ESPAÇO ABERTO
Limites das políticas restritivas na economia
Darci Piana
Na medida em que o governo escolhe a estabilização de preços como prioridade um, ele também assume, conscientemente, que estará sacrificando o crescimento econômico nacional, a curto prazo.
No contexto brasileiro, desde a segunda metade da década de 1990 até o presente, o governo priorizou o combate à inflação, uma herança histórica e resistente no país, adotando políticas de contenção ou restritivas para a economia. Não se questiona aqui a escolha do governo ou o tipo de política adotada. A magnitude e intensidade do distúrbio econômico mais do que justificava a opção governamental diante da importante e necessária redução do processo inflacionário.
Todavia, uma outra realidade evidente por si só, neste momento, é que a estrutura brasileira chegou ao limite da capacidade de suportar a prática de políticas econômicas restritivas ou de contenção. Mais ainda, a continuidade desse padrão de política, a partir do atual momento da economia brasileira, levará a mais custos e menos retornos positivos. Em termos tanto econômicos, como sociais e políticos, os danos serão maiores que os benefícios. Do ponto de vista do cidadão, do eleitor, a viabilização do binômio: expansão do emprego e crescimento econômico, se revela mais importante.
O que se identifica é um gargalo entre a demanda por trabalho, em especial, os jovens em busca do primeiro emprego e a capacidade de alocação de trabalhadores pelo sistema produtivo.
Existe uma imensa capacidade produtiva instalada na economia brasileira, mas um percentual elevado dessa capacidade está ociosa, não utilizada, criando assim um hiato entre o produto potencial que se apresenta maior que o produto real obtido na economia. A situação se agrava pela ocorrência de fatores paralelos imprevistos como seca, doenças em rebanhos, alta nos preços do petróleo no mercado mundial nos últimos dois anos. A taxa de câmbio, se por um lado pode ajudar na importação, por outro lado, faz com que alguns setores produtivos enfrentem dificuldades nas exportações.
Portanto, no atual estágio da economia brasileira, onde ocorre também eleições para a escolha dos futuros dirigentes do país, é de fundamental importância a conscientização dos que forem eleitos, de que é chegada a hora da implementação de políticas expansivas e de aquecimento. É a hora da guinada, em busca do necessário e consistente crescimento econômico do país.
DARCI PIANA é presidente do Sistema Fecomércio, Sesc e Senac em Curitiba
O bom e o mau uso das palavras
Walmor Macarini
Quando falamos de palavras falamos também de pensamento e sentimento, porque os três são associados nas manifestações humanas. E têm grande poder. Esse elenco de emanações tem efeito positivo ou negativo, dependendo de como o utilizamos. A grande maioria das pessoas declara que a vida é dura, e com uma afirmação como esta é sempre seguida de pensamento e sentimento idênticos, atrai todas os negativismos inerentes à vida dura.
Proclamar que dinheiro é difícil de ganhar e fácil de gastar, pode ser uma verdade para quem acredita nisto, mas se houver uma sincera e convicta crença em contrário, esse sentido se inverterá. Não existe outra verdade senão aquela que criamos, porque mesmo aquilo que nos ocorre sem o desejarmos não é por acaso mas resultante do que temos criado mentalmente, sem nem o percebermos, ou é conseqüência das palavras e sentimentos coletivos. Temer insistentemente uma coisa a atrai, porque tudo no universo é regido por correntes eletromagnéticas de atração e repulsão. Onde houver um pára-raio, aí cairá o raio.
Quando as pessoas esperam uma coisa boa, declaram se Deus quiser, mas isto encerra um condicionamento, pela incerteza manifestada sobre o querer de Deus. Se é condicional. Melhor é mentalizar e dizer graças a Deus isto já começou a acontecer. Deus sempre quer. Mas se declaramos se, as palavras e tudo o que está agregado a elas seguirão o curso da dúvida e da espera. Se Deus quiser não é uma afirmação positiva mas de condicionalidade. O universo faz essa leitura e devolve o pacote pronto conforme o receituário.
Não sou bom nisso, muitos dizem. Na verdade, todos são bons em qualquer coisa, dependendo de querer ou de ser necessário. Mas uma afirmação negativa como esta robustece a pronunciada incapacidade. As pessoas olham para algo que desejam, e dizem: Ainda terei isto. Dizem continuamente e assim vão jogando para um futuro que nunca chega. Para aquilo que se deseja deve-se proclamar já tenho, porque já o criamos em nosso campo vibratório. Será só esperar acontecer, mas sem verbo no futuro. Outros dizem eu gostaria, e o verbo no condicional condicionará tudo.
Por que não fazer tudo diferente e exercitar a arte de mentalizar as coisas boas acontecendo? E convictos de que o merecemos? Porque as coisas primeiro acontecem no plano suprafísico. Quando afirmamos com convicção, começamos a co-criar, e então iremos vendo as coisas acontecerem. E nos surpreenderemos com os resultados. No começo temos dúvidas, mas pela persistência vamos criando hábitos e acumulando vitórias. As pessoas de sucesso não são pessoas com sorte mas com convicções, e este é o poder criador.
WALMOR MACARINI é jornalista na Folha de Londrina
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