ESPAÇO ABERTO
A paz é possível
Dom Orlando Brandes
Londrina merece a paz. Vamos realizar amanhã, Dia Nacional da Juventude, a Caminhada da Juventude pela Paz. Inicia-se às 15 horas e conclui-se com a Missa na Catedral às 16 horas. Na Bíblia, justiça e paz andam abraçadas, são siamesas, não podem separar-se. A paz é conseqüência da justiça. Outro binômio bíblico indissolúvel é o do perdão e da paz. O perdão é mais nobre que a vingança, é atributo dos fortes. A luta pela paz está na bravura e na coragem da não-violência que se fundamenta na verdade e na humildade. A desgraça das nações modernas é o egoísmo, a exclusividade, a supremacia. Cada uma quer tirar proveito da outra e construir sobre a ruína alheia.
A guerra é lei dos brutos e, portanto, indigna dos seres humanos. A violência só aprofunda o ódio e nunca teve sucesso, pois, quem com ferro fere, com ferro será ferido. Certas verdades precisam ser repetidas enquanto houver homens que não acreditam nelas, como é o caso da não-violência, do perdão, da reconciliação. O ódio só pode ser vencido pelo amor, nunca pela violência. O amor é a força mais poderosa do mundo, embora seja a mais humilde. Bebendo da taça do amor, lançaremos fora a espada. A força da alma é infinitamente superior à força física. Só a devoção à verdade leva à política correta. A guerra começa no espírito e no coração, brota da intenção violenta. Só o amor salvará o mundo e a sobrevivência da humanidade.
Temos atualmente 25 possibilidades de destruição total do mundo. Foi criado o princípio de autodestruição da terra por conta do egoísmo humano. A paz dependerá do cuidado que devemos alimentar uns pelos outros, pois o mundo é uma grande família. A concórdia e a cordialidade, que é a sinfonia dos corações, só será possível com o coração purificado. Sem misericórdia e tolerância, mansidão e compaixão, nossa civilização emite apenas um falso brilho. A vitória da paz consiste em desarmar o agressor pelo amor e pelo respeito. A moral do violento é reforçada pela violência da vítima. Quem responde pela violência, mostra que tem a mesma moral do agressor. A violência sempre foi a arma dos fracos (Ghandi). O confronto, a força, a guerra são uma derrota da humanidade.
Na verdade, quando a violência nos favorece, nós a chamamos de valor, nós a legitimamos e o que ela acarreta de negativo é silenciado. A desordem econômica é a raiz de todas as violências. Sem pão e sem afeto a pessoa humana é uma fera enfurecida. A paz é a tranqüilidade da ordem. Só uma re-ordenação econômica e social trará a paz definitiva. Paz é o equilíbrio do movimento, ou seja, é o equilíbrio entre o pessoal e o social. Os sistemas econômicos injustos e excludentes trazem a guerra dentro de si. Sem opção preferencial pelos pobres, a paz não habitará na terra. O crescimento econômico é carregado de contradições. Oferece grandes oportunidades a poucos afortunados e deixa milhões à margem, excluídos e marginalizados. A força da paz está no amor social. Amai a justiça, vós que governais a terra. (Sab 1,1). Enquanto houver miséria, haverá violência. A luta pela paz não é algo romântico, mas uma opção pelo bem, pela verdade e pela dignidade da pessoa humana. Londrina, que a paz habite em tuas casas e ruas!
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina
Sobre política e eleições
Thiago Leibante Silva
O segundo turno das eleições presidenciais está chegando e a população tem o amargo sabor de ter que escolher entre Geraldo Alckmin (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com todos esses escândalos em que o PT está envolvido o candidato Alckmin (que resolveu adotar Geraldo, para atrair a simpatia do povo) aparece como a grande solução dos problemas. Há muita gente por aí falando em cidadania, voto consciente e coisas do tipo.
Nós não podemos nos deixar enganar pensando que um é o bonzinho e o outro é o malvado, um maniqueísmo bastante fora da realidade. A política, queiram ou não, é um jogo, uma disputa por poder e os políticos fazem e continuarão fazendo de tudo para conseguir se manter o poder.
Há no parlamento diversos partidos, com tendências divergentes. O presidente que assumir, se quiser aprovar suas emendas e propostas, terá que conseguir apoio de opositores, seja através da distribuição de cargos, dinheiro ou favores. É a tal da governabilidade. Queiram ou não, é assim que ocorre.
Se fizermos uma limpa na História do Brasil ficaremos perplexos. É assim que funciona o Estado capitalista. Ele é corrupto no seu próprio interior. O que a população tem que cobrar são os serviços públicos por que paga e não recebe.
O que você faria se pagasse por um carro novo e recebesse um fusca 69? É o que acontece com os impostos. São pagos e bem pagos e os serviços sociais são um lixo. Isso se dá porque o Estado não tem como interesse final o bem comum, a felicidade da nação, como dizem, mas sim, como objetivo representar determinados grupos industriais, financeiros, grupos esses aliás que patrocinam as campanhas dos candidatos.
O Estado não é neutro, é de classe, e essa classe não é a trabalhadora. Portanto, devemos ficar atentos com o que ouvimos e lemos nos jornais, revistas e televisão, pois são coisas divulgadas por meios de comunicação em sua maioria nada isentos, e que tem como objetivo favorecer esse ou aquele.
O bem da verdade é que as eleições estão chegando e a esquerda continua preocupada em participar do processo eleitoral ao invés de buscar uma organização e conscientização política das massas que tenha como objetivo um propósito maior, ou seja, não apenas eleitoreiro.
Ganhe Lula ou Alckmin, não creio que mudará muita coisa, mas nós precisamos passar a ter uma visão menos ingênua da política.
THIAGO LEIBANTE SILVA é bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Londrina
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