ESPAÇO ABERTO
Falta de respeito
Julieta Arsênio
Tenho relutado muito para não entrar na seara política que envolve direta ou indiretamente nosso contexto vivencial. No entanto, percebo que esse incômodo atinge milhares de pessoas, levando-as a se sentirem desmotivadas diante de tantas infrações sociais que, ao invés de serem corrigidas, são apresentadas como manchetes positivas estimulando a impunidade.
Se o segundo turno é proposto para melhor decidirmos entre dois candidatos, esse propósito não tem acrescido em nada, muito pelo contrário, me sento ofendida com tantas condutas consideradas anti-sociais, que me enoja diante de tanta falta de respeito.
Nessa instigação, trago não mais a preocupação com o meu país, pois esse encargo é enorme diante da minha fragilidade pessoal, como profissional, mãe e avó. Preocupa-me a participação que tenho na formação de meu neto que já fala sobre o mau caráter de alguns políticos, nas falcatruas que fazem e que não são punidos que ele diz ouvir esses comentários entre colegas e nos noticiários televisivos.
Como posso explicar a ele sobre a veracidade ou não do serviço secreto norte-americano ao informar a Polícia Federal e ao Ministério da Justiça, ambos do Brasil, que parte do dinheiro apreendido para a compra do tal dossiê ter saído da conta bancária em Miami da Lurian da Silva, filha do Lula, sacado em 12 de setembro de 2006?
Como posso explicar-lhe sobre a participação dos comparsas em crimes eleitorais entre outros, os quais são uma afronta à minha modesta vida de brasileira, que abraça fervorosamente os verdadeiros direitos humanos e de cidadania? Sinto-me abalada moralmente, diante de tantos fatos, que nos tiram até o direito de não querer ouvi-los e que, infelizmente, estão presentes não só no horário político, mas também nos intervalos dos programas que desejo ver.
Vejo-os como pessoas doentes que devem ser tratadas em instituições especializadas, pois o que mais sabem fazer é simular ou dissimular uma loucura que lhe é peculiar. E que loucura, pois a única coisa que enxergam nesse duelo é o seu desejo irrefreável de vencer seu adversário, a qualquer custo, mesmo que para isso venha surtar no aconchego de nossos lares, alegando o seu desconhecimento sobre todo ou qualquer envolvimento de companheiros, amigos e familiares nas suas tramas poderosas.
Não tenho a lembrança de um outro político que tivesse tido uma conduta tão desenfreada, e que conduzisse seu processo eleitoreiro da forma como vem sendo conduzido, querendo vencer a qualquer custo, além de se apresentar de forma tão envolvente, simpatizante, sedutor e acima de tudo tão inteligente para arquitetar tantas inocências e pureza pessoal. Respeito é bom senhores politiqueiros e todos nós gostamos, caso contrário a recíproca é verdadeira: por que respeitá-los ?
JULIETA ARSÊNIO é psicóloga em Londrina
Lula e a classe média
Helena de Barros Mendes
Novamente estamos diante da Escolha de Sofia num segundo turno eleitoral. Seja
qual for o resultado das eleições, gostaria de registrar minha profunda indignação quanto à declaração do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva (PT) de que quem precisa do Estado é o pobre. Ao excluir a classe média e os ricos V.Exa. nos agride. Se o vosso governo é para os pobres e o do PSDB para os ricos, quem governará para a classe média, achatada e falida?
Ao plagiar o governo FHC - exceto nas privatizações - V.Exa. não estaria governando também, e sobretudo, para os ricos? Como integrante da classe média, faço questão de lembrar que é da arrecadação de impostos e achatamento de nossos salários que V.Exa. consegue a proeza de sustentar a pobreza, através de um assistencialismo ímpar, chamado Bolsa-Família, quando na verdade deveria primar pelo resgate da dignidade humana através do trabalho honrado. Não é a esmola que dignifica o homem.
Pensando melhor, V.Exa. precisa mais de nós do que nós do governo, porque na verdade quem sustenta o Estado somos nós: o pobre não paga imposto diretamente... o rico sonega... e V.Exa. só nega! Mas se o arrocho da classe média estiver servindo para melhorar a qualidade de vida do pobre, ótimo! O que não dá é ter que dividir nosso suado salário com mensaleiros, sanguessugas, cuecões, banqueiros e outros parasitas governamentais.
E tem mais: que interpretação dar à vossa fala ...mas nem sempre a sabedoria popular permite que isso aconteça, quanto ao fato de não ter sido eleito no primeiro turno? Foi um mal-entendido, um ato falho, ou houve pretensão de subestimar a inteligência dos 52% de eleitores que não lhe confiaram o voto?
Finalmente, uma sugestão: diante de louváveis atitudes de V.Exa. em melhorar o Ensino Fundamental e criar o ProUni, estude um pouco, sr. presidente! Reeleito ou não, seja mais humilde, dispense nossos ouvidos de vossas máximas e aproveite também os documentos da reforma da Educação Básica (PCN/98) para aprender o verdadeiro conceito de ética. A garotada do Ensino Fundamental está dando de dez a zero no assunto!
HELENA DE BARROS MENDES é bióloga e professora na Universidade Estadual de Londrina
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