Quem é o culpado?<

  Aproxima-se a eleição e são sempre as mesmas coisas: discursos em defesa da ética, da honestidade, dos políticos sérios, da importância do voto, da escolha certa. O que é o certo? O que é ética? O que é honestidade? E político sério, o que é?
  O indivíduo possui valores diferentes, costumes diferentes, necessidades diferentes e,
por isso, age de maneira diferente em situações semelhantes.
  Quem está errado, o brasileiro que troca seu voto por uma bolsa-família ou aquele que troca pela securitização de suas dívidas? O que é mais desonesto, subornar um guarda para não ser multado, sonegar para não pagar imposto ou desviar verbas quando do exercício de mandato? É menos ético apresentar um atestado na empresa que trabalhamos para que não nos desconte o dia, mesmo não estando doente
ou o político que promete e não cumpre? O prejuízo é maior quando o político no exercício do mandato é incompetente ou quando ele é desonesto?
  Se você consegue responder essas perguntas, se você nunca furou uma fila, se você nunca votou em ninguém apenas porque ele era seu amigo ou ele defendia seus interesses, ou ainda, se do jeito que está o sistema, está bom para você e não importa o macro, então acredito que você terá que fazer um outro questionamento: eu existo?
  Não estou aqui fazendo apologia à venda de voto ou a desonestidade, estou apenas expressando uma reflexão, pois ao apontar o dedo e julgar a atitude dos outros nos esquecemos que cometemos erros parecidos. Talvez de costumes diferentes, e nos esquecemos que se eles são desonestos, a culpa é nossa. Ninguém chega ao cargo sem voto, eles representam a vontade da sociedade.
  Uma sociedade onde o rico desonesto é
‘‘esperto’’ e o pobre honesto ‘‘idiota’’, para
que eu ganhe alguém tem que perder. Precisamos construir um mundo em que todos possam ganhar.
  Por que não começarmos a fazer a nossa parte, se cada um de nos limparmos a frente da nossa casa e não sujarmos a frente da casa do nosso vizinho, a cidade ficará limpa. Vamos melhorar a matéria-prima para que a partir disto possamos ter um produto de qualidade, e assim nos transformar em uma nação, em uma raça, deixando de ser simplesmente um povo.
ANGELO LUIZ ORCELLI é graduado em Administração de Empresas, consultor master practitioner com PNL e empresário na área metal mecânica em Cambé


A multidimensionalidade do homem


  O homem pensa-se apenas o seu corpo físico, a porção que ele vê, toca e sente – o limite que a ciência convencional lhe estabeleceu, pois esta só admite o que enxerga ou apalpa. Mas o homem é multidimensional, tem várias realidades simultâneas – leia-se vários corpos, a partir dos inferiores até os suprafísicos. Estes se estendem pela vastidão do infinito. Por isso, cada um de nós está, neste momento, vivenciando experimentos também em outras
dimensões.
  E o universo é todo ele pleno e não tem vazios, embora os cientistas – até onde seus limites alcançam – falem dos grandes vácuos. Não há vazios entre os corpos celestes visíveis, porque mundos paralelos, luz, som e energias vibram em toda parte. Visíveis ou invisíveis aos olhos carnais, eles preenchem tudo. Os entornos da crosta terrestre são tão povoados quanto a superfície, e o interior da Terra idem. Não iremos entender isso se imaginamos que todos os seres têm a mesma dimensão e densidade que as nossas.
  Estamos rodeados de seres invisíveis (ou visíveis para poucos), tão próximos a ponto de lhes sentirmos a presença. Eles e nós, em nossas múltiplas realidades, interagimos em tudo, embora nos pensemos isolados e limitados a este minúsculo corpo físico. Temos dimensões que se compõem de matéria sutil, de que a ciência oficial ainda não se ocupa. A porção terrena que forma nossa fisicalidade é apenas uma das partes do nosso ser total. Por isso não somos pequenos, mas em nossa múltipla dimensão compomos a Totalidade e tocamos ‘‘o Céu a Terra’’.
  Apenas a morte física ainda não nos revelará essa multidimensionalidade, pois a maioria dos mortais continuará, de imediato, com as mesmas crenças e descrenças e com o mesmo entendimento da vida terrena. Porque o homem não tem permitido a abertura de seus portais de luz e de evolução. Funda-se numa religião e não busca o entendimento, chegando a temer quando acenos lhe chegam. Como de quem nunca desejou ir à escola, embora aberta à sua frente e com o mestre pronto. O homem deve entender-se como um ser supradimensional, cuja estatura se expande pelo Universo.
  Cada indivíduo compõe a plenitude cósmica. Como a gota compõe o oceano. Cada gota integra o grande mar, que sem a soma das gotas não seria. Assim o que denominados Deus, que não seria sem o homem e todas as criaturas que povoam o cosmo e todas as coisas. Que tamanho tem a gota? Tem o tamanho do oceano. Que tamanho tem o homem? Tem o tamanho de Deus. Não há limite em sua dimensão total. Na soma de suas múltiplas realidades o indivíduo é onipresente.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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