Fantasmas invadem Londrina

Osvaldo Cardoso Ribeiro
  Os políticos fantasmas que somem de Londrina, num piscar de olhos, voltam às ruas e meios de comunicação. Não fizeram nada em seus mandatos e pensam merecer a reeleição. Que absurdo! Com os milhões que vão gastar e a memória curta do eleitorado podem reassumir seus postos e tudo ficar do mesmo jeito.
  A maior parte desses invisíveis governantes está acima da lei. Fizeram tanta coisa errada, caíram de cabeça no mar da corrupção, dando braçadas contra princípios morais, sagraram-se vencedores e ilesos de toda sacanagem feita ao povo.
  Desde os minúsculos municípios até o mundo fascinante de Brasília, os maiorais estão em seus gabinetes vivendo um Brasil ilusório. Com o maior descaramento mostram-se sábios, bondosos, cheios de bons projetos na mesma ladainha de sempre. Será que eles pensam que podem enganar sempre? Eleitor, você tem o poder através do voto de mudar isso.
  Os políticos são eleitos por você. É preciso evitar reeleger estes políticos invisíveis que querem somente cargos e depois lhe dão as costas. Agora, como aves de rapina, voltam aos seus ninhos.
  Os governantes não devem pautar suas carreiras políticas com ambições capitalistas. É estranho perceber que alguns fantasmas do poder têm milhões para gastar em campanha para reeleição. De onde vem essa fortuna? Crescem seus bens pessoais, que milagre é este? São indagações que martelam a cabeça dos trabalhadores deste país.
  Devem ser banidos da vida pública os políticos ausentes dos projetos populares. Qualquer cientista político sabe que o político negligente é causa profunda de muitos problemas sociais. Só faz crescer os desmandos e tudo vai pro brejo.
  Caríssimos eleitores, votem conscientemente, não troquem seus votos por nada desta vida. Se alguns candidatos que sumiram do mapa de Londrina, como seres invisíveis e querem ser visíveis agora mostrando o que não foram, dê-lhes um não e os mandem de volta pra casa como se não os vissem. Afinal, são do mundo fantasmagórico da política.
OSVALDO CARDOSO RIBEIRO é professor e jornalista em Londrina



Não estamos aqui por acaso

Walmor Macarini
  Jovens em conflito com os pais ou com a vida costumam dizer que não pediram para nascer, e imaginam que chegaram a este mundo como resultado de um divertimento sexual ou por acaso. Nada mais equivocado, porque ninguém está aqui sem vontade própria. Acrescente-se a essa livre-vontade um mútuo acordo com o círculo em que cada qual se encontra.
  O destino de que se fala não é uma sentença que os céus proclamam e sim uma predeterminação de cada indivíduo. Então, este é o destino, que foi previamente traçado antes da descida a este plano. Se a pessoa toma a trilha de uma estrada visando chegar a um lugar, ela traça esse rumo. Assim com o chamado destino, que é uma rota preestabelecida, e aí passa a acontecer.
  Ocorre que ao aportar nesta densidade tridimensional, em cada nova vida, o ser perde a memória do seu autodeterminismo e isto ocorre para que se opere o mérito. A Terra é um campo do universo destinado ao exercício do livre-arbítrio, portanto, um privilégio mas também exigente da responsabilidade pertinente.
  Esse esquecimento temporário foi predeliberado e faz parte da mesma livre-escolha. Porque de outro modo o perdão, a doação, o amor, não aconteceriam espontaneamente e seriam exercidos de forma mecânica, por conta de resgates dos quais nos lembrássemos. Se pagamos uma dívida, com dinheiro, sabemos porque o estamos fazendo, e o fazemos naturalmente. Mas doar uma mesma importância graciosamente é mais difícil. Exige a vontade.
  Não só cada um de nós pediu para nascer, como pediu para nascer no lar em que vive, e neste país, e com os pais que tem, familiares, sócios, amigos. São pessoas que tomaram uma decisão conjunta, estabelecida em vivências anteriores para a cura de resgates entre si, ou para missões especiais. A memória remota de cada um sabe porque as coisas acontecem, mas a racionalidade dos sentidos não.
  Ninguém é inocente e ninguém é culpado neste mundo. Cada qual com as suas incumbências e exercitando a livre-decisão, que permite inclusive alterar os planos pré-traçados ou fugir de um compromisso assumido. Só depois de sua transcendência para outra dimensão saberá o que não cumpriu. E provavelmente retornará, não por punição divina mas por sua própria vontade. Daí o princípio das reencarnações, que dão resposta a muitas indagações.
  Se as pessoas escutassem mais a voz da intuição, que lhe fala de dentro e é a voz de sua porção divina, descobririam que aqui vieram com missão específica. Não existe isto de que ‘‘Deus quis assim’’ e que determinada missão que o homem exerce foi ‘‘vontade divina’’. A vontade foi de cada um, mesmo que uma coisa ocorra aparentemente por acaso. É também o predeterminismo que aciona o chamado acaso.
  Mesmo uma tragédia, dolorosa que seja, pode ter sido um experimento pré-programado pelas partes envolvidas ou outras que sofrerão conseqüências. É um expediente para que se operem grandes saltos de evolução – individual ou em grupo – que de outra forma demandariam muitas vidas. Nada que não se deseje. A descoberta da verdade sobre o que somos e porque estamos aqui nos fará libertos. Este o sentido da salvação.
WALMOR MACARINI é jornalista na Folha de Londrina


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