Bacana para prefeito




Wilhan Avila Santin




Se eu fosse presidente de um desses partidos políticos nanicos que sonham com alguém capaz de fazer sucesso nas urnas integrando seus quadros, não teria dúvidas: providenciaria tudo para que o senhor Jair Almeida dos Santos, o popular Bacana, se filiasse ao meu partido. É isso mesmo, estou falando do Bacana, um morador de rua que ''fixou residência'' no cruzamento da Avenida Dez de Dezembro com a Rua Tremembés. Já escrevi sobre ele neste espaço no último dia 25 de junho. Insisto em escrever novamente sobre o Bacana porque ele realmente me intriga. Enfrenta chuva, sol, calor, frio e risco constante de atropelamento, porém não quer sair dali. Não quer mudar de vida.

Recentemente chegou a ser internado em uma clínica psiquiátrica de Londrina. Cheguei a pensar que nunca mais o veria. No entanto, ele pulou o muro na primeira oportunidade e voltou para ''casa''. Mas voltemos a falar sobre a sua candidatura. Acho que ele seria um bom candidato - eleitoralmente falando - por vários motivos, que elenco no próximo parágrafo.

O Bacana é visto todos os dias por muitos londrinenses que passam pela Avenida Dez de Dezembro, portanto é conhecido de boa parte do eleitorado. É simpático, fica acenando enquanto os motoristas buzinam num gesto de saudação. É sincero (perguntei a ele sobre o motivo de sua fuga da clínica psiquiátrica, e a resposta foi curta e imediata: pinga). Finalizo contando com o voto dos insatisfeitos, o voto de protesto, que ajudou a eleger, por exemplo, o catador de papel Paulo Sérgio da Silva (PFL), o Beiçola, como o vereador mais votado do vizinho município de Ibiporã nas últimas eleições municipais.

Destaco também pontos positivos caso o Bacana fosse eleito. Tenho certeza de que ele dispensaria o gabinete. Mandaria instalar uma mesa ali mesmo no cruzamento. Isso facilitaria a localização do prefeito, coisa que anda difícil ultimamente. Ele também não se recusa a conversar com ninguém, logo deixaria felizes aqueles que tentam conversar com o prefeito e nunca conseguem. Nepotismo também não existiria, já que ele não tem conhecimento da existência de seus parentes.

No site de relacionamentos Orkut, o pessoal da comunidade ''Bacaninha'' já fala em providenciar a candidatura de Jair para vereador. Estão sendo modestos. O meu partido lançaria o Bacana para prefeito.

WILHAN AVILA SANTIN é jornalista em Londrina







Londrina e a decadência do Calçadão



Fernando Fabrício Ribeiro




Antes expressão do pujante comércio, pólo cultural e artístico, centro das manifestações da população, foco de resistência à ditadura e à corrupção no Sul do País, o Calçadão da Avenida Paraná vive relegado ao abandono com suas luminárias deterioradas, buracos e seu comércio sendo substituído pela informalidade e ilegalidade, fruto do desemprego resultante da falta de políticas públicas para enfrentar o problema. Seu coreto condenado à moradia dos sem-teto teve que vir abaixo já que quedou-se impossível manter tal estrutura que parece ter se degradado juntamente com o orgulho da população, outrora acostumada com o oásis da ''capital do café'', vivendo hoje tempos de abandono e violência nunca antes presenciados.

A decadência do Calçadão, o mais democrático espaço desta cidade, onde circulam pessoas de todas os perfis (inclusive os tipos mais caricatos e folclóricos da região, com suas cornetas, gaitas, trombetas e assovios), é apenas representativa do momento histórico por que passa Londrina, conduzida por administrações ineficientes, maculada pela corrupção e pelo populismo, observando seus jovens trocá-la por outros centros que poucos anos atrás não possuíam a mesma relevância econômica. Muitos ainda, por falta de oportunidade, recorrem à ilegalidade, a fugas da triste realidade vivenciada. Daí a elevação do índice de homicídios, o avanço dos narcóticos e a criminalidade crescente para uma cidade de porte médio que se orgulhava nos anos 80 de ser um oásis em meio à crise que assolava o país.

Sua população vive desesperançosa, parece não ter forças para alterar seu decadente destino, olvidando-se da lição dos pioneiros, nossos avós, que construíram em poucos anos, com determinação e coragem, no antigo sertão, um eldorado para onde convergiram pessoas do país todo.

Neste caldo o IBGE divulga a informação de que a cidade deixou de ocupar a posição de maior em população do interior Sul do País, segundo seus recentes estudos. Londrina deixou de ser pólo de atração populacional, fruto da falta de perspectiva reinante com a decadência econômica e política que parece não atingir tão fortemente outros centros que planejaram seu futuro.

Perder um posto no ranking das maiores cidades sulistas não é tão importante quanto perder a garra que faz de Londrina um local diferenciado do restante do país, com uma população que sempre possuiu ideais e sempre lutou para transformar situações. Isto ainda não perdemos totalmente! Que as trombetas da descrença e da apatia deixem de ressoar sobre nós!

FERNANDO FABRÍCIO RIBEIRO é advogado em Londrina

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