise na cidade.

Em 2004 venceram as eleições com o engôdo da ''casa arrumada'', pois nada tinham a apresentar à cidade. Enganaram população e servidores com um Plano de Cargos e Salários e inclusão na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de reajuste salarial aos servidores de 21%.

Em 2005, nova administração, mudaram o horário de servidores sem aviso, não se importando como afetariam suas vidas e cancelaram o Plano de Cargos e Salários prometido durante a campanha. Ofereceram zero por cento de reajuste, não os 21% previstos na LDO. Não poderiam ser surpreendidos por uma greve de uma categoria que assistiu a direitos serem furtados por quatro anos, com apoio de uma direção sindical que desmobilizava a categoria.

Claro que somos passíveis de adversidades na vida. Caberia ao prefeito pedir licença para acompanhar sua esposa doente. É extremamente reprovável o uso de tal fato para apelar à comoção pública, como forma de justificar a incapacidade administrativa.

Em 2006, os servidores foram enganados pelo prefeito que assinou um acordo de negociação salarial e não cumpriu. A Justiça se pronunciou: o chefe do Executivo não pode ''desferir o sabre na paleta do servidor''. Após esperar mais de 18 meses retomaram a paralisação.

É certo que o fraco não assume suas falhas, arrumando culpados: não foi a greve que causou a reprovação do Governo Lula em Londrina, foi uma administração omissa, irresponsável e incapaz.

Pena que um recém-eleito deputado federal seja tão desprovido de entendimento legal, e use a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e a Lei Eleitoral para justificar seus aliados. A lei não proíbe reposição de perdas salariais resultado de inflação (artigo 37, X da Constituição Federal, artigo 22,º1º da LRF). Pena que sendo do Partido dos Trabalhadores, entenda como truculência o exercício de um direito Constitucional. Descontar os dias parados é imperioso ao ditador que se nega a negociar e enxerga só o castigo como solução.

Frise-se à exaustão: não há ordem judicial determinando desconto de dias parados, apenas um prefeito desesperado tentando pela repetição tornar mentira em verdade. E agora Nedson? A eleição acabou! A greve continua! Não é hora de trabalhar?

MARCELO DE LIMA URBANEJA é presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de Londrina




Lições da febre aftosa

Ágide Meneguette

Começou no dia 1º de novembro uma nova campanha de vacinação contra febre aftosa, praticamente um ano após ter sido anunciado pelo governo do Estado - no fatídico dia 21 de outubro de 2005 - a existência de grave suspeita de focos de aftosa no Noroeste do Paraná. Somente agora o Estado passou a ser considerado pelo Ministério da Agricultura como livre da doença e, portanto, apto a vender carnes para outros Estados. Falta ainda que a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) chancele esta decisão e os países importadores voltem a aceitar os nossos produtos.

Que este triste episódio nos sirva de lição e nos leve a tornar mais eficientes as campanhas de vacinação para afastar de vez a aftosa de nossos rebanhos. Não basta apenas vacinar o gado; isto já vem sendo feito com responsabilidade pela maciça maioria dos pecuaristas. Como vimos pela ocorrência dos focos no ano passado, é preciso mais. Muito mais. É crucial uma vigilância permanente que depende não apenas dos governos federal e estadual, mas também da iniciativa privada.

Lembro que para conseguir que o Paraná fosse reconhecido pela OIE como livre de aftosa em maio de 2000 o governo do Estado e os produtores rurais, através de suas entidades, realizaram um grande esforço, a partir da consciência que a defesa da sanidade animal e vegetal é assunto que interessa a todos. A FAEP, por exemplo, desde a década de 1990 participa das assembléias da OIE e de eventos em que a sanidade é o assunto. Tem enviado técnicos à Europa para aprender como o mercado exige que seus fornecedores trabalhem, não apenas no que diz respeito à saúde dos animais, mas também quanto à rastreabilidade, condição indispensável na atualidade para garantir a permanência no comércio mundial.

Importantíssima foi a criação do Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa) e os Conselhos Municipais e Intermunicipais de Sanidade Animal, incorporando de fato a sociedade na luta contra as doenças e pragas que assolam a agropecuária. Tudo isso foi em vão em outubro do ano passado simplesmente porque o governo do Estado se arrogou no único agente da defesa sanitária, praticamente ignorando a participação da sociedade. E o resultado foi o grande prejuízo dos pecuaristas que deixaram de vender seus bois e seus suínos, tiveram que jogar fora milhões de litros de leite e viram os preços dos seus produtos despencarem.

Não queremos que isso ocorra novamente, e para tanto é vital não descuidar um só momento. É preciso vacinar todo o gado que estiver na idade adequada. Mais ainda, toda a sociedade deve pressionar as autoridades para que elas façam a sua parte, seja no município, no Estado ou no País. Que esta campanha seja um recomeço e que todos os agentes - pecuaristas, industriais e autoridades - estejam imbuídos de um propósito sério e firme de recuperar o status de Estado livre de aftosa, reconquistando os mercados que perdemos e avançando ainda mais. A pecuária é um setor importante demais, responsável por milhares de empregos para ser negligenciado.

ÁGIDE MENEGUETTE é presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP)

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