ESPAÇO ABERTO
No Dia da Árvore, mais um alerta
Eduardo Panachão,
Gustavo Marconi e
Carlos Eduardo Levy
São muitos os conhecimentos que dia a dia os geógrafos, jornalistas, biólogos, advogados, empiristas e estagiários da Organização Não-Governamental Meio Ambiente Equilibrado (MAE) acumulam no estudo da cidade. Mas, em Londrina, não é preciso ser especialista para notar que as nossas árvores estão agonizando.
Qualquer cidadão vê que há tempos caiu o marketing de mais arborizada das cidades, ao lado de Maringá. Na nossa curta história, as árvores perderam toda a importância. Nas praças, no canteiro da Higienópolis, no Parque Cabrinha, no Lago Igapó ou nos 81 fundos de vale de Londrina - e ainda nas ruas quentes e nuas de verde do centro e dos bairros - não existe plano de gestão arbórea.
Estudo da Prefeitura de Londrina, infelizmente esquecido na gaveta, aponta que faltam 2.831 árvores em 55 ruas apenas do quadrilátero central. Dois exemplos: a Rua Sergipe tem 87 árvores; faltam 102. Na Rua Mato Grosso, segundo o estudo oficial, faltam 234 árvores ante às 142 existentes. Escandaloso.
Sem repressão, a maioria foi liquidada com a desculpa de que estava no lugar errado, à frente de outdoors e fachadas comerciais. Até instituições de ensino de Londrina removeram-nas em detrimento da visibilidade do negócio. Há centenas exterminadas, sob as barbas da administração, porque, com o rebaixamento ilegal do meio-fio, as árvores atrapalham a entrada de estacionamentos sobre calçadas. Londrina deve entender que onde há uma vaga na calçada de um estabelecimento, havia uma árvore no meio do caminho.
Doentes, com parasitas, depredadas ou suprimidas, hoje as árvores da nossa cidade são reféns fáceis. Até mesmo a empresa de capina e roçagem, terceirizada da CMTU, teve que ser ''enquadrada'', conforme já noticiou esta Folha, diante dos inúmeros danos a árvores causadas pelos fios das roçadeiras. Seja na duplicação da Rua Goiás ou da Rodovia Carlos Strass, onde estão soterradas, seja como suporte de propagandas de lojas para anúncios e mostradores, as árvores padecem. E, com um prego, sepultamos o respeito ao pendurarmos o nosso lixo nelas.
Para evitar que se tornem apenas adereços urbanos, essa defesa é a nossa homenagem. Entre plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro, há, para todos nós de Londrina, um caminho todo pela frente.
EDUARDO PANACHÃO, GUSTAVO MARCONI e CARLOS EDUARDO LEVY são membros da Organização Não-Governamental Meio Ambiente Equilibrado (MAE)
Visualizar a paz e tudo que queremos
Walmor Macarini
Condenar sistematicamente os males do mundo e não evoluir além disso será um gasto inútil de energia, sem nenhum resultado positivo. Além do que as palavras têm poder criador, e quanto mais se menciona um mal, mais ele tende a se robustecer. Assim ocorre também com as boas coisas. As pessoas têm uma tendência mórbida de exaltar as falhas humanas e não ressaltar as virtudes, e assim aquilo que não é bom vai ficando pior.
Palavras, pensamentos e sentimentos inqualificados realimentam as coisas ruins, e os resultados são as explosões, que ocorrem aqui e ali, em forma de doenças, desastres, convulsões sociais, guerras e inclusive as tempestades climáticas. Porque uma só força rege todas as coisas e inclusive a natureza, que opera em consonância e por isso também reage. Um vendaval não acontece por vontade divina e não apenas pela desagregação ambiental, mas também pela corrente dos pensamentos humanos de baixa densidade.
Uma boa prática é visualizar a paz e todas as formas de bem-estar, aí incluídas as coisas melhores que desejamos, desde as pequenas até as grandes e aparentemente difíceis. O poder das palavras, pensamentos e sentimentos funciona tanto para o mal como para o bem. Visualizar é criar na mente com sinceridade e amor, em favor de nós mesmos, para os mais próximos e para a humanidade.
Se houver - por exemplo - uma vigorosa corrente, sincera e sem rancor, visualizando o fim dos políticos corruptos, os resultados virão mais facilmente do que outras formas de ação (e estas também são indispensáveis, obviamente). Tudo o que realizamos foi primeiro criado na mente. Se não temos criado um mal para nós próprios e mesmo assim ele acontece, é porque viemos semeando malquerências, maledicências, conversas fúteis carregadas de críticas, e isto funciona com uma bola que lançamos contra a parede: ela vai e volta com a mesma intensidade.
A arte de visualizar mentalmente o que desejamos, concretiza-se, se houver amor nisso, fé no próprio poder e persistência. Alerta-se que isto vale também para as coisas más. Por isso não é bom apontar defeitos alheios e nem os pessoais, porque isto consolida-se. O que é uma oração senão a mobilização de pensamento e sentimento? Na prece, visualiza-se. Mas não se deve orar apenas pedindo, mas sentindo, desejando, com derramamento de amor pela causa. Desenhando, imaginariamente, a figura do que se deseja e mentalizando já concluída a coisa, ela acontece. Começando por pequenos experimentos - e ao mesmo tempo abandonando palavras e sentimentos de baixa qualidade - logo se verá o resultado.
WALMOR MACARINI é jornalista na Folha de Londrina





