ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de setembro de 2006
Dom Orlando Brandes<br>Allysson Tescaro Gehring 
Nossos idosos
Dia 27 de setembro é o Dia dos Idosos. Desde o nascimento estamos envelhecendo. A terceira idade é a etapa mais longa da vida. Cada idade tem sua beleza e sua missão. Nossa cultura idolatra a juventude e descarta o idoso. É hora de sua inclusão social.
1. Os idosos são nossos mestres. O idoso é um tesouro de experiência, é alguém rico em maturidade, mestre da escola da vida. Nossos idosos são arquivos de alegrias vividas e de sofrimentos superados. Chegar à idade avançada é sinal de vitória, de luta, de fidelidade, de persistência. Portanto, o idoso não é estorvo, nem candidato à eutanásia, muito menos, alguém descartável. Pelo contrário, é merecedor de gratidão e reconhecimento, pois foram os idosos que construíram a história antes de nós. Eles são nossos monumentos históricos dignos de reverência. É preciso saber ouvi-los. Tornar-se idoso é uma vocação, não um castigo. Aos idosos demos o melhor lugar na família. É louvável em Londrina o respeito, valorização e gratidão aos pioneiros.
2. Os idosos são nossos evangelizadores. Eles nos lembram a fragilidade do corpo e da vida. O idoso é nosso futuro. Todos envelheceremos. Nós seremos amanhã o que eles são hoje. Na terceira idade, a pessoa começa a viver o essencial, percebe o que é relativo e o que é absoluto, distingue a verdade e a ilusão, aponta para o essencial e ao mesmo tempo para a fugacidade da matéria. Nossa vida tem diferentes etapas. Cada qual contém riquezas e limites. Conhecemos idosos fortes e criativos: Verdi e Haydn compuseram músicas até aos 70 anos; Miguel Ângelo terminou a Cúpula de São Pedro em Roma também aos 70 anos. Nós hoje temos idosos evangelizando seus netos, idosos em plena ação nas pastorais e grupos de reflexão. A idade não é só cronológica, mas também psicológica.
3. Os idosos equilibram a sociedade. Eles são guarda de valores, portadores de sadias tradições, memória de aspectos culturais preciosos. Tanto as crianças como os jovens precisam dos idosos para o equilíbrio das gerações. Por isso, os idosos não precisam ter inveja dos jovens, nem viver ressentidos em relação à sua idade. Saberão distinguir solidão e isolamento. Aceitar a lei natural da transitoriedade da vida é sabedoria e realização pessoal. Nada melhor que ser realista e ter bom senso. Não opor-se à lei natural do entardecer da vida é o segredo da alegria do idoso.
4. Descobrir o rosto de Cristo nos idosos, isto nos pede o documento de Puebla, pois eles merecem aposentadoria justa, proteção dos familiares, respeito da sociedade, espaço na comunidade e nas igrejas. Numa sociedade de conforto e consumo, onde é esquecido o sacrifício, o idoso é excluído e rejeitado. É preciso pedir perdão por tal injustiça e insensibilidade. A Pastoral dos Idosos terá cada vez mais prioridade, visto que o Brasil já um dos países com maior taxa de envelhecimento populacional do planeta. A regra de ouro da Bíblia cabe muito bem aqui: Não faça aos outros o que não queres que te façam a ti. É bom lembrar que nós também vamos envelhecer. Confiemos tarefas aos idosos, perdoemos seus defeitos e sejamos agradecidos pela sua existência. A Bíblia prescreve que os idosos sejam sóbrios, sérios, prudentes, constantes, pacientes e fortes na fé e na caridade (Tit 2, 23).
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina
Sobre o risco Heloísa Helena
O artigo O risco Heloísa Helena, de autoria do estudante de Direito Rafael Junior Soares, publicado no Espaço Aberto no último dia 15, mostra com clareza a visão da elite brasileira, principalmente ao se referir ao movimento sem-terra como transfigurado movimento social que na maioria das vezes atua como uma milícia armada, em prol da desordem e prejuízo da agricultura.
Concordo plenamente que muitas pessoas se aproveitam do movimento (invadem fazendas produtivas, matam o gado, etc.), porém, devido a grandes latifúndios e à péssima distribuição de renda no Brasil, muitas pessoas humildes e honestas aderem ao movimento com a perspectiva de sobrevivência. Claro que só teremos convicção da situação dessas pessoas, se passarmos e sentirmos na pele sua situação.
Outro fato que me chamou a atenção foi mencionar somente o nome da Heloísa Helena devido suas promessas utópicas. O tucano Geraldo Alckmin faz muito mais promessas fora da realidade. Promessas que um presidente da República, mesmo com o apoio de deputados, não consegue fazer. E por que não foi mencionado? Será por que como presidente da República Geraldo Alckmin dará seqüência à política burguesa de Fernando Henrique Cardoso?
Promessas ilusórias ocorrem em todos os partidos. Portanto, cabe a nós eleitores analisarmos não somente em qual candidato à Presidência iremos votar, devemos analisar com o mesmo critério os candidatos ao Senado, os deputados estaduais e federais. São estes que realmente governam o país.
O atual presidente tem o apoio do Legislativo? Todos esses escândalos de corrupção foram divulgados porque algumas pessoas que estavam e deveriam estar no poder não estão? Nas privatizações que ocorreram no governo FHC não teve o mensalão?
É mais fácil criticar e julgar o atual presidente, mas e a Câmara dos Deputaodos e o Senado? Quem está lá e qual partido que predomina? O que fizeram e fazem para o bem da nação? Vale a pena votar neles novamente?
ALLYSSON TESCARO GEHRING é estudante em Londrina
Os artigos devem ter, no máximo, 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal. [email protected].


