Sua Saúde: um ano de serviço ao leitor

Rodrigo Neppel
  Há um ano – no dia 25 de outubro de 2005 – a Folha de Londrina assumiu um desafio: levar artigos de saúde, cinco dias por semana, numa seção onde os leitores pudessem fazer perguntas que seriam respondidas por médicos especialistas, de forma clara, rápida e numa linguagem simples e direta. Nesse contexto nasceu a coluna ‘‘Sua Saúde.’’
  Publicada nas edições da Folha de terça-feira a sábado na página 2 do Caderno Folha Cidades, a coluna já abordou algo em torno de 250 assuntos diferentes. O que percebemos é que ‘‘Sua Saúde’’ leva ao leitor informações sobre as mais diversas doenças e traduz palavras complicadas como prolactina, condiloma, colpoplastia, entre outras.
  Mas o papel da ‘‘Sua Saúde’’ vai além. Nesse período, tratamos em nossas páginas de assuntos que muitas pessoas não teriam coragem de perguntar ao próprio médico, como, por exemplo, o caso do rapaz de 21 anos que sofria com disfunções sexuais ou da jovem que não sabia como se portar diante da sua homossexualidade.
  As informações da coluna romperam os limites do papel impresso. Meses depois do seu lançamento oficial, o sucesso passou a integrar o conteúdo online do portal Bonde. Os internautas podem encontrar os temas já publicados no site www.bonde.com.br/saude.
  A proposta da coluna veio suprir uma necessidade que a Folha tinha de abrir o leque dos serviços prestados pelo jornal, abraçando o chamado Jornalismo de Serviços. Esse conceito não é novo, já existia na década de 1980, mas ganhou impulso com a concorrência que a mídia impressa enfrenta, tanto da internet, quanto da TV. Nessa linha, o jornal passa a explorar temas que tenham utilidade concreta e imediata para o leitor, tornando-o uma necessidade diária.
  Além disso, a coluna cumpre um papel muito importante: o de difundir o conhecimento. Ainda mais numa realidade em que todos nós recebemos diariamente um número muito grande de informação.
  Mas nada disso seria possível se não tivéssemos sentido, desde o início, a participação do leitor. O número de e-mails e ligações com novas questões, sugestões e reclamações sempre foi grande. O sucesso da coluna deve-se justamente a isso. Afinal, o objetivo do jornal é justamente levar ao leitor temas de seu interesse.
RODRIGO NEPPEL é jornalista da Folha de Londrina e repórter do Caderno Folha Cidades



Reeleição: é preciso acabar

Walter Costa Barroso
  Não há mais dúvidas que a experiência da reeleição em nossa frágil democracia não deu certo. A sua própria instituição já nasceu com pecado original, quando deixou no ar a desconfiança quanto à manipulação ou compra de votos de partidos e deputados. Por que não deu certo no Brasil, o que é praticado em muitas democracias pelo mundo afora?
  Nos últimos 70 anos passamos pelo menos metade deste tempo metidos em ditaduras. Há de se considerar uma história de Brasil Colônia, ainda recente, um caldo de cultura autoritária que ainda prevalece em um país onde o analfabetismo é existente em abundância, e uma elite socioeconômica mal acostumada, não querendo nunca abrir mão dos privilégios existentes.
  O voto obrigatório, o sistema eleitoral corrompido, a impunidade total faz com que avanços democráticos não aconteçam. O segundo mandato tem mostrado na prática um fracasso. O próprio autor do dispositivo na Constituição, o presidente Fernando Henrique Cardoso foi vítima dele mesmo. Jaime Lerner deve remoer ter ido a um segundo mandato. Basta ir buscando na história recente dos reeleitos, e veremos quase todos malsucedidos.
  Fora estes fatos históricos, o processo eleitoral na disputa, estabelece uma vergonhosa confusão entre o candidato e o postulante. Usa-se a máquina pública sem o mínimo pudor. Veja o presidente Lula pagando o 13º salário adiantado aos aposentados, tirando dividendos eleitorais com a instituição do ‘‘Bolsa-família’’, que mais parece um curral eleitoral dos velhos tempos em que o voto vira um vale-comida.
  Fora as facilidades eleitorais de quem está no poder. Veja, por exemplo, em Londrina até o prefeito Nedson Micheleti se reelegeu. Infelizmente, nossa sociedade ainda em formação, não sabe discernir direitos e exercício total de cidadania, fazendo de seu voto um instrumento de barganha, com políticos fracos, mal-intencionados e corruptos.
  Se eu fosse candidato a presidente, estufaria o peito agora na campanha e diria: ‘‘Meu primeiro ato como presidente é remeter um projeto de lei ao Congresso Nacional acabando com as reeleições no Brasil. Além é claro, mandar 40 mil companheiros empregados no governo em cargos comissionados sonoramente para casa’’.
WALTER COSTA BARROSO é dentista em Londrina



- Os artigos devem ter, no máximo, 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal. [email protected].

mockup