ESPAÇO ABERTO
A vitória dos pobres
Jonas Liasch Filho
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é um dos fatos históricos mais relevantes da História do Brasil, um momento no qual a fatia menos afortunada da população demonstrou seu poder nas urnas de modo inquestionável. As acusações de corrupção associadas ao Governo do PT querem fazer crer à população que a corrupção é exclusiva dos petistas, e não há nada mais falso que isso: simplesmente o PT é um partido igual a todos os outros partidos, e não uma legião de anjos salvadores. Obviamente, Lula também não é o Messias, que veio salvar o Brasil do pecado da corrupção e devassidão dos políticos.
Mas, para ser mais objetivo, será que o Brasil realmente caiu no inferno apregoado pelos adversários do PT? Será que afundou na corrupção? Será que está às portas da falência? Será que o Brasil piorou? No meu modesto entendimento, parece que não.
A corrupção continua no mesmo nível em que sempre esteve, em qualquer momento da história do Brasil: muito alto. O que acontece é que, hoje, estamos, apenas, mais bem informados sobre as falcatruas cometidas pelos políticos. O hoje festejado JK não teria sobrevivido ao bombardeio que Lula sofreu.
O Brasil, e seu povo, definitivamente, não estão às portas da falência. Não estamos sendo humilhados pelo famigerado FMI, que praticamente sumiu da mídia. A classe rica está cada vez mais rica, como sempre esteve e como sempre estará. A classe média parece que também não vai mal, já que as ruas estão entupidas de carros novos e seminovos, e as filas dos hipermercados são sempre enormes, mesmo nas tardes de quinta-feira. E a vida do pobre melhorou, sem dúvida, senão Lula já estaria curtindo um exílio, na melhor das hipóteses.
Será que o Brasil realmente piorou, durante os quatro anos de governo petista? Em quê? A carga tributária está alta? Ora, sempre esteve e sempre estará, mas será mesmo que piorou? A corrupção agora atingiu níveis alarmantes? Só para os ingênuos que acreditavam nos governos anteriores, como a falecida Velhinha de Taubaté.
Os adversários do PT criticam o Bolsa-Escola, o Bolsa-Família e todos os demais programas assistencialistas do governo. Alegam que o PT cria programas para auxiliar vagabundos e subsidiar a cachaça dos pobres sem-vergonha que têm preguiça de trabalhar para sustentar a família. Cometeram o erro básico de generalizar: será que todos os pobres são cachaceiros, preguiçosos, vagabundos e sem vergonha? Não. É melhor dar melhor educação e criar empregos? Sem dúvida, mas, no curto prazo, como?
O PSDB cometeu erros primários nessa eleição: escolheu um candidato inexpressivo, que recebeu muito mais votos anti-Lula que para si mesmo; subestimou ingenuamente o adversário, dono do maior cacife eleitoral da História do Brasil; discursou predominantemente para as classes alta e média, esquecendo-se que o voto do pobre da favela vale tanto quanto o voto do empresário bem-sucedido; baseou seu programa no ataque ao governo, esquecendo-se de apresentar propostas concretas ao povo. Deu no que deu: Lula lá.
JONAS LIASCH FILHO é professor universitário em Londrina
Exemplo de independência
Servio Borges da Silva
Muitas vezes criticamos Londrina, seu povo honesto e trabalhador, sua verdadeira situação e, principalmente, a escolha dos seus administradores. Porém, não percebemos que muitas vezes a população não tem opção para votar e escolher bem o seu administrador municipal, estadual e federal, os quais exercem grande influência sobre as atividades, serviços e sobre a cidade no seu contexto geral. Entretanto, é importante comentar o que aconteceu em nossa cidade, nas diversas eleições aqui realizadas. Alguns anos atrás Londrina ficou conhecida, por ter sido a cidade que elegeu o maior número de parlamentares e governantes de nosso Estado e até do País.
Houve época que Londrina tinha uma Câmara de Vereadores bem respeitável, e é melhor não entrar em detalhes para não ferir suscetibilidades de alguns que permanecem por aí, não se sabe se para o bem ou para atormentar a comunidade. Diziam que Londrina era a capital política do Estado. Mas os representantes foram minguando, alguns desapareceram nas brumas das atividades políticas, outros não mais se elegeram, outros ainda desistiram. Nesta eleição, Londrina deu o maior exemplo de civismo e galhardia e altivez, demonstrando que é uma cidade independente, que aqui não existe curral eleitoral, que o londrinense não tem medo de cara feia, não se assusta com as bravatas daqueles que querem se perpetuar no poder.
Londrina é altiva, é sagaz quando é necessário, porém sabe reconhecer alguns valores indispensáveis e perenes, como a honra a dignidade das pessoas, o bem comum. Não estou querendo retaliar ninguém, nem ofender eventuais e temporários vitoriosos, mas é preciso mostrar aos políticos que eles não são eternos, que todos nós não somos eternos e que tudo tem princípio e fim. Por isso, quem ocupa um cargo eletivo deve saber que é temporário, que vai ocupar esse cargo, como um ônus, não para se beneficiar mas para servir a comunidade. Não viemos para nos servir, porém para servir. E já dizia o mestre dos mestres: Será maior quem melhor servir ao seu irmão.
Daí porque, Londrina deu um exemplo e votou com total independência, dava gosto ver famílias inteiras com distintivos, bandeiras, botons, adesivos, como que alertando a todos que, somos livres e desejamos permanecer livres e que a coisa pública, ou seja o cargo público existe para o bem de todos. Alertando bem alto, não somos escravos de ninguém nem seremos amordaçados pelas mentiras e divagações. Queremos escolher aquele que for o melhor de todos, queremos aqueles que têm capacidade e valor moral.
Londrina cidade menina, de grandeza, com certeza o futuro melhor está começando, pois o seu destino está em suas mãos livres, serenas, altivas. Viva a liberdade, viva Londrina.
SERVIO BORGES DA SILVA é advogado em Londrina





