ESPAÇO ABERTO
Bíblia, carta de amor
Setembro é o mês da Bíblia para que a Palavra de Deus se torne o livro de cada dia. Não basta amar uma pessoa. Ela precisa saber que é amada. Na Bíblia Deus escreve, declara e comunica seu amor por nós. ''Deus fala como a um amigo'' (Ex 33,11). Ler a Bíblia é ouvir o amigo e sua declaração pública de amor. A Escritura Santa é uma carta de amor. Quem a escreve está apaixonado por você, leitor (a). Ele ama até ao ciúme.
O Livro Sagrado é para ser comido, interiorizado. ''Toma o livro e devora-o'' (Ez 3,1-3), tem sabor de mel, é luz para os olhos, tem o valor do ouro e da prata (Sl 18,9-11). A Bíblia é o livro da vida (Ap 20,12). Gandhi costumava dizer que ''a bomba atômica nada é, comparada com a força da Bíblia''. Só nos resta ter ouvido de discípulos e entrar na escola da Palavra para termos a língua de profetas e o pé de missionários.
A Igreja venerou as Escrituras da mesma forma como o próprio Corpo do Senhor. A Bíblia é o tabernáculo onde Jesus está vivo, fala, ensina, repreende, corrige e forma na justiça (II Tim 3,16). A Igreja deve ouvir piamente, guardar santamente e expor fielmente a Palavra Divina, diz o Concílio. Assim, o mundo inteiro ouvindo as Escrituras acredite; acreditando, espere; esperando, ame.
A Palavra de Deus tem poder criador, poder fecundante, poder regenerador. A Palavra é ''espírito e vida'' (Jo 6,63). Deus criou o céu e a terra pela Palavra e sempre somos recriados e regenerados pela semente incorruptível da Palavra (IPe 1,24). Pecadores, doentes, bandidos, drogados, alcoolizados, prostitutas e tantos outros foram e serão recriados e regenerados pela Palavra criadora e fecunda. Deus faz novas todas as coisas pela sua Palavra. Eis porque a Bíblia é uma carta de amor. Quem quer vencer o mal tem o martelo (Jr 23,29) e a espada (Ef 6,17) que é a Palavra.
A Bíblia nos diz o que Deus pensa, sente, quer, deseja. A Palavra é alimento da alma, luz para a mente, força para a vontade, alegria para o coração, sabedoria dos humildes. As Escrituras nos tornam mais sábios que nossos mestres, mais prudentes que nossos inimigos, mais sensatos que os anciãos. A estrela da manhã nos encontre lendo a Palavra Divina e a estrela da tarde nos encontre com a Bíblia na mão. Eis nosso lema: ''Bíblia na mão, no coração e pés no chão para a missão''. Participemos do dia da Palavra em nossa Arquidiocese.
A Palavra deve soar no ouvido, dilatar o coração e ser proclamada com os lábios. Daí a necessidade de leitores preparados, bons microfones, igrejas com boa acústica, círculos bíblicos, cursos e escolas bíblicas e a leitura orante da Bíblia diária e com hora marcada. Chegou a hora de transformar o catolicismo devocional e sacramentalizador em catolicismo bíblico. Olhemos mais para a Bíblia que para o espelho, o computador e a televisão. Tenhamos olhos fixos na Palavra porque ali está a revelação do amor, o juramento de amor, a aliança de amor, a prova de amor, o testamento de amor. Saiba e creia que você é amado (a) lendo e vivenciando as Escrituras.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina
O trabalho informal
Junker de Assis Grassiotto
A legislação de um país deve representar os usos e costumes do seu povo. Por desrespeitar essa regra é que existem leis que pegam e leis que não pegam.
Todos os indicadores mostram que a informalidade no Brasil atinge níveis absurdos, acima de 60%, portanto dois terços dos brasileiros vivem nela, levando-se em conta também os empregadores. Por que isto acontece e que atitude tomar a respeito? Respostas: a) porque a legislação atual não se coaduna com a realidade; b) é preciso mudar a CLT. Ninguém, empregado ou empregador, quer ou gosta de cometer qualquer tipo de infração, pois o senso do que é correto está dentro de cada um de nós.
Quando a situação ainda não era tão grave, conversei com um deputado amigo sobre este assunto e na época me disse ser impossível fazer alterações na essência da lei por se tratar de direitos adquiridos. Que direitos adquiridos são esses que só beneficiam um terço da sociedade? Esse argumento, hoje, não tem nenhuma validade.
Os encargos sociais vigentes são tão violentos que induzem à sonegação. Uma hora trabalhada custa cerca de duas vezes e meia o valor da remuneração que o empregado recebe por ela. Diante disso, vemos as pessoas considerarem a situação atual como normal, pois quando todos são marginais ninguém é marginal, marginal aqui no sentido de viver à margem. Tornou-se natural contratar mão-de-obra sem registrar, por uma questão de sobrevivência da empresa no mercado.
A sociedade precisa se manifestar incisivamente para que seus representantes atuem. Infelizmente, nos três níveis de governo, existe um consenso de que o importante é se tentar criar empregos através de incentivos esdrúxulos, como vem acontecendo na construção por mutirão. Acham que fazem um grande bem, entretanto, com soluções desse tipo, somos empurrados para o quarto mundo, assistindo a produção ser desestruturada.
Impossível não lembrar também do comércio ambulante, destruidor do emprego formal, que as autoridades deixam de coibir, fingindo não ver. Esse, entretanto, já é um outro assunto.
JUNKER DE ASSIS GRASSIOTTO é engenheiro civil em Londrina, doutor em Arquitetura e Urbanismo e presidente do Sinduscon Norte





