Respeito à soberania do voto popular

Nelson Araújo de Oliveira
  A sagrada soberania do sufrágio universal merece respeito. Por isso, a legislação brasileira estabeleceu o direito de manifestação individual legitimando os ditames da consciência para o sufrágio do voto, no dia da eleição. É, portanto, inaceitável que alguém faça julgamento injurioso e pejorativo do eleitor só por que ele votou no outro candidato. A população brasileira não demonstrou nenhum analfabetismo político, nenhum ato de mediocridade e muito menos uma manifestação de hipocrisia, ao reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como declarou o professor Luiz Carlos Ferraz Manini, em artigo publicado na última segunda-feira neste espaço democrático da FOLHA DE LONDRINA.
  Muitos eleitores que votaram na reeleição do presidente Lula fizeram um simples diagnóstico da situação e de acordo com os resultados obtidos nesse estudo, votou inteligentemente no melhor por uma série de motivos: recuperação substancial do poder aquisitivo do salário mínimo, que antes não passava de 80 dólares e hoje é exatamente o dobro; o controle da inflação e o baixo custo da cesta básica que proporcionaram mais alimento na mesa do trabalhador; o risco Brasil que andava nas nuvens (servíamos como verdadeiros espantalhos para os investimentos internacionais); a independência do FMI; a recuperação da indústria naval; a auto-suficiência em petróleo e os grandes investimentos na área de combustíveis; e a expulsão imediata de elementos do governo que praticaram atos ilícitos e a ampla liberdade de ação da Polícia Federal.
  Por outro lado, é bom saber também que há muito mais CPIs emperradas no governo de São Paulo do que no governo federal; que a dilapidação do patrimônio público pelas privatizações cessaram no âmbito nacional mas cresceram no Estado de São Paulo; houve inoperância no planejamento do governo paulista com a segurança pública, com a educação e com a saúde; o alardeamento dos feitos do governo de São Paulo relativamente à habitação e remédios gratuitos não cabe, pois são fruto de verbas oriundas de órgãos federais. A prova de que o governo de São Paulo não correspondeu a nenhuma perspectiva ficou demonstrada na derrota de Alckmin na sua própria região. No triângulo São Paulo, Rio e Minas Gerais, com os governadores aliados, Alckmin perdeu com uma diferença superior a 5 milhões de votos.
  É verdade que muita gente indignada com os resultados das eleições não fez esta análise antes de votar. Agora aparece com manifestação pública desrespeitosa aos eleitores de Lula. Todavia, compreendemos que as lamentações, os desabafos e as exposições de sentimentos são legítimos. O que não podemos valorizar são os termos pejorativos dos insultos e desagravos feitos pelo professor que demonstrou não ser um democrata. Achar que vivemos um analfabetismo político e, por causa disso, o Brasil não é digno de ser chamado nação, são declarações assustadoras e com sabor de ditadura.
NELSON ARAÚJO DE OLIVEIRA é professor em Londrina



Deixe o homem trabalhar

André Vargas
  Londrina vive um momento difícil, não há dúvidas. A maioria da população responsabiliza o prefeito Nedson Micheleti, o PT e os aliados pela situação momentânea. O resultado das eleições demonstrou claramente isto. Hoje, eleito deputado federal com mais de 83 mil votos, sem lamentar dificuldades, quero aprofundar uma análise das verdadeiras razões da crise que vivemos na cidade.
  Em 2004, quando disputamos a reeleição, afirmamos que a casa estava arrumada e que dias melhores viriam. Chegamos ao segundo turno e com o apoio do PMDB e do PTB, vencemos o ex-prefeito Antonio Belinati, que contou com o beneplácito do candidato do PSDB, Luiz Carlos Hauly, que estranhamente defendeu a neutralidade.
  Já em 2005, no início da nova administração, fomos surpreendidos por uma greve selvagem conduzida pelo Sindserv, de forma politizada. Aliados do Belinati e do ‘‘neutro’’ Hauly manobraram a categoria de servidores municipais para enfraquecer a administração. Ainda em 2005, novamente a administração e o nosso partido foram atacados por Soraya Garcia com inverdades e insinuações patrocinados pela dupla Hauly/Belinati. Vale ressaltar que enquanto era brutalmente atacado, o prefeito acompanhava o sofrimento de sua esposa, atingida por uma mortal enfermidade. Neste período muita gente, inclusive da imprensa, repercutia as inverdades de forma desleal e insensível. ‘‘O prefeito sumiu? Onde está o prefeito? A cidade está sem prefeito?’’. O prefeito reorganizava a vida. Cuidava de seus filhos e trabalhava pela cidade. Apesar das dificuldades políticas, administrativas e pessoais, Nedson conseguiu atrair cerca de R$ 80 milhões em investimentos para Londrina.
  Nas eleições de 2006, visando ampliar o desgaste, nossos adversários promovem uma greve em pleno período eleitoral, época em que a lei proíbe a concessão de reajustes e que fariam as contas da Prefeitura entrar no vermelho, contrariando a Lei de Responsabilidade Fiscal. Prefeito, vereadores, Ministério Público, Judiciário e Tribunal de Contas têm o dever de cumprir e fazer cumprir a lei. Os servidores municipais merecem reajuste, mas dentro da lei e da possibilidade financeira do município.
  A greve cumpriu os objetivos do sindicato: desgastar politicamente o PT e a administração municipal. Gerou prejuízos enormes ao povo. O prefeito se porta de forma firme e responsável. Dar reajustes acima do possível, isto sim seria irresponsabilidade. Descontar os dias parados também é imperioso, a fim de não punir 80% da categoria que trabalhou durante este período. A greve só é legítima quando motivada unicamente pela defesa dos interesses da categoria. Manter a greve com truculência, lastreada em decisões jurídicas, é um equívoco. Como diz o refrão: ‘‘Deixe o homem trabalhar!’’.
ANDRÉ VARGAS é deputado estadual, presidente do Partido dos Trabalhadores do Paraná e deputado federal eleito


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