Eleição e os novos salteadores do templo

A Igreja, a incorruptível Noiva de Cristo, vem-se transformando em um verdadeiro curral eleitoral de homens que se apresentam, nada modestamente, como candidatos de Deus, os quais, sob as mais diversas desculpas, reclamam votos de ''seus fiéis''.
Segundo proclamam, a presença de um líder cristão no Poder Legislativo é imprescindível para combater propostas legislativas contrárias à vontade de Deus e à sua igreja, garantir o direito de liberdade de culto, e eliminar a corrupção instalada nas Casas Legislativas.
Porém, a crise de referência ou de legitimidade não ronda apenas o domínio político. Percebam os ''candidatos de Deus'' ou não, o que está em jogo é o prêmio de Balaão, histórico caso de um profeta do antigo testamento que pretendia abandonar o povo de Deus seduzido pelo ideal de poder político e de riquezas. ''Ai deles!'', diz a Escritura Sagrada (Epístola de Judas, 1:11), pois se entregaram ao mesmo erro. Usam os templos como os mercadores que foram enxotados por Cristo. Transformam a casa de oração em covil de ladrões, os altares sagrados em palanques políticos, seus sermões em discursos, e os crentes em um mero instrumento eleitoral.
Apascentando-se a si mesmos, exploram a ingenuidade dos simples de coração, escudados no mito de que dominam ''a verdade''. Depois de tudo voltam: alguns tais como o filho pródigo, flagrados em escândalos diversos, alguns outros novamente sedentos, deslumbrados com os holofotes e honrarias de homens, apostando mais uma vez na filosofia da esperteza e da força, no infalível esquema humano arquitetado no seio da igreja. Fica assim em segundo plano sua missão fundamental de pregar o evangelho aos humildes, cuidar das ovelhas de que darão conta e, principalmente, zelar pela sua própria alma.
Como disse Paulo aos coríntios, lembrando que nem tudo cabe na igreja, ''um pouco de fermento faz levedar toda a massa''. O artifício humano de eleição em nome de Deus destrói a reputação da igreja, a sua credibilidade, seu ensino, e por isso tem de ser discutido.
As manifestações de grande poder de Deus não ocorreram quando a igreja era cúmplice do rei e se fazia com ele um só, acobertando inverdades e injustiças. Quando das perseguições, que tanto dizem temer os candidatos como argumento para representação política, é que se multiplicavam os sinais e maravilhas nas assembléias de Deus.
A manifestação democrática somente se opera quando se coíbe a interferência do poder de autoridade em desfavor da liberdade de voto (Código Eleitoral, art. 237), garantindo-se ao cidadão o direito de escolher seu candidato sem o temor de que o exercício de tal opção lhe custe, por exemplo, a fidelidade que tributa a Deus e aos irmãos.
Ao pastor, o cajado! Às ovelhas, bom trato! Ao cidadão, o direito do voto livre! À Casa de Deus, santidade! Ao parlamento, mulheres e homens de bem!
JOSÉ ANTONIO SAVARIS é juiz federal em Curitiba e professor do Instituto Teológico Quadrangular


O risco Heloísa Helena

  Nas eleições de 2002, Lula era a esperança do Brasil, apontado como o candidato que traria mudanças extraordinárias para o país, principalmente através da realização de suas promessas grandiosas de transformações apresentadas no decorrer de toda sua campanha eleitoral. Dessa forma, após quatro anos do atual governo, nosso ilustre presidente se deu conta da dificuldade de se administrar toda a máquina pública e, em contrapartida, a facilidade de se anunciar promessas eleitoreiras sem que haja nenhuma possibilidade do administrador público concretizá-las. Não bastasse, viu-se refém de vários organismos nacionais e internacionais em sua gestão ao tratar dos interesses nacionais.
  Diante disso, parecia o fim das promessas eleitoreiras dos candidatos ao cargo mais alto da República e conseqüentemente viria a conscientização dos eleitores ao votarem nos presidenciáveis, certo? Errado. Após 4 anos da frustrante experiência lulista, é curioso verificar o apoio de parte do eleitorado à candidata Heloísa Helena, advinda do inexpressivo partido PSOL. Famosa por seus discursos, que chamam a atenção não por seu conteúdo, mas constantemente pela forma como são vociferados, a referida candidata alegou recentemente, em programa de grande repercussão nacional, entre outros descalabros, que não necessita do Congresso Nacional para governar, o que soa no mínimo falta de respeito com o Poder Legislativo.
  Ademais, muito conhecida por ser uma obstinada defensora do Movimento Sem Terra, hoje um transfigurado movimento social que na maioria das vezes atua como uma milícia armada, em prol da desordem e prejuízo da agricultura. Chama atenção as promessas supra-apresentadas pela candidata Heloísa Helena, sem mencionar a maneira tão natural ao prometer desonrar os compromissos com os credores nacionais e internacionais do Brasil, como se tal medida nada fosse afetar a estabilidade econômica.
  Merece atenção o entusiasmo que os latino-americanos possuem por candidatos que se autodenominam nacionalistas, os quais propõem medidas populistas e totalmente fora de contexto com a realidade. Governar e realizar o que foi prometido em campanha são coisas antagônicas e, nessas eleições, novamente teremos que enfrentar um candidato dessa estirpe, como fora Lula em 2002, cabendo a nós, eleitores, afastarmos esses radicais do poder, sob pena de caminharmos em direção ao grande futuro que hoje se encontram nossos vizinhos bolivianos, venezuelanos e cubanos.
RAFAEL JUNIOR SOARES é estudante de Direito na Universidade Estadual de Londrina

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