ESPAÇO ABERTO
Reeleição: que lição fica para os jovens?
Mary Neide Damico Figueiró
A sociedade sabe que o governo Lula, desde o início, foi marcado por atos imorais, abusos de poder e falcatruas. Se o PT continuar na Presidência, os adolescentes concluirão que, para vencer, não é preciso ser honesto, não é preciso pautar-se pela moral, nem mesmo preservar a dignidade e a retidão. Aprenderão, sobretudo, que a imoralidade reina em nosso país, sem punição, sendo, até mesmo, vangloriada.
A educação de nossos jovens se faz, em grande parte, pelos modelos que recebem dos adultos. Em épocas anteriores, a influência da família costumava ser muito forte na determinação da personalidade de seus filhos; hoje, a influência dos padrões de comportamento de todo o meio social tem aumentado, sobremaneira. Assim sendo, mesmo os filhos das famílias que se empenham por uma formação baseada em valores morais positivos estarão sendo, continuamente, expostos aos modelos negativos deste tipo de governo que hoje impera, caso a reeleição se concretize.
Outra questão refere-se ao modelo negativo de trabalhador que o atual presidente fornece aos jovens. Um exemplo disso é a sua preocupação com as viagens, muito mais do que com o estar presente, tratando, diretamente, das questões de seu país. Some-se a isto, a irresponsabilidade ao comprar, logo no início de seu mandato, o Aero-Lula, cujo valor possibilitaria construir milhares de casas populares. Perguntar-se-iam nossos jovens: é assim que se trabalha? É assim que se administra, principalmente quando se tem grandes dívidas a serem saldadas e, acima de tudo, quando tantos passam por inúmeras dificuldades e necessidades?
Uma última e não menos importante questão refere-se à participação da primeira-dama, que tem se mostrado um péssimo modelo de mulher para as jovens brasileiras. Dá-nos a impressão de ser um mero manequim que segue - não ao lado, nem como uma grande mulher - atrás do presidente. Como que numa volta há várias décadas, ela é o perfeito modelo de mulher omissa, sem participação social; apenas figurante.
Temos que vislumbrar as implicações que podem advir da reeleição de pessoas que se mostram imorais e irresponsáveis no exercício da liderança nacional. Se contribuirmos para a vitória de Lula, seremos co-responsáveis pela continuidade da grande aula sobre a imoralidade. Se vencer a outra linha de governo, não presenciaremos mais isto? Não podemos assegurar. Uma coisa, porém, podemos assegurar, agora: os jovens verão que não aprovamos a imoralidade e que estamos sempre firmes e dispostos a exercer nosso direito de cidadãos: protestar e mudar a direção.
MARY NEIDE DAMICO FIGUEIRÓ é psicóloga, doutora em Educação e professora do departamento de Psicologia da Universidade Estadual de Londrina
Aspectos de pronúncia latina
Nelso Atílio Ubiali
Grande parte do povo imagina que o latim é língua de padres ou da Igreja. Uma emissora de rádio da Finlândia utiliza ainda hoje o latim em noticiários. Há pelo mundo diversos jornais e revistas editados em latim por ser uma língua universal. A língua latim foi portadora de uma civilização pujante, de uma cultura que ultrapassa o limite dos tempos, estudada e cultivada pelos mais variados povos. Possui, porém, uma dificuldade: as nações têm línguas com pronúncias diferentes.
Certa ocasião, um professor da Universidade Estadual de Londrina apresentou-me um professor alemão que estava indo para a região de Foz de Iguaçu a fim de realizar pesquisa. Ao embarcarmos, disse-me: Como ele sabe latim e você também, virem-se. Na época, após Maringá não existia asfalto, e o percurso era realizado somente por uma empresa. Assim, parecia o atropelo de uma boiada, subindo os degraus e acomodando-se nos corredores, espremidos como se podia. Passando por um lugar, próximo a um monumento sui generis, resolvi explicar, obviamente em latim, que estávamos numa cidade fundada por alemães: Rolândia. O homem encarou-me sem nada entender. Pensei: Como não entendeu, se o alemão sabe tão bem latim? Só então me lembrei de que empregava uma pronúncia que ele não podia entender.
Fato semelhante contou numa aula um professor de seminário. Um bispo francês esteve em São Paulo e, durante a celebração da missa, vira-se para o povo, como era costume na missa tridentina, e abrindo os braços dizia: Domníís vobiscíím em vez de Dóminus vobíscum, para riso de todos nós.
Por isso lembro: o latim tem três pronúncias: a) nas universidades, a pronúncia empregada é a restaurada ou reconstituída, à semelhança da pronúncia na época dos romanos; b) para as cantigas populares de um país, a pronúncia de uso é a chamada tradicional do país, no nosso caso a brasileira, uma vez que a versificação não é a latina, mas homeométrica, isto é: que segue o ritmo e cadência dos nossos poemas por exemplo: os ditongos ae, oe são pronunciados como se fossem vogais simples: em vez de poenae ser pronunciado poinae (poenai(ai)), pronunciar-se-á pene porque assim pensaram os tradutores ao fazê-lo); c) italiana ou eclesiástica, recomendada pelo Vaticano, nos encontros internacionais da Igreja ou litúrgicos, por motivo de entendimento e unidade. Bento XVI no discurso aos cardeais no limiar da sua posse empregou a pronúncia italiana ou eclesiástica. O referido bispo francês, quando de sua visita ao Brasil, empregou a pronúncia tradicional da terra dele.
No Seminário Palotino, apesar de ser província de origem alemã, muito sabiamente a pronúncia dos estudos latinos e litúrgicos era de acordo com a tradicional brasileira, pela facilidade de compreensão, devido à sua semelhança com o nosso idioma. Para discipuli, pronunciava-se dicípuli e não diskípuli, que é a pronúncia restaurada.
NELSO ATÍLIO UBIALI doutor em Língua Latina e docente da Universidade Estadual de Londrina
- Os artigos devem ter, no máximo, 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal. [email protected].





