ESPAÇO ABERTO
Tristeza
Sandra A. P. Balbino
Neste momento acabo de ouvir a notícia de que a reeleição do candidato Luiz Inácio Lula da Silva já é certa. O País reelege um candidato que sofre acusações de toda espécie, mas afinal nenhuma delas se concretizou, uma vez que o mesmo conseguido sair ileso de todas elas, e o que é pior, com um povo cada vez mais crédulo na sua inocência!
Que País é este! Como contadora, atendendo a diversos seguimentos do mercado, assim como tantos outros colegas de profissão, sei o quanto foi sofrido para as empresas, com seus heróis proprietários, driblar estes últimos quatro anos deste governo desastroso, onde a carga tributária só aumentou, com uma óbvia queda do crescimento econômico do País. Nossas empresas não têm tido condições de se adequar às exigências do mercado externo, competindo em igualdade com os demais países, simplesmente porque toda sua receita está sendo absorvida pelos excessivos impostos com uma margem cada vez menor de lucro. Até quando seremos País de terceiro mundo? Quando reagiremos a toda esta ignorância e falta de senso crítico? Não estou afirmando que qualquer outro candidato faria melhor, mas pelos menos poderíamos estar tentando mudar alguma coisa. Infelizmente isso não ocorreu desta vez.
Pergunto: será que nenhum auditor (verdadeiros clínicos de empresas), conseguiu comprovar os desvios tão conhecidos? Colegas de profissão, como podemos entender isso, quando sabemos que uma simples auditoria fiscal em qualquer empresa pode levantar todos os números que por ventura estejam ''escondidos'' entre uma operação e outra, mas que se torna impossível para o caso das CPIs governamentais? Será que o Brasil vai precisar trazer profissionais de fora para levantar estes dados, assim como fez com tudo até hoje? Talvez seja isso que está faltando, terceirizar a auditoria do Palácio do Governo para americanos, chineses, italianos, coreanos, ou outros, menos para nós brasileiros.
Àqueles que como eu neste momento estão sem muita expectativa para os próximos quatro anos somente posso dizer que pelo menos tentamos e, como brasileiros que fazem a diferença, vamos torcer para que a grande maioria que o reelegeu possa estar certa.
Sandra A. P. Balbino - é contadora e professora universitária em
Londrina
Da hipocrisia
Luiz Carlos Ferraz Manini
A reeleição do presidente Lula para um novo mandato, de mais quatro anos de governo, demonstra a total incapacidade do povo brasileiro de escolher seus representantes. Mais uma vez, corroboramos a ineficiência de nossa máquina estatal, a qual funciona precariamente, em virtude das escolhas do próprio eleitorado.
Escolas depredadas, saúde pública falindo, segurança em pandarecos, parcos investimentos em toda e qualquer área, esse é o cenário que tanto criticamos, e que pela força do sufrágio, continuamos a sustentar. Aliado a isto, o sem-número de escândalos de corrupção, malversação de recursos públicos e tentativas desesperadas de denegrir seus opositores, através da compra de dossiês falsos com dinheiro de origem inexplicada, somam-se ao desprezo ao eleitor, demonstrado na sua ausência no debate realizado em rede aberta de televisão.
O único setor no qual realmente tivemos um crescimento foi o do assistencialismo, com o incremento das esmolas governamentais, como o Bolsa-Família e o Bolsa-Escola, os quais, não obstante sua importância enquanto paliativo, foram tomados enquanto a solução de problemas estruturais, como o desemprego e a falta de uma educação de qualidade, que forme o trabalhador, mas, mais ainda, que torne o homem do povo um cidadão, ciente de seus deveres e direitos, sejam políticos, sejam sociais.
Mais uma vez, colaboramos com o desmonte da decência e da ética no nosso país, que não mais podemos chamar de nação, haja visto o desrespeito com o qual tratamos a nós mesmos, enquanto patrões que contratamos um funcionário cínico, leviano e indigno. Estamos vivendo o pior momento de nossa reabertura democrática, com uma inflexão de ignorância jamais vivida anteriormente.
Ao final deste pequeno libelo contra o analfabetismo político no qual estamos inseridos e do qual não fazemos questão nenhuma de nos afastar, cito um psicólogo francês, Gustave Le Bon, que no final do século XIX, dizia a respeito da política: ''A média dos eleitos representa para cada nação a alma média de sua raça''.
Desta forma, confirmamos nosso caráter medíocre, indiferente, desrespeitoso e criminoso, do qual não podemos acusar mais ninguém. Deixamos de ser vítimas para sermos cúmplices, e nada mais temos a reclamar. Calamo-nos para sempre.
Luiz Carlos Ferraz Manini é professor de História em Londrina
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