ESPAÇO ABERTO
O tabu da homossexualidade
Moacir Costa
É muito difícil para um jovem assumir a homossexualidade diante de uma família que não a aceita e também diante de uma sociedade que não a tolera. Muitos jovens se torturam quando descobrem uma tendência ou sentimento homossexual. Os pais, por sua vez, tendem a se sentir culpados (''Onde foi que eu errei?'', o que na verdade evidencia uma ilusão de onipotência, como se ao atribuir para si a responsabilidade pela opção sexual do filho, também tivessem o poder de revertê-la. Às vezes, a educação pode até contribuir nesse sentido, mas em dose pequena.
Os pais precisam ter em mente que ainda faltam muitos elementos para especular sobre os reais motivos que levam à homossexualidade e 10% acabam preferindo se relacionar com pessoas do mesmo sexo ou se sentem atraídas por elas. Como se desconhecem as causas da homossexualidade, é inaceitável que exista discriminação, preconceito e hostilidade, atitudes que abalam a segurança da pessoa que está descobrindo a sua sexualidade e tornam esse processo mais angustiante.
Infelizmente, os pais tendem a transmitir ''conhecimentos'' ou ''informações'' baseados em preconceitos, mitos e idéias falsas. Na verdade, seria necessário que isso fosse realizado a partir de evidências clínicas objetivas e informações corretas que possibilitem aos adultos um debate franco e aberto, evitando transmitir ao adolescente conflitos inerentes à sua própria vida sexual. Os pais preocupados com a sua ''virilidade'' tendem a exigir dos filhos uma sexualidade que eles provavelmente idealizaram, mas jamais alcançaram. Estimular ou cobrar a heterossexualidade do filho e a docilidade e meiguice da filha, pode configurar uma fonte permanente e inesgotável de inseguranças e conflito sexual.
Por isso mesmo, o jovem que apresenta um desejo homossexual nutre um grande medo da reação dos outros, sobretudo dos familiares. Esse medo pode virar paranóia, alimentada pelas atitudes da família, a qual age como se percebesse no filho um ''defeito'' que precisa ser corrigido à força. Muitas vezes, o filho acaba arranjando uma namorada falsa só para satisfazer a expectativa dos pais, uma maneira de adiar o problema.
Quanto maior a hostilidade e a agressividade, mais o filho se retrai, podendo chegar a sair de casa, porque se sente marginalizado. Nesse caso, a sua relação com a figura paterna costuma ser frágil, sendo quase inexistente a amizade entre eles.
Os pais precisam buscar orientação para entender o processo, às vezes doloroso, que o filho está passando. A homossexualidade deve ser encarada com apoio, carinho e atenção. Infelizmente, a maioria dos pais não está preparada para agir dessa forma, mas quando existe vínculo de afeto entre o jovem e a família, a aceitação é bem maior.
Conversar serenamente é o melhor caminho, porque essa atitude diminui o conflito do jovem e melhora sua autoconfiança num período muito importante de sua vida, onde sua personalidade está se estruturando e amadurecendo. E, independentemente das preferências sexuais, é fundamental que pais e filhos mantenham uma relação afetiva intensa e permanente.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo
Resgatar valores para uma sociedade melhor
Wilmar Marçal
Os valores humanos são como herança, precisam ser repassados de geração em geração, independente de raça, cor, religião ou etnia. É com este espírito que estamos promovendo nesta segunda e terça-feiras solenidades de hasteamento de bandeiras no Colégio de Aplicação e no Campus Universitário, com direito a Hino Nacional, estudantes perfilados e convidados. Queremos contar com a presença maciça de alunos, professores e servidores. A idéia que parece ultrapassada precisa ser refletida sob um ponto de vista claro. Que sociedade estamos projetando? Que valores damos à nossa democracia?
Tenho visto severas críticas disparadas contra políticos e instituições. Até acho que muitas são merecidas. Como todo cidadão também não estou satisfeito com os resultados práticos das últimas CPIs e me indigno, como toda pessoa de bem, quando penso que tivemos comprovação para as denúncias de superfaturamento de ambulâncias.
Pois estas questões têm tudo a ver com valores esquecidos como o Hino Nacional, nossa bandeira verde-amarela e o gesto simples de participar de uma cerimônia cívica na Semana da Pátria. Só poderemos ter cidadania plena a partir do momento que nossas escolas valorizarem estes gestos. Como fazíamos nas décadas de 60 e 70. Foi na escola - aliás fui estudante do Grupo Escolar Hugo Simas e do Colégio Vicente Rijo -, que aprendi a respeitar estes valores. São marcas fundamentais para mim hoje. É por ter isto tão forte que posso dizer que sou cidadão indignado.
Nos Estados Unidos é muito comum os cidadãos erguerem mastros para exibir a bandeira do país em suas próprias casas. É um costume por lá que demonstra o valor que o norte-americano tem dentro de si. Diferente daqui do Brasil onde nosso Pavilhão Nacional fica restrito a gabinetes de autoridades ou nos pátios externos de órgãos públicos.
Acredito que as escolas deveriam aproveitar a Semana da Pátria para debater os reais problemas brasileiros. É uma oportunidade para levar para dentro da sala de aula questões como falta de dinheiro para aparelhar instituições de ensino, filas enormes para cirurgias ou recursos insuficientes para a microempresa ou para a pequena propriedade. Vivemos em uma sociedade de valores invertidos, onde vemos os problemas, mas as soluções parecem distantes e até impossíveis.
Enfim, o resgate de valores da pátria é fundamental para formar gente indignada. Por isto quando assumi a reitoria da Universidade Estadual de Londrina entendi que poderia colaborar ao promover - juntamente com toda nossa equipe de professores e funcionários -, cerimônias cívicas durante a Semana da Pátria. É exatamente o que estaremos fazendo nestes dias, com a devida colaboração da Banda de Músicos de Londrina e do 5º Batalhão da Polícia Militar. Toda a sociedade é bem-vinda neste encontro que busca exatamente refletir que país desejamos.
WILMAR MARÇAL é reitor da Universidade Estadual de Londrina





