A solução está no álcool

Heinrich Hellbrugge

Sabidamente, o desempenho de um motor diesel é melhor do que o de um ciclo Otto. O último, no entanto, foi muito melhorado e resolvi fazer um teste. Na Fazenda Bela Vista, montei um motor ciclo Otto de 6 cilindros e 100 HP num trator MF 292. Com este trator modificado foram feitas experiências usando-se gasolina comum, etanol anidro e etanol hidratado. Para as experiências com óleo diesel foi utilizado um trator John Deere 6300, também de 100 HP. Usou-se óleo diesel comum e biodiesel cedido pela empresa Gasoil Ltda. Todas as experiências foram efetuadas com um arado de 42 discos de 28 polegadas e regulagem fixa de profundidade, sendo o trabalho realizado num campo de testes de 1.300 metros. Em todos os testes o trabalho foi o mesmo.

A primeira experiência foi feita com o trator MF utilizando gasolina comum. Os valores obtidos foram considerados como padrão (100%) e usados como base de cálculo para os testes seguintes. O resultado foi um gasto de energia de 19.270 Kcal. O segundo teste foi realizado com álcool anidro. Este mostrou a queima de 18.900 Kcal, um resultado surpreendente já que é 2% inferior comparado ao anterior. No terceiro usou-se álcool hidratado. Foram consumidas 23.761 Kcal, ou seja, a queima foi 23% maior do que no teste com gasolina. Na quarta experiência foi utilizado óleo diesel. O consumo foi de 16.500 Kcal, o que representa apenas 85% do que foi queimado na primeira experiência. A quinta foi feita com biodiesel e revelou um consumo de 18.525 Kcal, praticamente igualando-se ao teste padrão feito com gasolina comum (98%).

O teste feito com óleo diesel foi nitidamente o melhor, pois o trabalho foi realizado com o menor gasto de energia calórica (16.500 Kcal). Acontece que estamos vivendo numa fase de transição na qual a energia fóssil está sendo gradativamente substituída por energias renováveis. Destas, sem dúvida alguma, o gás metano, o biodiesel e o álcool são as principais. Dentre os combustíveis renováveis utilizados, o biodiesel e o etanol anidro foram os melhores, com discreta vantagem do biodiesel. Este pode ser extraído de várias oleaginosas como soja, canola, mamona, girassol, etc. Já o álcool anidro pode ser obtido de plantas com alto teor de carboidratos como cana-de-açúcar, batata e milho. Cabe uma pergunta: considerando a área cultivada, qual é a planta que possui a maior capacidade energética?

O feijão-soja produz cerca de 600 kg de óleo por hectare. O valor calórico do óleo de soja é 9.420 Kcal/kg, o que corresponde a uma produção calórica de 5.652.000 Kcal/ha. A cana-de-açúcar produz cerca de 5.950 kg de álcool anidro por hectare. O valor calórico do álcool anidro é 7.090 Kcal/kg, ou seja, corresponde a uma produção de 42.185.500 Kcal/ha. Os valores para outros óleos que normalmente compõem o biodiesel não são muito diferentes do valor do óleo de soja. Pelo exposto, em termos combustíveis, a produção calórica da cana é 7.5 vezes maior do que a produção calórica do feijão-soja e da maioria das outras oleaginosas usadas na produção de biodiesel. Esta diferença significativa compensa amplamente o consumo em Kcal um pouco maior dos motores ciclo Otto quando queimam álcool anidro. O caminho a seguir é o do álcool, pois a cana é o grande concentrador de energia e dá o maior retorno ao produtor.

HEINRICH HELLBRGGE é engenheiro e agricultor em Rolândia




Prevenção do delito

Marcos Antonio Tordoro

Quando se fala em prevenção do delito, além do trabalho da Polícia Militar nas ações de preservação da ordem pública, da incolumidade das pessoas e do patrimônio, surge como alicerce no combate e prevenção do delito a prevenção primária, representada pelas políticas públicas urbanas e sociais.

A violência criminal avança a passos largos. Ela é dinâmica e está assentada na deficiência do acolhimento familiar e comunitário, na ausência do Estado nos territórios mais pobres, no tráfico de drogas recrutando jovens e se desdobrando em uma ampla variedade de práticas criminais.

A Polícia Militar, por exemplo, atende uma grande quantidade de ocorrências, cujos motivos estão atrelados à deficiência do acolhimento familiar. Por isso a importância da participação de toda a comunidade nesta empreitada - prefeituras, igrejas, clubes de serviço, conselhos comunitários, entre outros.

Os usuários de drogas compram a droga do traficante ou ganham dos colegas e depois de algum tempo acabam se tornando autores de outras modalidades criminosas (furto, roubo ou tráfico).

Muitos usuários não estão ou não estavam integrados à comunidade e acolhidos pela família antes de terem experimentado a droga pela primeira vez. Está faltando cultura, esporte, lazer, saúde, emprego, moradia e um número enorme de políticas públicas, principalmente, educação.

Deve haver parceria entre as lideranças comunitárias. A vontade de mudar a realidade e a coragem não podem dar lugar à vaidade e aos interesses politiqueiros. Não basta prender. Não está adiantando ações policiais pirotécnicas.

O que está se mostrando eficaz, no campo da repressão, são as ações policiais inteligentes, planejadas e executadas por meio de forças tarefas (engajamento de vários segmentos na repressão do delito, atuando livre das paixões e do corporativismo).

Mas para alicerçarmos o edifício social tem que se investir pesadamente na prevenção primária e no aparelhamento humano e material das polícias. Chega de discursos simpáticos e apoio à causa pública sem ação e atitude.

MARCOS ANTONIO TORDORO é comandante da 1 Companhia da Polícia Militar de Cornélio Procópio

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