Seu funcionário é toda a sua empresa

Abraham Shapiro

É preciso ter cuidado na hora da contratação de funcionários. Que tipo de pessoa para o atendimento ao público devemos buscar no mercado de trabalho, por exemplo? Maciel, meu amigo farmacêutico, nos ajuda a dar uma resposta a esta pergunta. Ele tinha a maior farmácia da cidade. Dificuldades surgiram e ele começou a economizar onde não devia. A partir de então, quando escolhia um novo balconista, concentrava-se somente no salário. Queria pagar o mínimo possível. Não oferecia comissões nem benefícios.
Na teoria do Maciel, a farmácia se vendia sozinha. ''Até um macaco pode pegar medicamentos da prateleira e cobrar por eles'', dizia ele como explicação. Com essa atitude, ele sacrificava uma lista enorme de quesitos importantes a serem considerados na seleção, como: comunicação, capacidade de aprendizagem, facilidade de estabelecer relacionamentos e detectar necessidades, empatia, ser verdadeiro, ter um sorriso constante nos lábios e chamar as pessoas pelo nome. Aos poucos, isso foi comprometendo os resultados da loja.
Passado um tempo, todo o quadro de funcionários já não reunia as condições mínimas para o padrão de atendimento que seu público buscava. Chegou ao ponto que talvez um grupo de macacos bem treinados pudesse, de fato, atender melhor. Era notória a falta de qualidade. A concorrência, enfim, percebeu isso e correu para aproveitar a brecha. Hoje, no endereço da farmácia do Maciel funciona uma lavanderia e, por ironia, há três lindas garotas que atendem no balcão. Elas são ótimas e entenderam o que fazer para garantirem seu emprego. O negócio está indo de vento em popa.
A lição é clara: seja qual for o montante investido no negócio, todo ele concentra-se nas mãos do funcionário no momento do atendimento. O atendente representa toda a organização quando está diante do cliente. Ele é a organização inteira. Finalmente, uma pergunta para sua reflexão: você tem certeza que conhece bem as pessoas nas mãos de quem está deixando o seu capital? Pois então, pare de se preocupar com o gerente do banco onde está sua conta, e olhe um pouco mais para quem, de fato, multiplica - ou diminui - seu suado dinheirinho. Depois disso, convença-se, enfim, de que o desenvolvimento e o progresso profissional destas pessoas significa o real e correto investimento que você precisa fazer para que o seu capital cresça.

ABRAHAM SHAPIRO é consultor, especialista em treinamento e desenvolvimento de pessoas e desenvolvimento de lideranças em Londrina


Cigarro, vilão do sistema vascular

Kasuo Miyake
  Cada década de nossa vida tem um foco diferente. Em geral, a fase da adolescência é o momento da diversão e das descobertas - que é quando muitos acabam experimentando o cigarro e adquirindo o vício, tão difícil de largar. Depois vêm os 20 anos, geralmente voltados aos estudos e à colocação profissional e seguidos por uma década de intensa dedicação ao trabalho. E só na década seguinte, dos 40 anos, é que os efeitos do fumo começam a ser percebidos, ainda mais se somados a outros maus hábitos muito comuns, como o estresse, o excesso de trabalho e o sedentarismo. O problema é que muitas vezes esses efeitos só são sentidos quando é tarde demais para tratá-los.
  Segundo a Organização Mundial da Saúde, o consumo de tabaco é o principal causador de mortes evitáveis. Responde diretamente por quase 5 milhões de mortes ao ano no mundo - número que deve chegar a 10 milhões em 2020 se o padrão de fumo continuar como é hoje. Daí a importância da conscientização de todos (crianças, adolescentes e adultos) no Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado hoje.
  Dentro da tendência da medicina moderna, de enxergar o paciente como um todo, o cigarro é de fato um vilão inigualável, pela extensão de males que é capaz de causar. Traz problemas cardiovasculares, diversos tipos de câncer e enfisema pulmonar, além de problemas estéticos, como envelhecimento precoce da pele e da voz. E nem os fumantes passivos nem os ‘‘sociais’’ (que dizem consumir cigarros apenas em festas) estão livres disso. Especificamente na área vascular, o fumo interfere na microcirculação sanguínea, já que os glóbulos vermelhos têm mais afinidade pelo monóxido de carbono do que pelo oxigênio.
  É por isso que, durante o tratamento de problemas vasculares, também segue-se a tendência multidisciplinar, combinando reeducação alimentar, prática de esportes no mínimo três vezes por semana e, é claro, incentivo ao abandono do cigarro. Quando o fumante percebe as melhoras na qualidade de vida depois de deixar o vício, fica mais fácil evitar recaídas. E há o efeito multiplicador ao se evitar que ele se torne um mau exemplo para outros jovens que, na fase da experimentação, não sabem os problemas que o cigarro lhes reserva. Entre nesta batalha no Dia Nacional de Combate ao Fumo. Sinta o prazer e o orgulho de ser um
ex-fumante.

KASUO MIYAKE é cirurgião vascular com doutorado em cirurgia pela Universidade de São Paulo e diretor da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia

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