Pombos e inquisição

  Muito se tem debatido acerca de pombos e da moderna inquisição que se pretende levar em prática contra este ‘‘terrível’’ inimigo da população londrinense, ‘‘maior problema’’ de nosso Município. A responsabilidade por toda esta celeuma é de nossas autoridades municipais que olvidaram-se no decorrer dos anos de realizar a substituição de espécies de árvores de elevado porte, que além de colocarem em risco o cidadão, pois a maior parte encontra-se condenada, são as reais vilãs no caso, já que as pombas não fazem quase ninhos nas árvores de pequeno porte.
  Um argumento muito utilizado pelos defensores de tal barbárie é o da transmissão de doenças. Porém, não encontrei em nenhum veículo de informação local notícia de que alguém morreu por conta das aves. Há os que imaginam inclusive serem nossos pombos portadores de terríveis doenças, perdendo noites de sono por conta dos tais alados animais enquanto o real problema que deveria tirar o sono dos londrinenses, não é solucionado: a segurança pública.
  Quanto à limpeza dos logradouros públicos a falha mais uma vez é de nossa administração. Convenhamos, a poluição provocada por ligações clandestinas de esgoto é muito mais nociva à população, destrói aos poucos nosso cartão postal maior, o Igapó, e nada é feito. O Calçadão de Londrina, outro cartão postal, encontra-se totalmente degradado, imundo, com postes antiquados, muitos destruídos, sem a revitalização necessária.
  Imaginem se tal mobilização popular se voltasse aos reais problemas de nossa cidade, o que não poderia ser mudado? Com a substituição de árvores por espécies adequadas de menor porte, replantio das matas ciliares na zona rural, fechamento das ligações clandestinas de esgoto e limpeza pública constante!
  Quando nasci eram comuns os caçadores com espingardas, estilingues e demais armas. Hoje, com o avanço da consciência ecológica essa realidade deveria estar sepultada. Penso que, de certa forma, os mesmos que antes se escondiam atrás de armas, estilingues e aparatos, agora se escondem atrás desta absurda lei. Que exemplo de consciência ecológica daremos aos nossos filhos? Pobres pombas, sem ter quem as defenda da insana crueldade de nossa míope população.
ANTÔNIO DE OLIVEIRA RIBEIRO é comerciário em Londrina

Telefônicas não colaboram com Londrina

  Todos nós temos consciência de que toda atividade humana gera impacto ambiental. Cabe a cada comunidade, amparada na legislação, proteger-se contra estes impactos e buscar compensações se o impacto ambiental for inevitável.
  Como todos sabem existem em Londrina dezenas de antenas de telefonia celular que emitem radiações eletromagnéticas, de forma contínua, atingindo toda população que passa no entorno das mesmas. E como ainda ninguém pode afirmar com 100% de certeza de que esta radiação não traz prejuízos à saúde dos cidadãos, a sociedade londrinense buscou encontrar meios de se proteger e buscar compensações através de da Lei Municipal nº 8.462 de 13 de julho de 2001, elaborada pela Câmara Municipal e sancionada pelo prefeito.
  A referida lei, baseada no princípio da precaução, previsto em nossa legislação ambiental, estabeleceu uma série de providências e limitações quanto à localização das referidas antenas em nossa cidade. Também previu uma contribuição à época de R$ 5 mil mensais, devida por cada uma das operadoras de telefonia celular em nosso município, que seria depositada na conta do Fundo Municipal do Meio Ambiente de Londrina e somente utilizada em projetos voltados às questões ambientais.
  Demonstrando desinteresse com nossa comunidade as empresas Vivo e GVT, já em 2001, recorreram à justiça procurando se eximir de contribuir para o meio ambiente de Londrina, o que conseguiram liminarmente perante a 5ª Vara Cível de Londrina, porém este procedimento foi derrubado recentemente pelo Tribunal de Justiça do Paraná.
  Na medida em que a lei municipal voltou a ter aplicabilidade, pela decisão da Justiça, iniciaram-se entendimentos com os representantes das empresas para começar a cobrança da parcela prevista na referida lei, a partir de agora, e negociações para estabelecer critérios para o pagamento dos atrasados desde 2001, data prevista naquela lei.
  Surpreendentemente, mais uma vez, a Vivo e GVT, confirmando sua disposição de não colaborar com o meio ambiente de Londrina, recorreram agora ao Superior Tribunal Federal e conseguiram nova liminar suspendendo temporariamente o pagamento previsto em nossa lei municipal.
  O argumento de seus advogados é de que o município estaria querendo legislar em matéria prerrogativa de legislação federal. Numa simples análise jurídica verifica-se não ter procedência, pois a legislação de uso e ocupação do solo e a legislação ambiental é competência dos municípios.
  As empresas Vivo e GVT, que vieram a nossa cidade angariar clientes para seus serviços de telefonia e com isto obter lucros em suas operações comerciais, deveriam contribuir com uma parcela mínima de seus resultados em favor do meio ambiente de Londrina e deixar seus advogados se preocuparem com questões maiores para sua corporação. Temos ainda esperanças que a Vivo e a VGT irão rever sua estratégia comercial não deixando que atitudes como estas, contra o interesse de Londrina, prevaleçam em sua relação com a cidade.
FERNANDO DE BARROS é presidente Conselho Municipal do Meio Ambiente (Consemma) de Londrina

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