Voto ético

Dom Orlando Brandes
  Nosso título de eleitor é passaporte para a cidadania ativa, é arma para a defesa do bem comum, é poder na mão do povo. Votar bem, votar certo é votar com consciência bem formada e informada, com responsabilidade e com liberdade. Vota mal quem vota para obter favores e por pressão de alguém. Quem vende seu voto, está vendendo sua própria dignidade e alimenta a corrupção, a deslealdade, a politicagem.
  Votar bem é não deixar-se levar por promessas e palavras bonitas, nem pelas vantagens das pesquisas eleitorais, nem pelos favores recebidos. Grandes são as tentações políticas como: a deslealdade, a mentira, o uso de meios ilícitos, a fome de poder, a sede de enriquecimento, a corrupção. Por outro lado, são grandes as chances de um bom político: o espírito de serviço, a competência, a eficiência, a transparência, o estilo de vida simples, o amor pelos pobres, a luta pela justiça social e pela dignidade da pessoa humana. Grandes chances estão nas mãos dos nossos políticos e nas mãos dos eleitores.
  Diante de tudo isso, nós cristãos, não podemos assumir as atitudes de indiferença, indolência, apatia, desinteresse frente ao voto e a confrontação com os eleitos. Os que se omitem, murmuram, se revoltam, também estão fazendo política. A comunidade humana é uma comunidade política no sentido que a economia, a cultura, as leis, a administração são elementos necessários ao bem comum, à justiça social, à defesa da vida. A tudo isso, damos o nome de política.
  Precisamos formar bons políticos, formar nosso povo sobre o valor da política, para que os eleitos possam exercer sua autoridade sobre a onipotência do mercado e o domínio da globalização que faz os ricos serem mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. O mundo pode ser diferente, mas a política é a mediação para esta mudança e transformação.
  A missão da política é organizar a convivência humana das pessoas, da comunidades e da sociedade. Ela dispõe de poder e de leis para isso. Se não exercer sua função, será refém do poder econômico e da hegemonia do mercado. Aí está a raiz da violência, do terrorismo, da guerra. Os políticos precisam de nosso apoio, nossa cobrança, nossa colaboração, nossa crítica construtiva. Pelo voto ético escolhemos os candidatos mais preparados. Para isso, é preciso analisar as propostas dos candidatos e do seu partido. Portanto, voto ético é voto consciente, voto ao melhor, voto ao justiceiro, voto que desbanca da vida pública os indignos, voto para melhorar a situação social do povo. O político é parecido com o pastor que cuida do rebanho, alimenta as ovelhas fracas, cura as feridas, vai ao encontro da excluída e empobrecida.
  Precisamos de políticos capacitados, de políticos transparentes, de políticos inimigos da cobiça e da mentira, de políticos que respeitem os pilares da missão política: a justiça, a liberdade, a verdade e o amor.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina



O joio e o trigo

Gerson Araújo
  Nunca foi tão fácil separar o joio do trigo como nestas eleições. Como todos sabem Jesus se utilizou de uma parábola para sugerir o cuidado ao se estabelecer o que é bom e o que é ruim, para evitar injustiças. Podemos cometer o erro de confundir o certo e o errado, já que, no início eles se parecem muito.
  Para ficar claro Jesus, conhecedor dos que ouviam, falou da plantação e da colheita do trigo e do joio. Ambas as sementes são plantadas e, na época própria, nascem. São idênticas na sua aparência. Nem mesmo o olho de um especialista detecta a diferença. Só que o trigo é bom e o joio, ruim. E agora, é preciso erradicar o joio e salvar o trigo. Tentar fazer isto nesta fase corre-se o risco de fazer exatamente o contrário.
  Jesus dá a solução que todos os agricultores já conheciam: esperar pelo crescimento das duas plantas pois no tempo da colheita percebe-se claramente qual é a boa e qual é a ruim.
  E qual é a diferença? O joio cresce altivo, ereto e orgulhoso pois seu cachos são chochos, vazios e sem peso. O trigo é diferente pois sua produtividade o faz humilde, isto é, ele se curva pelo peso de suas espigas com milhares de sementes nutritivas. Fica fácil destronar o joio pois a sua aparência de poder revela a sua mentira.
  Amanhã, dia 1º de outubro, vamos colher. O trigo e o joio já cresceram. Só não vê a diferença quem é totalmente ignorante do processo ou também é joio e precisa preservar a espécie para futuras plantações.
  Portanto, basta saber qual o partido político que permitiu, foi conivente e incentivou todos os escândalos que estão vindo à tona desde foi denunciado o ‘‘mensalão’’; quais os políticos, candidatos ou não, que têm seus nomes envolvidos e, principalmente, se dá para acreditar na ‘‘inocência’’ de alguém que, no alto da sua empáfia se diz desconhecedor de todos os fatos além de tachar impiedosamente os seus melhores amigos como traidores.
  E como é bom saber que, neste meio, existe pouco trigo, mas de boa qualidade.
GERSON ARAÚJO é capelão do Hospital Evangélico e pastor da 3ªIgreja Presbiteriana Independente de
Londrina


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