ESPAÇO ABERTO
A construção do futuro
Junker de Assis Grassiotto
Existem duas maneiras de enxergar um copo de água pela metade: achar que está meio vazio ou que está meio cheio. Prefiro a segunda. Todos têm uma clara visão da atual conjuntura nacional: estão faltando investimentos para crescermos mais. A questão é: como fazer isto? Um grupo diz que devemos cortar despesas do setor público, outro diz que tomarmos essa decisão seria abandonar a atual política social.
Tenho a sensação de que existe uma terceira alternativa: atrair fortemente poupanças externas, que nos integrem ainda mais ao mundo globalizado, sem deixar, evidentemente, de eliminar os desperdícios. Para isso a economia deve permanecer estável, inspirando credibilidade e a estrutura física precisa, ao mesmo tempo, melhorar. Estamos no caminho certo, ainda que faltem correções de rumo em aspectos menos relevantes, passíveis de serem feitas.
O setor da construção, que representa 13% do PIB e emprega 9 milhões de
trabalhadores, está pronto para dar sua contribuição. Investir em saneamento básico, infra-estrutura e habitação gera riquezas,
atrai capital externo e cria oportunidades de trabalho.
Um Brasil com energia elétrica disponível, estradas pavimentadas conservadas e população morando adequadamente, deixará rapidamente de ser pobre, passando a pertencer ao bloco das nações desenvolvidas. Isto pode parecer querer muito, mas não é.
Estamos preparados para enfrentar esse desafio. Bastará o governo federal adotar uma direção um pouco diferente, passando a privilegiar os setores cujos desenvolvimentos resultem num Índice de Desenvolvimento Humano maior.
Hoje à noite a construção civil da região abre em Londrina o 5º Congresso Paranaense do Ambiente Construído-Copac, uma
realização integrada da Universidade Estadual de Londrina, do Clube de Engenharia
e Arquitetura de Londrina e do Sinduscon-Norte. Juntos discutiremos a construção do futuro. O Sinduscon convida a todos a que participem.
JUNKER DE ASSIS GRASSIOTTO é engenheiro civil em Londrina, doutor em Arquitetura e Urbanismo e presidente do Sinduscon-Norte
Uma novela não-fictícia
Carlos Eduardo Bobroff da Rocha
A defesa de um ideal pode ser tão forte para uma pessoa ou para um grupo de pessoas, que pode levar a um processo de perda de seus fundamentos. O período atual da eleição brasileira reflete bem isso.
Um candidato representa a oposição. O outro a situação. Tanto um como o outro possuem argumentos plausíveis para acusar o futuro presidente do Brasil. Todavia, sabe-se que ninguém está com plena razão, pois a ideologia que ambos carregam é a visão de organização do mundo em que os dois acreditam. Visões exóticas, e, por isso, estranhas e incompreenssíveis.
Não se está aqui para julgar crenças, mas sim, condenar a forma como elas são conduzidas. Afinal uma crença é um elemento abstrato, pois é uma forma pessoal de decodificar os fenômenos da realidade. E quando o lado pessoal é envolvido, surgem variáveis na sua forma de interpretação.
Na teoria era assim, mas na prática, e o exemplo brasileiro é bem evidente, se observa que a ideologia de ambos os dois partidos que concorrem à Presidência da República é moldada segundo conivências do momento, bem como é adulterada para não expor as contradições de seus seguidores.
Verdades, mentiras, falsas verdades, meias verdades, verdade ocultas, é isso que se transformou o conceito de ideologia: ela simplesmente perde sua identidade. A questão não é, todavia, mudar os fundamentos da visão de mundo, mas saber como conduzi-la, como lidar com suas limitações, como compreender qual sua real importância para o todo, e como conviver com idéias diferentes ao redor. Seria uma espécie de auto-reflexão da ideologia, uma espécie de busca pela crítica construtiva.
Dessa forma, percebe-se a que novela o brasileiro assiste diariamente. Tem-se dois candidatos (atores). Ambos são o bem
e o mal, embora, na prática, é difícil saber quem é quem realmente. Pode-se dizer
que os dois atores trabalham suas coreografias, suas falas e suas argumentações, para que o telespectador possa considerar como melhor aquele que conseguir convencer. E, uma vez ocorrido isto, o vitorioso ganhará o papel de protagonista da próxima novela (governo).
Quanto ao outro ator, este poderá tentar a sorte em uma outra emissora (partido político), ou se consolar em seu novo papel como antagonista (ser oposição no Congresso). Realmente, vive-se uma novela real e cujo ibope não está agradando à nação.
CARLOS EDUARDO BOBROFF DA ROCHA é estudante de Medicina na Universidade Estadual de Londrina
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