ESPAÇO ABERTO
Gentileza Londrina
Humberto Yamaki
Um curioso Mapa Nacional de Banheiros Públicos permite localizar os mais de 14 mil sanitários de acesso livre existentes na Austrália. Informa ainda, o horário de funcionamento, acessibilidade a deficientes, existência de fraldários, disponibilidade de estacionamento e as alternativas mais próximas.
Projeto do Ministério Australiano da Saúde e do Idoso, permite assim planejar pequenas e longas viagens com as necessárias paradas estratégicas. Proporciona independência e qualidade de vida, principalmente aos idosos, famílias com crianças e pessoas com disfunções, além de dar conforto aos turistas.
Em Londrina, a falta de banheiros públicos é notícia desde os tempos pioneiros. Nos anos 1930-40, ouvia-se a reclamação de proprietários de bares da Avenida Paraná, contra a afluência de fregueses aos seus ''mictorios'' e o uso indevido de cercas e muros do centro da cidade. Pediam a construção de ''mictorios públicos'' na Estação Rodoviária, na Praça Marechal Floriano e na Praça Rocha Pombo.
Está em discussão na cidade o fechamento dos banheiros do Calçadão para criar um grande e único ''banheiro de shopping'', na Praça Marechal Floriano. Além de marcar excessivamente a antiga Praça da Matriz, a centralização de banheiros é uma solução que merece maiores reflexões. Com o aumento progressivo de turistas, visitantes em eventos e da população de idosos, deveríamos nos preocupar em disponibilizar cada vez mais banheiros de acesso fácil. Compactos, simples, limpos, seguros, abertos nos vários horários, gratuitos, localizáveis e espalhados pela cidade.
A desativação dos banheiros públicos existentes deveria ser gradual. Enquanto isso, uma legislação específica poderia incentivar shoppings, museus, órgãos públicos, hotéis, supermercados, estacionamentos, postos de gasolina, lojas, farmácias, postos policiais, cine-teatros, bares, restaurantes, igrejas e escolas, a se adequarem e facilitar o acesso da comunidade às suas instalações sanitárias.
Gentileza era o nome de um programa de rádio em Londrina nos anos 50. Gentileza Londrina poderia ser em 2006, o nome do projeto de incentivo à disponibilização e acesso a sanitários. Dignidade, independência e liberdade.
HUMBERTO YAMAKI é docente do mestrado em Geografia, Meio Ambiente e Desenvolvimento na Universidade Estadual de Londrina
As necessidades das pessoas idosas
João Batista Lima Filho
No dia 27 de setembro foi comemorado o Dia Nacional do Idoso. Exceto as mesmas entidades que há muito tempo já atuam com os idosos e algumas empresas que recentemente estão investindo na valorização dessas pessoas, o que realmente se pode comemorar é o aumento da expectativa de vida da população e assim podermos conviver por mais tempo com a ''sabedoria'' das pessoas idosas. A sociedade como um todo e, principalmente, o poder público estão longe de cumprir sua parte para melhorar a qualidade de vida das pessoas com mais de 60 anos.
Agora estamos diante de um ''argumento demográfico'', onde pela primeira vez os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) do IBGE divulgados em 15 de setembro mostrou que em todo o país o número de pessoas com mais de 60 anos supera o de crianças com menos de 5 anos de idade. A população do Estado é de 10.271.684 sendo 1.023.412 pessoas acima de 60 anos e apenas 772.393 crianças abaixo de 5 anos.
Precisamos estar atentos aos sinais dos tempos, principalmente abertos para ver as necessidades e os desafios das pessoas idosas hoje, porque numa sociedade que avança a passos de gigante e que muda continuadamente, não podemos nos contentar com nossos lentos e curtos passos de tartaruga em realizar ações concretas.
A começar pela aplicação do Estatuto do Idoso, cujo não cumprimento pela sociedade é motivo de ação judiciária, enquanto os poderes públicos agem como se o estatuto fosse mera ''carta de intenções''. Enfim, poderíamos analisar os 290 itens listados entre todas as deliberações finais da 1 Conferência Nacional do Direitos dos Idosos e que precisam ser urgentemente atendidos, mas, para isto necessitaríamos de um jornal inteiro.
Assim, para que todos os esforços feitos até hoje em conseguirmos um envelhecimento ativo não seja apenas um direito de poucos proponho que para cada real investido socialmente pelo poder público com as crianças, também seja investido o mesmo com as pessoas idosas. Caso contrário, haverá uma disputa desnecessária pelos insuficientes recursos e investimentos públicos entre as instituições que cuidam de idosos e as que lidam com crianças.
JOÃO BATISTA LIMA FILHO é médico geriatra e gerontólogo em Cornélio Procópio e coordenador da Pastoral da Pessoa Idosa da CNBB/Paraná





