Dez pequenos gestos

Dom Orlando Brandes
  Na vida existem poucas oportunidades para ser herói, mas nosso dia está marcado por pequenos gestos, que podem revesti-lo de grandeza e fazer a felicidade dos demais. Vamos elencar dez pequenos gestos que qualificam o agir humano:
  1. Dar atenção às pessoas. Não importa que alguém seja rico ou pobre, jovem ou velho, conhecido ou desconhecido, educado ou descortês. Pelo acolhimento e atenção mostremos que as pessoas são importantes e únicas.
  2. Manter o otimismo. Agradecer a Deus o dom da vida e ver, antes de tudo, o bem que existe em cada pessoa. A vida é curta demais para desperdiçá-la com amarguras.
  3. Cultivar sempre o diálogo. Dialogar é, antes de tudo, ouvir o que a outra pessoa tem a dizer. Mesmo quando temos obrigação de discordar, façamos isso com simpatia e respeito. É bom sempre manter abertas as portas para uma nova conversa.
  4. Ser amigo sincero e prestativo. Muitos querem ter bons amigos e amigas, mas há quem esqueça de ser amigo. Amizade é cordialidade, respeito, atenção.
  5. Mostrar interesse pelos outros. Ninguém gosta de quem se coloca como centro do mundo, querendo ser constantemente elogiado e iniciando todas as frases pelo antipático eu. O interesse pelos outros é o endereço da felicidade.
  6. Reconhecer os próprios erros. Adão e Eva quiseram ser como deuses, negando o erro e foram afastados do Jardim da Felicidade. Somos humanos, por isso, temos erros; porém, admitir perante o outro que, efetivamente erramos, aumenta nossa credibilidade.
  7. Não poupar elogios. O outro precisa saber que é amado. Há sempre, em todas as pessoas, coisas boas que merecem ser elogiadas. No fundo trata-se de um sentimento de bondade e de gratidão. Por outro lado, é louvável evitar as críticas destrutivas. Procuremos promover os outros. Isto abre a porta do amor.
  8. Aceitar o diferente. Deus não cria ninguém em série. A diferença enriquece a convivência. Um jardim é bonito porque existem muitas variedades de flores. Amar é aceitar o diferente. A beleza da orquestra está na harmonia de sons e instrumentos diferentes.
  9. Solicitar a opinião e ajuda dos outros. Todos têm sua verdade, seus pontos de vista. A opinião dos outros costuma melhorar a proposta original. Não tenhamos receio de dar nossa opinião e aceitar que ela possa não ser levada em conta.
  10. Cultivar a gratuidade. Na realidade, as melhores coisas da vida não são pagas: a própria vida, o ar, o sol, a graça, a amizade são pura gratuidade. Façamos o que pudermos para fazer felizes os demais. A gratuidade de uma visita, de um sorriso, de um elogio, de um perdão comprova o grau de maturidade das pessoas, alegra o coração e traz felicidade.
DOM ORLANDO BRANDES é Arcebispo de Londrina


Resposta ao ministro da Agricultura

André Carioba Arndt
  A Associação Nacional dos Produtores de Bovinos de Corte (ANPBC) respeitosamente vem a público se manifestar em razão do pronunciamento do ministro da Agricultura, Luis Carlos Guedes Pinto, veiculado ontem na Folha de Londrina, referindo-se ao surgimento dos focos de aftosa no Mato Grosso do Sul.
  Em todas as estatísticas divulgadas naquele Estado, os resultados demonstram índices de vacinação próximo da totalidade do rebanho, em todas as etapas, nos respectivos meses em que são recomendadas as vacinações. As acusações de desvio de conduta de pecuaristas repetindo afirmações do presidente da República quanto à efetiva vacinação sem especificar onde, quem e quantos são aqueles que praticam irregularidades é, no mínimo, inaceitável pela ANPBC, demonstrando desconhecimento das regras internacionais de comércio exterior e colocando em risco novamente o mercado de carne bovina.
  Estas afirmações, partindo da mais alta autoridade representativa da agropecuária nacional, lança no mercado interno e externo elevado índice de falta de credibilidade à totalidade dos pecuaristas que fazem as vacinações, entidades públicas que controlam e fiscalizam em nível estadual e federal os procedimentos que os criadores devem respeitar e cumprir.
  Senhor ministro, necessitamos de homens públicos, quando ocupam cargos de sua relevância e importância, que defendam o mercado e os produtores de riquezas em nosso país, com civismo, com conhecimento e diálogo constante com a classe produtora, como se faz em qualquer país civilizado. Com as afirmações feitas, vossa excelência demonstra uma atitude entreguista com alguma matiz ideológica, contribuindo com a desvalorização do produto carne bovina, reduzindo a geração de renda nessa área da produção e, por extensão, desvalorizando o patrimônio nacional composto pela bovinocultura de corte.
  Os demais componentes da cadeia produtiva que se beneficiam a todo o momento dos eventos de ordem sanitária devem hoje estar muito felizes, pois terão um forte argumento para forçar a queda de preços para os pecuaristas, porém sem reduzir o preço para o consumidor brasileiro e ainda somar mais lucros com as exportações. Sugerimos ao ministro que, em conjunto com a ANPBC e demais entidades representativas da agropecuária, formemos uma frente de apoio junto aos deputados e senadores, para garantir recursos na formação do Orçamento para o MAPA, compatíveis com a real necessidade e importância da defesa sanitária em nosso país, principalmente para as regiões de fronteira, onde ultimamente as notícias veiculadas sobre a fronteira do MS com o Paraguai denigrem e colocam em dúvida a eficácia da fiscalização daquela localidade.
ANDRÉ CARIOBA ARNDT é presidente da Associação Nacional dos Produtores de Bovinos de Corte


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