ESPAÇO ABERTO
As crianças e suas infâncias
Gilmara Lupion Moreno
Crianças, adolescentes, adultos e idosos, somos todos seres humanos. Pessoas que se encontram e se desencontram no vai-e-vem da vida. Partilhamos nossas necessidades e interesses, destes alguns comuns, outros são específicos de cada fase da vida. Todos anos com a proximidade do Dia das Crianças, a mídia volta-se para elas, em especial para o apelo comercial aos artigos infantis.
Como surgiu o Dia das Crianças? A história nos conta que esta iniciativa foi de um deputado federal, ainda na década de 1920. Mas, esta data só pegou mesmo em 1960, quando o diretor de uma fábrica de brinquedos, fez uma promoção conjunta com uma empresa de produtos de higiene para crianças, surgindo assim, a idéia, a decisão de criar o dia, a semana, o mês da criança, a fim de aumentar suas vendas.
Aproveitando os holofotes do mês de outubro voltados às nossas crianças, trago aqui algumas questões: O que é ser criança? O que é infância? A infância está desaparecendo? Como vivem, hoje, as crianças brasileiras? Temos garantido às crianças aquilo que lhes é de direito? Ser criança significa, antes de qualquer coisa, ser pessoa, ser gente, que se alegra e se entristece, que chora e que sorri, que brinca, que fantasia, que se cansa e que se anima; um sujeito único, complexo e individual. É a infância um componente da estrutura da sociedade; um estágio do curso da vida; uma construção social, contextualizada em relação ao tempo, ao local e à cultura, variando sempre a classe, o gênero e outras condições socioeconômicas.
Daí, a razão de nos referirmos sempre no plural as crianças e suas infâncias, pois, cada criança vive a sua infância. Conseqüentemente, temos diferentes infâncias, dentre elas: a urbana, a rural, a indígena, a pobre, a rica, a hi-tech, a marginalizada... Vivemos hoje, o risco de contribuirmos para a obstrução, o roubo, o encurtamento da infância. Isto é, quando não permitimos as nossas crianças o direito de ser criança, de brincar, de estudar, de se alimentar, de ir ao parque, às praças... Onde estão as nossas crianças? O que estão fazendo?
Toda criança gosta de ganhar um brinquedo novo, de comer cachorro-quente, talvez um pedaço de bolo de chocolate, de correr e de brincar, de ir ao cinema ou mesmo de poder segurar na mão de um adulto e passear. Esperamos que um dia, as crianças brasileiras e londrinenses possam fazer tudo isso, não só no dia 12 de outubro, mas que esta fase das suas vidas seja vivida imensamente, que quando adultos possam recordar de um tempo, de uma infância feliz.
GILMARA LUPION MORENO é professora do departamento de Educação da Universidade Estadual de Londrina
A sabedoria de cultivar a riqueza
Walmor Macarini
Não é um ato contra a natureza divina desejar a riqueza. Porque o Paraíso de que se fala é concebido como de ricos palácios, ornados de indescritíveis preciosidades. Então, Deus aprecia o que é belo e suntuoso. Ser pobre e maldizer os ricos é a pior das pobrezas. Desse modo ela se afasta de quem assim procede. Porque as coisas se aproximam de quem as aprecia. E ser pobre por eventual permuta por um lugar no céu é um tipo de negócio com o qual o senhor das mansões celestiais não pactua.
Ninguém é pobre porque Deus quis assim, como muitos dizem. É quem está em tal condição que quis assim, porque cultiva essa mentalidade. Não porque não trabalhe, não se esforce, não seja honesto, mas porque não se julga merecedor. As coisas boas são para quem as deseja e está convicto de merecê-las. Assim não fosse, Deus não as teria criado e disponibilizado.
Basta acreditar na possibilidade de riqueza, sem subtraí-la de ninguém nem tripudiar sobre quem a possui. Recordemos a parábola dos talentos. Ricos e pobres produzem riqueza, mas os pobres imaginam que isto não é para eles. A riqueza corre para os braços de quem a louva. Um maravilhoso fascínio é gerar riqueza, desfrutar dela, semear mais riqueza e propiciar que outros também se enriqueçam.
O universo é suficientemente rico para suprir a todos. Não há uma quantidade exata de riqueza, de forma a que possa faltar para alguns. Ela é tão abundante que se recria em si mesma. Quem tiver vontade de agarrá-la, acreditando ser possível, verá ela se esgueirando e se aproximando. A prodigalidade divina nos deu as ferramentas para sermos todos ricos, mas muitos não acreditam nessa dádiva. Preferem imaginar que foram os ricos que os afundaram na pobreza.
Se existem ricos avarentos e exploradores, isto não é suficiente para empobrecer os que estão ao redor. Os ricos querem a riqueza, e cada qual que proceda igual se o desejar. Quem quer riqueza precisa fazer as pazes com ela. Dinheiro é como o ar: está por aí. Se certas pessoas pensassem que o ar que respiram é privilégio só de alguns, morreriam asfixiadas. Estas são as que vivem dizendo que o dinheiro é difícil. E com um tal decreto, ele fica mesmo.
Palavra, pensamento e sentimento têm poder criador. A obtenção da riqueza começa primeiro na mente. É preciso desejá-la, para si e para os outros. Se há os que enriqueceram por caminhos transversos, ruim para eles. Mas o que temos nós com isso? A aguda percepção de um cão e de uma criança sabe quando você não gosta deles. Dinheiro e as boas coisas são assim também. Tudo isto não invalida que se busque levantar os caídos. Também não é preciso ninguém vir dizer que primeiro é preciso cuidar da riqueza espiritual. Ocorre que as duas coisas são compatíveis. Cultivar a riqueza com sabedoria é uma forma de espiritualidade.
WALMOR MACARINI é jornalista na Folha de Londrina
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