ESPAÇO ABERTO
Obesidade: prevenir é possível?
Milton Ogawa
Segundo a Organização Mundial de Saúde, a obesidade está entre os dez fatores que mais contribuem para a taxa de mortalidade mundial e é a segunda doença evitável que mais mata o ser humano em médio prazo (entre 12 a 15 anos) - só perde para o fumo. A obesidade mórbida reduz em torno de 20% o tempo de vida. Isso significa dizer que no Brasil onde a idade média é de 76 anos, o obeso mórbido vive em torno de 15 anos a menos. E mais: atualmente, o número de pessoas acima do peso, em todo o mundo, já passa de 1 bilhão, enquanto o número de desnutridos está em torno de 800 milhões de pessoas.
Em razão destas proporções assustadoras, institui-se no Brasil, a data de 11 de outubro como o Dia Nacional de Prevenção da Obesidade. Para nós, cirurgiões bariátricos, médicos especializados em técnicas cirúrgicas para o tratamento da doença, a data tem enorme importância, pois é preciso que a população como um todo se conscientize da gravidade e dos males causados pela doença. Além das patologias associadas à obesidade, como pressão alta, diabetes e cardiopatias, esta doença que é progressiva e fatal, traz também conseqüências de ordem psicológica e comportamental. Por isso, entendemos que deve ser tratada de forma multidisciplinar.
O alerta hoje é de que a obesidade é uma doença complexa e que exige cuidados especiais. As cirurgias bariátricas, um consenso médico como tratamento de solução, é apenas parte do atendimento e atenção que devem ser dados aos obesos. Embora exista a possibilidade de diferentes tipos de cirurgias para o tratamento - desde as restritivas, menos invasivas por utilizarem a banda gástrica ajustável como procedimento para reduzir a capacidade de ingestão alimentar, até as que reduzem a proporção do estômago -, o ideal é que as pessoas estejam atentas a seu peso e adotem hábitos saudáveis para prevenir o aparecimento da doença. Ou seja, um processo gradativo e cultural de conscientização para suas conseqüências e as formas de prevenção.
Dentro deste contexto, atividades serão realizadas em Londrina neste dia 11 de outubro. Das 14 às 17 horas, uma equipe multidisciplinar, formada por cirurgião gástrico e endocrinologista, nutricionista e psicóloga, realizará palestras abertas à comunidade no SAS - Serviço de Atendimento ao Servidor Paranaense (antigo Ipê) -, marcando a data. No local, além das informações e esclarecimentos sobre o tema, alunas do curso de Nutrição da Unopar também estarão realizando uma avaliação nutricional - medindo e pesando a população para averiguar o índice de massa corporal, principal referência para o cálculo do peso ideal, ou correto de cada indivíduo.
Participar do Dia Nacional de Prevenção da Obesidade pode ser, portanto, o primeiro passo para a conscientização da doença que já é considerada um dos maiores problemas de saúde pública em todo o mundo.
MILTON OGAWA é médico cirurgião em Londrina
Dia Nacional de Combate à Obesidade
Alberto Toshio Oba
A obesidade é um problema de saúde pública e merece atenção de toda a sociedade. O excesso de peso é somente um dos problemas dos obesos. Muitas são as doenças associadas: pressão alta, diabetes, colesterol e triglicerides altos, problemas articulares, apnéia do sono, depressão, etc. Além disso, existe o problema da discriminação pela sociedade e pela autodiscriminação. No final, os obesos são socialmente enterrados vivos.
Ninguém é gordo porque quer. A doença é multifatorial e sua solução vai muito além dos limites do consultório médico, do psicólogo, do nutricionista ou de uma sala de cirurgia. Na verdade, começa na cozinha e na sala de estar. A população em geral, principalmente os mais pobres, necessita de orientação sobre educação alimentar, atividade física, fatores psciológicos envolvidos e tratamento médico. Cada vez mais as crianças estão ingerindo produtos industrializados, com pouco valor nutritivo e muito calóricos e estão tendo menos atividades físicas (por causa da televisão, computador, videogames etc.).
A proposta da recém-criada Obesolon (Associação dos Obesos de Londrina) é atuar em três frentes de trabalho:
1) Educacional: através de campanhas educativas na mídia e em escolas, palestras com profissionais diversos etc. Enfim, orientação.
2) Representação junto às entidades governamentais (municipal, estadual e federal), no que se refere aos direitos dos obesos em ter acesso ao tratamento desta doença. Uma das primeiras ações da Obesolon é trabalhar para o credenciamento de mais hospitais para realizações de cirurgias de obesidade pelo SUS, uma vez que somente o HU presta este tipo de serviço.
Entendemos que a responsabilidade pelo tratamento desta epidemia não é somente dos órgãos públicos e dos próprios pacientes, mas da sociedade como um todo. Não podemos simplesmente culpar o SUS pela epidemia de obesidade e da dificuldade em se buscar o tratamento. Podemos sim, estimular uma discussão ampla para que o problema da obesidade seja debatido com seriedade.
Sabemos, que a questão das cirurgias de obesidade é somente a ponta do iceberg. No entato, o grupo de pessoas que necessita de cirurgia tem risco de morte por causa da doença e deve receber atenção especial.
3) Realização de convênios com pessoas físicas e jurídicas para obtenção de serviços, materiais e medicamentos com preços mais em conta para os associados da Obesolon.
Estamos começando o trabalho e necessitamos de toda a ajuda possível. As reuniões da Obesolon são realizadas na primeira terça-feira de cada mês na Associação Médica do Centro (Praça Primeiro de Maio - Concha Acústica) às 19 horas.
ALBERTO TOSHIO OBA é médico gastroenterologista e presidente da Associação dos Obesos de Londrina (Obesolon)
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