ESPAÇO ABERTO
O Dia da Criança
Dom Orlando Brandes
Jesus, nos Evangelhos, coloca a criança no centro porque na cultura do tempo ela era a última. A presença de uma criança descontrai um ambiente pesado. Carregamos dentro de nós a criança que fomos, muitas vezes, ferida. Curá-la é uma libertação inigualável. A educação de uma criança começa 20 anos antes dela nascer. Tanto quanto necessita de afeto, a criança precisa de disciplina e de aprendizagem dos limites. Freud via na criança um perverso polimorfo com direito a educação, escola, amor.
Entre nós, diminui a mortalidade e a natalidade infantil. Na Europa paga-se caro por uma gravidez. Aquela sociedade está desequilibrada pelo envelhecimento da população. Espera-se a nova criança via clonagem. Será uma solução técnica, mas antiética e desumana. O progresso científico sem o crescimento moral, espiritual e amoroso, permanece um desenvolvimento unilateral. Defendemos a vida humana desde o útero materno.
O útero é sempre a primeira escola. Ali estão sendo decididas futuras implicações na vida do nascituro. O abortamento é homicídio. Os esposos e pais devem marcar presença, e aumentar a dose de carinho e atenção no período da gestação e até no parto. Aos 7 anos de idade, uma criança já passou três mil horas na frente da TV. É uma consumista com cérebro massificado. Ao ir para a Primeira Eucaristia, deve aprender o sistema de solidariedade, de comunhão, de participação. Precisa de muito apoio dos pais nas reuniões de catequese. Uma criança nasce com tendência religiosa. Desenvolver sua religiosidade é um direito natural. Do contrário, teremos crianças consumistas e ao mesmo tempo fugitivas da religião. Isso poderá custar muito caro. Sem Deus somos anormais, perigosos, vazios, frustrados.
Está na onda a família filiarcal cujo centro são os filhos. Por erros de amor dos pais, nossas crianças vão crescendo com um eu onipotente, chegando a ser prepotentes e tiranos dos pais, colocando-os na condição de escravos ou reféns. O outro lado triste e desumano é a exploração do trabalho infantil, a pedofilia, o espancamento de crianças, a separação dos pais, a pornografia na internet, o aborto induzido por quem deveria defender a vida inocente. Amanhã, dia 8, é o dia do nascituro. O embrião tem direito à integridade e ao respeito.
Benditos os pais e famílias, como também instituições que aceitam e promovem a adoção. Toda criança precisa do leite materno, do colo dos pais, de sua presença. Pais que se amam transmitem para seus filhos segurança. Nós da Igreja, precisamos melhorar nossa catequese e missas para ou com crianças. Muito louvável são as iniciativas comunitárias que alimentam e educam nossas crianças pobres. Abençoados e abençoadas são as pessoas que coordenam os coroinhas, a Infância Missionária, a Pastoral da Criança, a catequese das crianças. A criança aprende pela imitação, ela reproduz os adultos. É como uma esponja que absorve o seu ambiente. Seus pais são seu espelho. Quem educa bem um filho gasta sua vida em favor de uma grande causa. A melhor palavra é o bom exemplo.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina
A universidade do futuro
Wilmar Marçal
A Universidade Estadual de Londrina completa hoje 35 anos de atividades. É uma marca histórica que precisa ser repartida com toda a comunidade. Como ex-aluno, professor e atualmente reitor, sinto-me na obrigação de valorizar todo um esforço de gerações que culminou no fato concreto da UEL estar hoje entre as 15 maiores universidades brasileiras.
Para isso basta citar números: uma comunidade de 23 mil alunos, professores e funcionários; 42 cursos de graduação; 171 de pós, sendo 33 de mestrado e doutorado e 55 projetos e programas de formação complementar. Orgulha-me relembrar que todos estes dados importantes tiveram origem humilde, a partir de cinco faculdades que funcionavam nos porões da Catedral e no Colégio Hugo Simas.
Hoje a cidade colhe os frutos deste esforço em forma de produção científica e de prestação de serviços. Nossa região é um pólo de ensino. Temos pelo menos sete universidades e faculdades atendendo milhares de universitários. Mas os resultados maiores ainda estão por vir, com um desenvolvimento estratégico que vai significar mão-de-obra especializada e novas oportunidades.
E é em nome do futuro que gostaria de apontar sugestões para a melhoria da atividade científica, já que a UEL está ligada a uma estrutura estadual de ensino superior. As decisões pertencem ao governo do Paraná. Nestes dias que antecedem o segundo e definitivo turno eleitoral, é fundamental pensar fatores que podem impulsionar nosso Estado, no quesito ensino superior.
No estado de São Paulo, atendendo à determinação Constitucional, o governo definiu um valor fixo do orçamento estadual para as universidades. O mesmo deveria ocorrer aqui, o que em outras palavras significa autonomia para as instituições paranaenses.
Outras questões se fazem também importantes. Um reajuste salarial conforme proposta da Associação Paranaense dos Reitores (Apiesp) e implantação do Plano de Carreiras da categoria; concessão do vale-transporte para funcionários que recebem até três pisos salariais e não três salários; reaplicação do imposto de renda retido na fonte nas próprias instituições; reescalonamento da distribuição dos recursos entre a Fundação Araucária, UGF e Tecpar; concurso público para professor titular. São itens pontuais, de baixo impacto no orçamento global do Estado, mas que significariam eficiência e autonomia para as nossas universidades estaduais.
Neste dia de lembranças de um passado recente, quero agradecer as gerações responsáveis pela semente plantada há 35 anos. Quero dizer que estou otimista com o futuro! É por isto que este aniversário deve ser comemorado.
WILMAR MARÇAL é reitor da Universidade Estadual de Londrina
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