Haverá lição das urnas?

César Caggiano dos Santos
  Londrina sempre se destacou como uma cidade pioneira, sempre na vanguarda política. Não é errado afirmar que o Paraná reconhece em nossa cidade essa posição avançada, uma ‘‘capital’’ crítica. Na nossa região não houve falta de recursos que justificassem o resultado deste segundo turno para o governo estadual. Este resultado certamente vai direcionar para que o governo apresente políticas concretas de planejamento estruturado, principalmente nas áreas da agricultura, indústria, saúde, educação, ensino superior e ciência e tecnologia.
  Outra forma de interpretar o resultado das urnas está ligado a decisões tomadas sem o devido diálogo com a sociedade. E que isto sirva de modelo até para nós da administração da maior universidade pública estadual.
  Será que os números do último domingo significarão avanços ou teremos retrocesso na democracia de nosso Estado?
  Quero conclamar a sociedade a dialogar, sem a temperatura eleitoral, até porque a eleição terminou. Faz-se necessário debater com respeito um bom relacionamento com o governo estadual. Neste sentido penso que a UEL tem papel importante.
  Podemos colaborar com debates de alto nível, que possam gerar soluções para a sociedade como a discussão do Projeto Arco Norte - que vai integrar municípios de Londrina e região -, e a melhoria do sistema de saúde, através de nosso Hospital Universitário, Ambulatório do Hospital de Clínicas e Centro Odontológico. Temos ainda serviços de grande impacto, como o Escritório de Aplicação de Assuntos Jurídicos e mais de uma centena de projetos de extensão, que beneficiam a comunidade de todo o Norte do Estado.
  No próximo mês o governador reeleito deverá vir a Londrina para inaugurar o Centro de Ressocialização, construído na Zona Sul. Obra que vai significar o fim da carceragem superlotada nos cinco distritos policiais, que hoje abrigam quase 900 presos. Momento para todos nós - lideranças e eleitores - recebermos o governador reeleito como sempre o fizemos todas as vezes que esteve presente em nossa terra.
  Tenho a certeza também que o governador virá para cá sabendo que desafio maior deste seu terceiro mandato será ouvir mais e aplicar toda a sua experiência para o bem do povo paranaense. É hora de mostrar que nós, como capital crítica e vanguarda política, sabemos dialogar e reconhecer nossas autoridades. Nossos pioneiros demonstraram sempre esta sabedoria. Afinal, respeito se conquista com humildade e diálogo.
CÉSAR CAGGIANO DOS SANTOS é reitor em exercício da Universidade Estadual de Londrina



Dos conceitos de espiritualidade

Walmor Macarini
  As pessoas, na maioria, acham que espirituais são os anjos e os santos e as demais divindades, e que elas próprias não o são. E dessa forma evoluem mais vagarosamente. Fazem seus pedidos e louvores mas não acreditam no poder divino que elas mesmas possuem. Assim, entregam tudo aos que elas elegem seus salvadores – Jesus, principalmente – para que resolvam seus problemas.
  Fazer louvação não é elevar-se, se imaginam que esses irmãos mais velhos do plano espiritual vão comover-se, ainda mais quando elas mesmas guardam impurezas em seus sentimentos. O ministério do Mestre tão citado e requisitado se realizaria plenamente se os homens contribuíssem nessa tarefa. Porque ele e os tantos seres das elevadas esferas estão prontos para ajudar mas não conseguem atender àqueles que esperam recebê-los com a ‘‘casa’’ suja e sem estarem receptivos.
  Quando se recebe uma visita, a primeira coisa que se faz é preparar a sala. Da mesma forma, não se conseguirá receber as vibrações que emanam desses seres de luz se a mente está cheia de entulhos. Sem primeiro higienizar esse ambiente fica mais difícil as coisas boas entrarem. E se as pessoas nunca limpam a ‘‘casa’’ – o seu santuário interior – vão se acostumando a viver nesse estado.
  No geral, cuidam do corpo físico, banhando-se todos os dias, perfumando-se, colocando roupas limpas, polindo os sapatos e o automóvel, mas elas próprias não cuidam de limpar-se por dentro removendo os sentimentos de ódio, inveja, ciúme, competição, arrogância, prepotência, intolerância, agressividade, indiferença, má vontade e assim por diante. Não pode haver espiritualidade em tal estado e quando o caminho da mente não é liberado para o rumo do coração.
  Para ser espiritual não é preciso ter uma religião, bastando cada um sentir em si a presença de Deus. E não um Deus ‘‘nas alturas’’ mas nele próprio. Não basta prostrar-se em oração mas criar na mente aquilo que se deseja, e ver isto se concretizando, porque a fé – de que tanto se fala – é a convicção no próprio poder. O sentido de pedir a Deus e de que pedindo se recebe, é co-criar com essa poderosa força que rege todas as coisas e na qual o ser humano está inserido e com ela interage.
  Nestes dias de resultados pós-eleitorais, que tanto movem as pessoas, melhor do que exaltar ou condenar políticos eleitos e não-eleitos é orar por eles, incluindo os corrompidos, para que estes fiquem bons e os já bons fiquem melhores. Não só balbuciar palavras mas co-criar na mente essa melhoria e, mentalmente, vendo-a acontecendo. Esta é uma forma de amar os inimigos. Porque amar os bons é fácil e não há nisso mérito algum.
WALMOR MACARINI é jornalista na Folha de Londrina


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